Destaques da Bolsa

Vale, Petrobras e siderúrgicas disparam mais de 30% no mês; Embraer salta 7% e Itaú sobe 3% após balanços

Confira os destaques da Bovespa desta segunda-feira (31)

SÃO PAULO – Com alta de 11,23% do Ibovespa no mês de outubro, apenas 10 das 58 ações do índice encerraram no negativo, com JBS liderando as perdas (-17,85%) no período. Do lado positivo, 10 ações subiram mais de 20%, com destaque para os papéis ligados a commodities, como Metalúrgica Gerdau, Vale, Bradespar – holding que detém participação na Vale – e Petrobras – todas esses papéis subiram mais de 30% no mês. 

No caso da Vale, a ação reagiu ao rali do minério de ferro, desinvestimentos e balanço forte no 3° trimestre; enquanto a Petrobras vive euforia com gestão de Pedro Parente, que traz de volta a confiança do mercado em relação ao case. Os investidores aguardam também pelo resultado trimestral da estatal, que será revelado no dia 10 de novembro. 

Já na ponta negativa os destaques ficaram com as ações da JBS, que afundaram na Bolsa após o “não” do BNDES sobre a reorganização societária da empresa. Esse foi o quinto pregão seguido de perdas da ação, que acumula no período queda de 19%. Na esteira, figuram as ações da Ambev, com perdas acumuladas de 4,99% no mês, penalizada por balanço fraco do 3° trimestre (confira outros destaques de ações clicando aqui). 

Confira abaixo os principais destaques de ações desta sessão: 

Petrobras (PETR3, R$ 18,64, -2,56%PETR4, R$ 17,69, -2,21%)
As ações da Petrobras, que abriram perto da estabilidade, passaram a registrar expressiva queda após a abertura das bolsas dos EUA. Destaque para o dia de forte queda para o preço do petróleo, com os investidores repercurtindo a reunião da Opep. Países que compõe a organização parecem estar longe de chegar a um acordo sobre um corte na produção de petróleo. Além disso, após mais de 18 horas de negociações em Viena no fim de semana, não houve consenso entre os produtores não membros da OPEP sobre a adesão ao corte de produção proposto. Cabe lembrar que a autoridades estarão reunidas no final de novembro, na esperança de se obter um acordo final que pudesse impulsionar os preços do petróleo. 

No radar da estatal, a petroleira  concluiu na sexta-feira, por intermédio de sua subsidiária integral Petrobras Global Trading B.V., um financiamento de 1,2 bilhão de dólares, com vencimento em 2023, sem garantia real (unsecured), com o Banco Santander, informou a petroleira estatal em um comunicado. A linha contratada, segundo a Petrobras, será utilizada para quitar 800 milhões de dólares de dívida existente com o próprio banco que vence em 2017. Os recursos restantes –400 milhões de dólares– serão utilizados para antecipar o pagamento de outras dívidas bancárias, segundo a empresa.

A empresa ainda comunicou que tem trabalhado com a Brookfield para concluir, até dezembro deste ano, a transação envolvendo a venda de fatia majoritária na Nova Transportadora do Sudeste (NTS), para poder receber os recursos da operação. As dívidas remanescentes na NTS, após o processo de reestruturação societária, ora em curso, serão quitadas no fechamento da operação. Assim, o valor total da transação de 5,19 bilhões de dólares representará, integralmente, uma entrada de caixa para o sistema Petrobras, sendo 4,34 bilhões de dólares no fechamento da operação e 850 milhões de dólares em cinco anos, a ser atualizado no período. O consórcio liderado pela canadense Brookfield fez acordo para comprar 90 por cento da unidade de gasodutos da NTS da Petrobras, em negócio anunciado em setembro.

