Vale e siderúrgicas sobem até 5%; Estácio dispara e duas small caps saltam 7%

Confira os principais destaques de ações do Bovespa nesta segunda-feira

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SÃO PAULO – O Ibovespa caiu nesta segunda-feira (6), após a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, comentar que aumentos graduais das taxas de juros nos Estados Unidos são apropriadas. “Embora o estado atual de política monetária seja geralmente apropriado, as taxas provavelmente precisarão subir gradualmente com o tempo”, disse nesta tarde, em evento na Flórida. 

O discurso de Yellen levou para baixo ativos de risco ao redor do mundo. Na Bovespa, os papéis preferenciais da Petrobras, que chegaram a subir 2,45% na máxima do dia, viraram para queda, acompanhando o movimento do petróleo no mercado internacional, que também chegou a zerar os fortes ganhos registrados mais cedo. No fechamento, no entanto, a commodity registrava alta de cerca de 2%. Já os papéis da Vale, que amenizaram os ganhos nesta tarde, voltaram a subir forte próximo ao fechamento da sessão. 

Confira os destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira (6):

Petrobras (PETR3, R$ 10,80, -0,09%; PETR4, R$ 8,46, -1,28%)
Os papéis da Petrobras viraram para queda depois do discurso de Yellen, que trouxe à tona o risco de aumento dos juros nos Estados Unidos. O movimento da estatal acompanhou também a cotação do petróleo no mercado internacional, que chegou a zerar os ganhos, mas voltou para o campo positivo. O contrato Brent subiu 1,5%, a US$ 50,39 o barril, enquanto o WTI avançou 2,2%, a US$ 49,69 o barril. A commodity subia forte lá fora após Abu Dhabi prever que barril pode voltar a US$ 60 devido à oferta, que tem encolhido mais rápido que previsto. 

Segundo o jornal O Globo, a  ação coletiva que investidores brasileiros e estrangeiros estão movendo na Corte de Nova York contra a Petrobras pode levar a uma indenização superior à do escândalo da Enron. O caso Enron foi a maior falência da História econômica dos Estados Unidos e resultou numa reparação de US$ 7,2 bilhões. Ao jornal, a única brasileira entre os peritos que acompanham a ação coletiva (class action), a advogada Érica Gorga estima que a indenização pode chegar à casa dos US$ 10 bilhões. “É claro que a perda das ações não se deveu apenas à corrupção ou à má gestão, porque o preço do petróleo também caiu no período. Por isso, eles estão tentando mensurar o período em que teve início o envolvimento de diretores da Petrobras na Lava-Jato. Essa é uma das coisas controversas no processo, mas eu acho que fica a discussão de quantos bilhões vão ser e, sendo conservadora, acho que não serão mais de US$ 10 bilhões”. 

Por outro lado, o Ministério de Minas e Energia disse no sábado que apoia a independência total da Petrobras para a definição de preços de combustíveis. “A Petrobras – e as demais empresas estatais ou de capital misto – devem ter liberdade para agir conforme avaliem ser mais salutar para a empresa, sem imposições do governo”, disse o MME, em um comunicado.

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Por fim, o ex-presidente da petroleira britânica BG no Brasil, Nelson Silva, assume nesta segunda-feira o cargo de consultor sênior da diretoria da Petrobras, onde coordenará o processo de revisão estratégica da empresa além de ajudar na avaliação e redesenho dos sistemas de gestão, informou a petroleira em nota. 

Vale (VALE3, R$ 13,01, +3,09%; VALE5, R$ 16,86, +4,00%)
As ações da Vale amenizaram os ganhos após fala da Yellen, mas voltaram a ganhar força perto do fechamento. Os papéis seguiram os preços do minério de ferro cotado lá fora. A commodity negociada no porto de Qingdao com 62% de pureza fechou em alta de 2,06%, a US$ 51,11 a tonelada. As ações da Bradespar (BRAP4, R$ 7,97, +3,24%) – holding que detém participação na Vale – acompanham o movimento. 

