Destaques da Bolsa

Vale e siderúrgicas saltam até 7%; 4 small caps disparam entre 15% e 28%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

Mineração da Vale
Mineração da Vale

SÃO PAULO –  O Ibovespa seguiu para sua quinta alta seguida nesta terça-feira (12), acumulando no período ganhos de 4,8%. O índice se distanciou da máxima do dia na parte da tarde, mas ainda assim encerrou a sessão com ganhos de 0,59%, a 54.294 pontos, quase renovando a máxima do ano registrada no dia 27 de abril, quando fechou a 54.477 pontos.

Hoje, o índice acompanhou o rali no mercado internacional, que seguiu em euforia em meio às expectativas de estímulos nas duas maiores economias da Ásia: China e Japão. Mais cedo, o ex-presidente do Federal Reserve (o banco central dos EUA), Ben Bernanke pediu ao primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que continue agindo de forma decisiva para derrotar a deflação.

A euforia do Ibovespa foi conduzida novamente principalmente pelos papéis ligados a commodities, com Vale e siderúrgicas saltando até 7%. A Petrobras também subiu forte (mais de 3%) guiada pelos preços do petróleo e um relatório de ontem do Itaú BBA, que elevou a ação da estatal de neutra para “outperform” (desempenho acima da média). Essa foi a quinta alta seguida das ações da Petrobras e terceira, da Vale. As ações preferenciais das duas companhias acumulam nos respectivos períodos ganhos de 15% e 9,5%, nesta ordem.  

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Fora do índice, o dia também foi repleto de destaques: 4 small caps dispararam entre 15% e 28%. Foram elas: as ações da Gol, Vanguarda Agro e os papéis ONs e PNs da Whirpool. Sobre a Gol, as ações dispararam até 22,5% nesta sessão, indo para a máxima desde outubro de 2015, após notícia de aprovação da fixação do ICMS para querosene de aviação pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. Já as ações da Vanguarda Agro ganharam força na reta final da sessão, com a sinalização do presidente interino Michel Temer para a liberação da compra de terras no Brasil por estrangeiros. 

Em entrevista no InfoMoneyTV nesta manha, o analista técnico, Raphael Figueredo, da Clear Corretora, disse que o Ibovespa caminha para uma reversão de tendência e que esse movimento já começou a ser sinalizado pelas ações de menor liquidez na Bolsa – as small caps -, que historicamente antecipam o movimento do mercado. Para o analista, há 10 dessas ações que têm potencial de subir entre 70% e 100% na Bovespa (para conferir a íntegra do programa clique aqui). 

Abaixo, os principais destaques de ações da BM&FBovespa nesta terça-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 13,29, +3,10%; PETR4, R$ 10,65, +2,80%)
Papéis de commodities seguiram em disparada nesta sessão. As ações da Petrobras subiram pelo quinto pregão seguido, com as ordinárias acumulando ganhos de 17%, enquanto as preferenciais avançam 15%. Com a arrancada, os papéis PNs da estatal renovaram máxima na Bolsa desde julho de 2015.

Hoje, o contrato Brent registrou alta de 4,58%, a US$ 48,37 o barril, enquanto o WTI subiu 4,5%, a US$ 46,77 o barril – no maior ganho diário desde 8 de abril.

Otimistas com a nova gestão e a mudança de governo, os analistas Diego Mendes e André Hachem, do Itaú BBA, elevaram ontem a recomendação para as ações da Petrobras de neutra para “outperform”, com aumento do preço-alvo em 55%, passando de R$ 9,00 para R$ 14,00. “Acreditamos que a nova gestão (com novas diretrizes), a redução de custos, o programa de venda de ativos e um melhor ambiente para o gerenciamento de passivos, serão os pilares para a melhoria sustentável [da Petrobras]”, disseram os analistas em relatório nesta segunda-feira.  

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Vale e siderúrgicas
Em meio ao rali do minério de ferro, as ações da Vale (VALE3, R$ 17,69, +4,92%; VALE5, R$ 14,03, +3,93%), Bradespar (BRAP4, R$ 10,07, +3,28%) e as siderúrgicas Usiminas (USIM3, R$ 7,10, +1,28%; USIM5, R$ 2,13, +2,90%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,64, +5,90%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,26, +7,11%) seguiram em disparada nesta sessão. Hoje, o minério de ferro fechou em alta de 6,65% no Porto de Qingdao, na China, cotado a US$ 59,39 a tonelada. 

No radar das empresas, em resposta à revista Exame, a Vale explicou em comunicado que a retomada das operações da Samarco depende da conclusão das análises pelos órgãos governamentais competentes com relação às soluções operacionais propostas pela companhia, para que esta possa então, uma vez obtidas as aprovações necessárias, dar prosseguimento à retomada das suas operações. “Ainda existem incertezas sobre o intervalo de tempo necessário para o reinício das operações daquela empresa”, disse a mineradora. “Tão logo haja clareza necessária para a conclusão das análises, e caso seja constatado impacto relevante, a Vale procederá divulgação ao mercado, nos termos da legislação em vigor”, conclui a companhia em nota.

Já sobre a Usiminas, segundo informações da Folha de S. Paulo e da Reuters, uma audiência de conciliação entre os grupos Nippon Steel e Ternium na última segunda-feira terminou sem acordo sobre o comando da Usiderúrgica mineira. A audiência havia sido convocada pela desembargadora Mariza de Melo Porto; a reunião terminou sem que a desembargadora optasse pela alternativa defendida pela Nippon Steel de nomeação pela Justiça de um presidente-executivo para a Usiminas. A Nippon cobra no processo  a anulação da reunião do Conselho que elegeu Sergio Leite em 25 de maio como presidente-executivo da Usiminas em substituição a Rômel de Souza, indicado pelo grupo japonês. 

