Resumo do mercado

Vale perde quase R$ 70 bilhões em valor de mercado; Ibovespa cai mais de 2%

A empresa tem participação de cerca de 11% no Ibovespa e opera em forte queda 

Bolsa em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – As atenções dos investidores se voltam para a tragédia em Brumadinho (MG) após um fim de semana prolongado pelo feriado em São Paulo que manteve a bolsa brasileira fechada na sexta-feira (25). Uma barragem de rejeitos de mineração da Vale (VALE3) se rompeu na sexta, deixando um rastro de destruição ambiental e dezenas de mortos.

As ações da mineradora chegaram a cair 23% com a abertura do pregão nos Estados Unidos. Com essa queda, a Vale perde R$ 69,38 bilhões em valor de mercado.

Por ter uma participação relevante no Ibovespa, a Vale influencia o desempenho do índice nesta segunda-feira. Às 14h23 (horário de Brasília), o Ibovespa caía 2,17%, a 95.559 pontos, após ter descido à mínima de 94.783 pontos. A queda de mais de 1% nas bolsas em Wall Street também colaboram para o mau humor do mercado. 

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O contrato de dólar futuro com vencimento em fevereiro de 2019 tinha queda de 0,30%, cotado a R$ 3,761, e o dólar comercial caía 0,19%, para R$ 3,765. 

Sobre o movimento dos DIs, os contratos com vencimento em janeiro de 2021 caíam de 7,22% para 7,21%, e os juros futuros para janeiro de 2023 subiam de 8,32% para 8,37%.

Levando em consideração apenas os impactos operacionais, a mina Feijão, que se rompeu, representa cerca de 1,5% a 2,5% da produção total de minério da Vale. No entanto, as consequências judiciais do desastre deve ser bem maior.

Embora ainda haja dúvidas sobre as causas do acidente, e os culpados, a informação mais dramática é que o número de mortes já é maior que o da tragédia de Mariana, quando uma barragem da Samarco (empresa controlada por Vale e BHP) se rompeu, resultando em 19 mortes. No caso de Brumadinho, até esta manhã haviam sido informadas 60 mortes 292 pessoas continuavam desaparecidas.

Em decorrência do número de vítimas em potencial, até a manhã desta segunda-feira (28), a Justiça de Minas Gerais já havia determinado três bloqueios de valores da Vale desde o rompimento de uma barragem em Brumadinho (MG), na sexta-feira (25). No total, até o momento, a empresa terá que dispor de pelo menos R$ 11,8 bilhões para ressarcir danos e perdas de forma geral.

O valor representa quase metade (48,4%) de todo o caixa da Vale, conforme dados publicados em seu balanço mais recente, do terceiro trimestre de 2018. O documento informa que a mineradora tinha R$ 24,4 bilhões disponíveis em caixa.

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Outras sanções podem vir a ser somadas a esse valor. A Vale informou que foi intimada da imposição de sanções administrativas pelo Ibama e pelo Estado de Minas Gerais de R$ 250 milhões e aproximadamente R$ 99,1 milhões, respectivamente. A Justiça do Trabalho em Minas Gerais determinou bloqueio de mais R$ 800 milhões.

Além disso, o governo de Minas Gerais solicitou a indisponibilidade de todas as ações de propriedade da Vale nas bolsas de valores de São Paulo (Bovespa), Rio de Janeiro, Nova York, Madrid e Euronext Paris. O dinheiro seria utilizado para as despesas com o rompimento das barragens em Brumadinho. 

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De acordo com o documento, o limite para o bloqueio seria de R$ 20 bilhões. Hoje, o valor de mercado da empresa é de R$ 296 bilhões – a terceira maior empresa brasileira de capital aberto. 

Ainda no radar da Vale, o Conselho de Administração da companhia decidiu mudar o sistema de remuneração e incentivos devido ao rompimento da barragem. A mineradora informou que o Conselho decidiu suspender o pagamento de remuneração variável aos executivos e também a Política de Remuneração aos Acionistas “e, consequentemente, o não pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP), bem como qualquer outra deliberação sobre recompra de ações de sua própria emissão”.

Enquanto isso, no âmbito político, o presidente Jair Bolsonaro passa por nova cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia, no hospital Albert Einstein. A previsão é que a operação dure de três a quatro horas. Será a terceira cirurgia que o presidente fará desde o ataque a facadas em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Bolsonaro deve voltar ao trabalho 48 horas após a cirurgia. Um gabinete especial será montado no hospital para que o presidente possa realizar seus trabalhos durante o período de internação, estimado em dez dias.