O Credit Suisse reportou nesta segunda-feira uma prévia do resultado da estatal, que deve ser divulgado no dia 10 de novembro. Para o banco, o balanço da petrolífera deve trazer um mix mais uma vez, com números operacionais fortes, mas contribuição negativa de diversos efeitos não-recorrentes. Segundo os analistas, o real mais valorizado e o preço doméstico da gasolina acima da paridade deve ajudar os resultados operacionais, mas a empresa deve mostrar perda de participação do mercado com a competição da importação. Dos efeitos não-recorrentes, eles destacam: ganho de US$ 306 milhões de venda de ativos na Argentina e Chile; US$ 855 milhões de despesas relacionadas ao programa de desligamento; US$ 353 milhões de provisões relacionadas as litigações nos EUA; US$ 155 milhões de provisões para o sistema elétrico; e US$ 100 milhões para equipamentos ociosos.   

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 38,40, +3,48%)
O Itaú Unibanco viu suas ações em alta, após o banco registrar lucro líquido recorrente de R$ 5,595 bilhões no terceiro trimestre, queda de 8,9% ante igual período de 2015. Na máxima do dia, os papéis chegaram a avançar 4,66%; já a holding do Itaú, Itaúsa (ITSA4, R$ 9,44, +4,08%), viu seus papéis subirem forte. O maior banco privado do país informou também que seu retorno recorrente sobre o patrimônio líquido anualizado foi de 19,9% de julho a setembro, queda ante os 20,6% do trimestre anterior e dos 24,1% de um ano antes.

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O índice de inadimplência da carteira acima de 90 dias subiu a 3,9%, de 3,6% um trimestre antes e 3% de igual etapa de 2015.

A provisão feita pelo banco para perda esperada com calotes somou 6,169 bilhões de reais, queda de 2,7 por cento na comparação trimestral e alta de apenas 2,9 por cento sobre um ano antes. Em outra frente, o Itaú Unibanco viu suas receitas com prestação de serviços subirem 7,7 por cento sobre o terceiro trimestre de 2015, a 7,825 bilhões de reais.

O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido anualizado foi de 19,9 por cento no período, queda ante os 20,6 por cento do trimestre anterior e dos 24,1 por cento de um ano antes. O banco manteve suas previsões de resultado para 2016.

O BTG Pactual aponta que o resultado é melhor que o esperado, com o lucro líquido 12% acima do consenso. Já o PDD, que esperava-se que fosse crescer na comparação trimestral, registrou queda. “O grande destaque do resultado foi qualidade da carteira, o que abre espaço para uma queda mais forte de PDD em 2017″, afirmam os analistas. O Credit Suisse também aponta os fortes números do Itaú, também apontando como destaque positivo a queda das despesas de provisão. Já o core opex foi significativamente acima das expectativas por causa de não-recorrentes. 

O bom resultado do Itaú também puxou as ações de outros bancos, como Banco do Brasil (BBAS3, R$ 29,29, +3,53%) e Bradesco (BBDC4, R$ 33,44, +3,15%). 

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 92,46, +6,29%)
A Magazine Luiza, que antecipou a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, subiu forte após a companhia registrar um lucro líquido de R$ 24,8 milhões no período, revertendo prejuízo de R$ 19,1 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. Contudo, os papéis amenizaram fortemente em relação à máxima do dia, quando dispararam 10,36%. A receita avançou 8,46% na comparação anual, para R$ 2,26 bilhões. O Ebitda teve alta de 63,4% no intervalo, totalizando R$ 180,4 milhões. Na máxima do dia, os papéis atingiram alta de 10,36%, a R$ 96,00. 

As vendas nas mesmas lojas subiram 9,6% no trimestre. Na separação entre lojas físicas e comércio eletrônico, o crescimento foi, respectivamente, de 5,5% e 24,3%, “que representou o primeiro crescimento das lojas físicas desde o início da crise econômica”.

Segundo o BTG Pactual, o resultado foi muito forte, com destaque para as vendas nas mesmas lojas. Além disso, a carteira de CDC vem caindo, o que sinaliza que a empresa está conservadora na concessão de novos créditos. 