Também voltaram a ganhar força os papéis do setor siderúrgico, com Gerdau (GGBR4, R$ 6,35, +3,93%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,22, +3,26%), Usiminas (USIM5, R$ 1,92, +5,49%) e CSN (CSNA3, R$ 7,39, +0,68%).  

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GOL (GOLL4, R$ 2,36, +1,72%)
Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a Gol está em contato com detentores de títulos no exterior para potencialmente mudar os termos da oferta proposta de troca de dívida. A companhia disse a credores que pode retificar termos do negócio, disse a pessoa, que pediu para não ser identificada porque as discussões não são públicas. 

“Se o tender offer não tiver sucesso, o risco de recuperação judicial aumentaria significativamente”, disse o analista Cedric Rimaud, da Gimme Credit, em nota a clientes. A proposta inicial poderia causar perdas de 30% a 70% a detentores de títulos em dólar e troca de notas por novos títulos com vencimento em uma década.

Guararapes e Magazine Luiza
Duas small caps do varejo disparam nesta sessão. Os papéis da Guararapes (GUAR4, R$ 55,99, +7,22%) saltaram pelo quarto pregão, acumulando valorização de 20% no período. A arrancada veio acompanhada de forte volume financeiro. Nesta sessão, o giro financeiro alcançou R$ 721 milhões, contra média diária de R$ 395 milhões nos últimos 21 pregões. Já Magazine Luiza (MGLU3, R$ 37,30, +6,60%) teve sua terceira alta seguida, acumulando ganhos de 10% na sequência.

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O movimento do papel veio seguido da notícia de que a Restoque (LLIS3, R$ 4,21, -8,68%) – dona das marcas Le Lis Blanc, John John e Bo.Bô – confirmou, semana passada, a assinatura de um memorando de entendimento com a Inbrands, tendo como objetivo a combinação de 100% da operação das empresas. As empresas devem trabalhar nas próximas semanas em “due diligence” recíproco, dizia o comunicado, que explica ainda que a companhia resultante considerará oferta pública de ações para captar recursos, com ancoragem dos principais acionistas.

Segundo o Bradesco BBI, por si só, o negócio não parece melhorar muitos as coisas para ambas empresas e vê potencial diluição. Há uma “boa relação risco/prêmio somente se Inbrands vier com grande desconto”, destaca o banco.  

Oi (OIBR3, R$ 1,30, -0,78%; OIBR4, R$ 1,18, +0,85%)
A Oi caiu hoje após disparada de 30% e 45% das ações ordinárias e preferenciais, respectivamente, desde o fechamento do dia 31 de maio. Na semana passada, os papéis da operadora subiram forte após aprovação do projeto de lei 3453 na Comissão de Ciência e Tecnologia na Câmara na última quinta-feira. Segundo o BTG Pactual, dos players listados na Bovespa, Oi e Telefônica seriam as mais beneficiadas pela notícia. 

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“Como a situação econômica da empresa é ruim, essa notícia poderia atrair investidores para o setor de telecomunicações e serviços de infraestrutura, o que, consequentemente, atrairia interessados na companhia”, disse o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido. 

Os analistas do BTG lembraram que esse projeto de lei foi apresentado pelo Deputado Daniel Vilela do PMDB em novembro do ano passado e vai bem em linha com o que foi proposto pela Anatel/Minicom sobre uma solução para as concessões de linha fixa no Brasil. Segundo eles, caso seja convertido em Lei, a Anatel estaria autorizada a mudar o modelo atual de concessão para o de autorização em todo o território nacional, se duas condições básicas forem respeitadas: 1) competição efetiva (não somente em telefonia fixa, mas também em serviços e aplicações substitutos – o que é bastante importante uma vez que a competição na telefonia móvel está presente em quase todas as regiões do Brasil); e 2) cumprimento das metas de universalização na prestação das diversas modalidades do Serviço Telefônico Fixo Comutado – STFC. 