Os investidores também ficam atentos aos próximos passos do governo, há poucos dias da volta do recesso do Congresso e das eleições para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, além de ficar de olho primeira reunião do Fomc de 2019 e nas negociações entre China e Estados Unidos. 

Além disso, o Conselho de Administração da Vale decidiu mudar o sistema de remuneração e incentivos devido ao rompimento da barragem. Em fato relevante, a mineradora informa que o Conselho decidiu suspender o pagamento de remuneração variável aos executivos e também a Política de Remuneração aos Acionistas “e, consequentemente, o não pagamento de dividendos e JCP (juros sobre o capital próprio), bem como qualquer outra deliberação sobre recompra de ações de sua própria emissão”.

Destaques da Bolsa

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 BRAP4 BRADESPAR PN27,51-21,40-11,39300,98M
 VALE3 VALE ON44,38-20,96-12,984,38B
 CSNA3 SID NACIONALON9,91-4,44+12,1053,75M
 QUAL3 QUALICORP ON15,28-3,60+18,5415,54M
 GOLL4 GOL PN N222,79-2,73-9,2022,31M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1
 BRDT3 PETROBRAS BRON27,66+3,75+7,63287,86M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON46,68+2,35+11,0950,92M
 ABEV3 AMBEV S/A ON17,56+2,33+14,17208,43M
 CIEL3 CIELO ON10,89+1,97+22,5046,64M
 SUZB3 SUZANO PAPELON48,70+1,56+27,89132,84M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Bolsas mundiais

Os índices das bolsas dos Estados Unidos têm forte queda repercutindo a revisão de guidance de empresas locais frente à deterioração da economia chinesa. Ainda no radar dos investidores está o ceticismo do presidente Donald Trump em relação a um acordo entre republicanos e democratas sobre a construção de um muro na fronteira com o México. 

Após a suspensão temporária da paralisação do governo norte-americano na sexta-feira (25), Trump disse ao The Wall Street Journal que novo shutdown é “certamente uma opção”. O pacto para a suspensão temporária prevê a destinação de recursos para financiar a administração federal por três semanas, enquanto a Casa Branca e o Partido Democrata continuarão negociando os fundos para o muro no México.   

Os investidores aguardam ainda nova rodada de negociações com a China para dar fim à guerra comercial entre os países. O governo chinês deve enviar seu vice-primeiro ministro para Washington, capital norte-americana, ainda nesta semana para uma nova rodada de negociações com representantes de Trump. 

Na Europa, as bolsas operam em queda contaminadas pelo pessimismo com os Estados Unidos e à espera de novidades sobre o Brexit. A primeira-ministra britânica Theresa May colocará seus últimos esforços para a votação sobre um acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia na terça-feira (29).

As bolsas asiáticas fecharam em queda com investidores também pessimistas em relação às negociações entre China e Estados Unidos. 

Os preços do petróleo têm forte queda repercutindo o aumento, pela primeira vez em 2019, do número de sondas usadas por empresas de energia norte-americanas para a busca pela commodity. 

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O minério de ferro da China opera em forte alta após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. A tragédia gera preocupações sobre a oferta, uma vez que inspeções de segurança em outras operações da Vale podem afetar a produção da companhia de forma mais ampla.

Noticiário político 

Na política, atenção especial para as articulações antes da eleição no Congresso, marcada para sexta-feira (1). Até o momento, os favoritos são o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que concorre à reeleição, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL). No Senado, porém, a corrida esquentou nos últimos dias com o anúncio da candidatura de Simone Tebet (MDB-MS).

Além disso, atenção para a nova cirurgia que o presidente Jair Bolsonaro faz nesta segunda para a retirada da bolsa de colostomia, no hospital Albert Einstein. A previsão é que a operação dure de três a quatro horas. Será a terceira cirurgia que o presidente fará desde o ataque a facadas em Juiz de Fora, Minas Gerais.

O porta-voz da Presidência da República, general Otávio Santana do Rêgo Barros, informou ontem que após as primeiras 48 horas depois da cirurgia  Bolsonaro voltará ao trabalho ainda no hospital. Um gabinete especial será montado no hospital para que o presidente possa realizar seus trabalhos durante o período de internação, estimado em dez dias.