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Hypermarcas (HYPE3, R$ 26,76, -0,59%)
As ações da Hypermarcas também registraram ganhos após a divulgação dos resultados. A empresa
 registrou lucro líquido no terceiro trimestre de R$ 202,5 milhões, 168,7% maior que no mesmo período do ano passado. A companhia também apresenta o resultado no critério de operações continuadas, segundo o qual o lucro líquido aumentou 211,7%, para R$ 183,9 milhões, principalmente por melhoria do desempenho operacional e reversão das despesas financeiras líquidas de R$ 141,9 milhões no terceiro trimestre de 2015 para receita financeira líquida de R$ 700 mil neste exercício, conforme relatório da administração que acompanha o balanço.

A companhia ressalta que o resultado não inclui ainda ganhos relacionados à venda do negócio de preservativos, que foi concluída no início do quarto trimestre deste ano. O fechamento da venda do negócio para a Reckitt Benckiser Brasil gerou recebimento de R$ 570,8 milhões em outubro, equivalentes ao montante remanescente do preço total, de R$ 705,8 milhões. Dessa forma, a posição de caixa líquido pro forma da companhia era de R$ 722,6 milhões no início do quarto trimestre. O dado sobre o terceiro trimestre foi de R$ 151,8 milhões, após pagamento de dividendos e recompra de ações.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das operações continuadas ficou em R$ 255,5 milhões, 14,3% maior na mesma base de comparação, com margem de 31,5%, 1,2 ponto porcentual superior à do terceiro trimestre de 2015. A receita líquida teve aumento de 9,8%, para R$ 811,0 milhões.

De acordo com o BTG, os resultados operacionais foram sólidos, com destaque para o crescimento expressivo do lucro por ação.  

Embraer (EMBR3, R$ 17,15, +6,85%)
As ações da Embraer lideraram os ganhos do Ibovespa e encerraram bem próximas a máxima do dia (R$ 17,17), após o balanço do terceiro trimestre. A fabricante de aeronaves 
 teve lucro ajustado de R$ 255,9 milhões no terceiro trimestre, praticamente em linha com o obtido um ano antes. O volume financeiro movimentado com a ação ficou em R$ 98,2 milhões, contra média diária de R$ 88 milhões nos últimos 21 pregões. 

Em termos líquidos, porém, o resultado atribuído aos acionistas foi de um prejuízo de R$ 111,4 milhões, ante resultado também negativo de R$ 387,7 milhões em igual etapa de 2015. A companhia avisou ainda que seu investimento (Capex) de 2016 deve ficar abaixo do previsto, mas não deu detalhes. O BTG aponta que o balanço, quando ajustado, foi em linha. A companhia reiterou o guidance para 2016, o que sinaliza um quarto trimestre melhor (em linha com a sazonalidade normal do business), de acordo com os analistas. 

Fibria (FIBR3, R$ 25,54, +1,87%)
Os papéis da Fibria subiram após o balanço do terceiro trimestre. A maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, anunciou nesta segunda-feira que teve lucro líquido de 32 milhões de reais no terceiro trimestre, ante prejuízo de 601 milhões em igual etapa de 2015.

O resultado operacional da companhia medido pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) ajustado somou 758 milhões de reais, queda de 51 por cento sobre um ano antes. Em termos líquidos, o Ebitda caiu 52 por cento, para 724 milhões. A companhia avaliou que os fundamentos do mercado global de celulose devem seguir estáveis nos próximos meses.

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A Fibria também informou que completou 60 por cento do projeto Horizonte 2 no fim de setembro. O investimento esperado para o projeto foi ajustado de 7,7 bilhões de reais para 7,5 bilhões de reais. 