Além disso, se aprovado, os analistas comentam que isso traria uma outra importante discussão para a mesa – bens reversíveis. E ao menos pela diretriz proposta pelo projeto de lei, o cálculo do valor dos bens reversíveis seria feito de uma maneira bastante amigável para as concessionárias e revertido em investimentos em infraestrutura de alta capacidade.

JHSF (JHSF3, R$ 1,11, -0,89%)
Em comunicado, a JHSF negou que tenha cometido ato ilícito e afirmou que efetuou contribuições eleitorais de forma legal. Em reportagens da semana passada, foi divulgado que o governador de Minas Gerais Fernando Pimentel cobrou R$ 5 milhões em propina do grupo para entregar a operação do aeroporto Catarina, em São Caetano do Sul. 

Eletrobras (ELET3, R$ 8,91, +1,71%; ELET6, R$ 13,82, +2,75%)
Em entrevista à Reuters, o ministro interino do Planejamento, Dyogo de Oliveira, informou que o governo avalia se injeta R$ 5 bilhões na Eletrobras.

Ser, Estácio e Kroton
As ações da Ser Educacional (SEER3, R$ 12,47, +1,46%) dispararam até 13,59% (R$ 13,96) nesta sessão após a companhia anunciar ter entrado na “briga” com a Kroton pela união de forças com a Estácio, mas diminuiu fortemente os ganhos. Com a entrada de um concorrente na disputa, os papéis da Kroton (KROT3, R$ 12,70, -2,16%) recuaram hoje, enquanto as ações da Estácio (ESTC3, R$ 14,54, +4,68%) subiram forte. 

No último sábado, a Ser Educacional apresentou uma proposta de combinação dos negócios com a Estácio Participações, poucos dias após a última ter recebido uma oferta da Kroton. A proposta não vinculante do Conselho da Administração da Ser prevê que o novo capital seria formado por 68,7% de acionistas da Estácio e 31,3% da Ser Educacional. 

Os acionistas da Estácio recebem ainda dividendos extraordinários no valor de R$ 590 milhões. Janguiê Diniz, fundador da Ser, teria uma participação de 22% e na posição de maior acionista. Atualmente, Janguiê possui 70% da Ser Educacional. A família Chaim Zaher e o fundo americano Oppenheimer continuam com fatias relevantes, acima de 10% da nova companhia.

Além disso, a Ser Educacional propôs pagamento de um dividendo extraordinário de R$ 590 milhões aos acionistas da Estácio, o que equivale a R$ 1,92 por ação da última. Com a fusão, a nova empresa teria cerca de 60% do capital no mercado. 

A Ser Educacional contratou o Credit Suisse e o escritório de advocacia Pinheiro Neto como assessores e afirmou que a companhia combinada deve ter forte participação nas regiões Norte e Nordeste do país. Em teleconferência, a Ser informou que a oferta pela Estácio traz um prêmio de 9% sobre o valor de fechamento das ações em 1 de junho. 

Em relatório do Credit Suisse divulgado hoje – mas que não incorpora ainda a proposta da Ser -, os analistas comentaram que viam como preço justo para a transação uma oferta da Kroton de R$ 17,00, ou 25% de prêmio em relação ao fechamento de sexta-feira. Eles chegaram a esse valor dado que os papéis da Estácio estavam negociando a 15% e 22% de desconto da Kroton em relação ao P/L (Preço sobre Ação) e Dívida Líquida/Ebitda, respectivamente, estimatidos para 2017. Para os analistas, as ações da Estácio, contudo, deveriam negociar em linha com a Kroton – por isso, o prêmio estimado -, em função da potencial sinergia que a união das duas poderia gerar e um prêmio de controle a ser pago aos acionistas da Estácio. Nesse valor, o ratio justo da troca de ações, segundo eles, seria de aproximadamente 1,35 (contra 0,977 anunciado na semana passada). 

(Com Bloomberg)