Porto Seguro (PSSA3, 30,27, -0,43%)
As ações da Porto Seguro passaram de leve alta para leve queda na esteira do balanço do terceiro trimestre. O lucro líquido foi de R$ 205 milhões no trimestre, correspondendo a uma queda de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, o lucro líquido atingiu R$ 620 milhões, sofrendo uma redução de 13% . O resultado financeiro apresentou um aumento de 35% no trimestre, favorecido por um melhor desempenho das aplicações financeiras, principalmente decorrentes das alocações em renda variável e também devido a base de comparação com o terceiro trimestre do ano anterior, quando o retorno apresentado foi abaixo do CDI.


As receitas das empresas financeiras e de serviços cresceram 11% no trimestre, associadas ao aumento das vendas do produto de telefonia móvel (Conecta) e dos produtos de cartão de crédito e financiamento, que retomaram o crescimento com aumento da lucratividade. 

MMX (MMXM3, R$ 6,75, +17,39%) e Óleo e Gás (OGXP3, R$ 5,50, +1,85%)
As ações da MMX Mineração seguiram a disparada das últimas duas sessões, quando subiram 77%. A companhia de mineração informou nesta segunda que concluiu a venda de UPI Mina para o Mubadala, Trafigura por R$ 70 milhões. A UPI Mina é composta pelas minas de Ipê e Tico-Tico e respectivas unidades de processamento e barragens, além dos demais ativos, contratos e licenças a elas relacionadas, disse a empresa em comunicado.

A venda foi por meio de “processo competitivo”, disse a empresa. O preço de compra, conforme previsto no Plano de Recuperação Judicial, foi de R$ 70 milhões. “A alienação da UPI Mina é a concretização do marco mais importante do Plano de Recuperação Judicial da MMX Sudeste”, informa a companhia em comunicado.

Já a Óleo e Gás Participações , ex-OGX, viu suas ações dispararem 22,65% na sexta e segue em disparada hoje, chegando a subir 10%, embora tenham perdido força nesta tarde. A companhia apresentou na sexta uma proposta aos credores OSX-3 Senior Secured Callable Bond 2012/2015 emitidos pela OSX 3 Leasing BV e aos credores do Incremental Facility. Segundo o comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a OGPar e OGX Petróleo e Gás (OGSA3) – ambas em recuperação judicial – anunciaram proposta de conversão de toda e qualquer garantia relacionada ao Incremental Facility e todos os passivos de afretamento não pago (inclusive de afretamento em períodos futuros até a devolução de FPSO OSX-3 para o OSX-3) em ações da OGX.
Vale (VALE3, R$ 22,08, -0,27%; VALE5, R$ 20,63, -0,72%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 12,98, -0,15%) caíram, apesar do novo dia de ganhos do minério de ferro. A commodity negociada em Qingdao, na China, avançou 0,66%, a US$ 64,38 a tonelada. Cabe lembrar que os papéis PNA da mineradora saltaram 34% no mês. 

No noticiário da empresa, ela afirmou na sexta-feira que seu Conselho de Administração deliberou a venda dos ativos de carvão Carborough Downs, na Austrália, mas que o desinvestimento não é relevante para a companhia. A informação consta de um esclarecimento feito ao mercado após notícia publicada no jornal Valor Econômico. Na nota, a Vale não divulga valor do ativo nem eventual comprador.

A mineradora também explicou que não houve qualquer deliberação sobre a venda de seu negócio de fertilizantes na reunião do Conselho de Administração da Vale, em 26 de outubro, após questionamentos feitos pela Bovespa. “Além disso, ressaltamos que a Vale continua trabalhando no sentido de formar uma parceria estratégica na área de fertilizantes, em linha com sua estratégia anteriormente comunicada ao mercado.”

Destaque ainda para o noticiário da Samarco, joint venture entre a Vale e a BHP Billiton. Parada há um ano e sem previsão clara de quando retomará suas atividades, a mineradora Samarco decidiu não pagar credores estrangeiros e caminha para o que poderá ser seu segundo default, destaca o Valor Econômico.