Pão de Açúcar e Via Varejo
As ações do Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 51,32, +3,51%) e da Via Varejo (VVAR11, R$, 8,00, +2,30%) registraram fortes ganhos após a divulgação dos dados operacionais do segundo trimestre deste ano. A receita líquida consolidada do Grupo Pão de Açúcar atingiu R$ 16,7 bilhões no segundo trimestre, 5% superior quando comparado ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida do grupo no conceito “mesmas lojas” cresceu 3,2% no período.

Gol (GOLL4, R$ 4,12, +18,73%)
O dia também foi de ganhos para a Gol, que foram impulsionados pela aprovação pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado do projeto 
de resolução que limita em 12% a alíquota do ICMS sobre combustível de aviação, medida que pode dar fôlego financeiro às aéreas nacionais. Por ser uma resolução do Senado, o projeto só precisa agora da aprovação do plenário da Casa para ser promulgado. A fixação do limite reduz em cerca de R$ 490 milhões por ano os custos do setor, de acordo com dados da Abear. Além da variação, chamou atenção também o volume financeiro registrado com a ação, que alcançou R$ 57,47 milhões, contra média diária de R$ 26,7 milhões nos últimos 21 pregões.  

Hoje, em relatório, o BTG Pactual destacou que, após um ano de 2015 muito difícil afetado por uma queda expressiva na demanda corporativa e uma maxi desvalorização do câmbio (de quase 50%), a companhia encerrou o ano passado com alavancagem em 13 vezes o EBITDAR. Com isso, aumentaram as preocupações com o balanço, catalisando o anúncio da restruturação da dívida.

“Do lado operacional, ainda há muito a melhorar, mas temos que reconhecer que a situação atual já é bem melhor do que até pouco tempo atrás, ajudado principalmente pelo câmbio. Juntamente com as iniciativas que estão in place, deve haver uma redução grande da alavancagem no final de 2016 para 6,5 vezes o EBITDAR. Dada a exposição da companhia ao câmbio (60% dos custos e 85% da dívida são em dólares), isso se tornou a principal variável do case. Sendo assim, com uma apreciação do real de 15% no ano, chegamos a R$ 1,8 bilhão de redução da alavancagem e R$ 600 milhões de melhora no fluxo de caixa anualizado”, ressaltam eles. Vale destacar que, na sessão de hoje, o dólar registra queda de 1,08%, a R4 3,274 na venda. Por ora, o BTG reitera recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 4,00.

Ainda no noticiário do setor aéreo, destaque para o anúncio da Qatar Airways de que fechou um acordo para subscrever 10% das ações da Latam, via aumento de capital, o que provocou uma forte valorização dos papéis da companhia no mercado internacional. Por aqui, as ações da Gol já acompanhavam o movimento em meio ao valuation mais favorável de um concorrente do mesmo segmento.

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Vanguarda-Agro (VAGR3, R$ 19,50, +14,77%)
As ações da Vanguarda-Agro dispararam nesta sessão, intensificando os ganhos a partir das 15h10 (horário de Brasília) com a sinalização do presidente interino Michel Temer para a liberação da compra de terras no Brasil por estrangeiros. O volume financeiro ficou em R$ 1,006 milhão, contra média diária de R$ 608,7 mil nos últimos 21 pregões. 

“Estamos estudando a questão da [compra de] terras por estrangeiros. Isso ficou paralisado por um parecer da Advocacia Geral da União, interpretando que não havia condições, mas não há uma lei. E essa matéria está sendo analisada”, afirmou. Temer ainda destacou que o novo cenário mundial mudou os padrões de “soberania nacional” e o governo deve procurar “aliança” entre diferentes estados. “Hoje, com a globalização, certos padrões da soberania nacional ganham uma nova fisionomia. Basta verificar que o futuro do estado está na aliança entre vários estados. A União Europeia, por exemplo, quando derruba questões tributárias, a exigência de passaportes [e outros itens], cria praticamente um novo estado. Certos padrões que se verificavam há 25 anos não podem prevalecer. Teremos logo uma solução para esse tema”. 

Cemig (CMIG4, R$ 8,54, -0,12%)
As ações da Cemig fecharam em leve queda, após registrarem mais cedo alta de 7,95% na máxima do dia, a R$ 9,23. Com a virada do movimento no intraday, os papéis interromperam uma sequência de duas altas na Bolsa, na esteira de uma elevação de recomendação pelo Itaú BBA na sexta-feira da semana passada. Considerando a mínima deixada pela ação esse ano na Bolsa (quando fechou o pregão do dia 19 de janeiro a R$ 4,07), a ação  acumula até agora alta de 124%.  

O Itaú BBA elevou a recomendação da elétrica de underperform para market perform na semana passada, além de ter revisado o seu preço-alvo para cima, de R$ 8,00 para R$ 10,00. Segundo analistas do banco, há uma visão menos cética sobre o programa de desinvestimentos da elétrica, que pode levantar R$ 4,1 bilhões – caso a venda seja realizada no valor patrimonial justo. Mas mesmo considerando a venda com um desconto de 20%, a empresa conseguiria ainda assim reduzir sua alavancagem para 1,8 vez até 2018, contra 3 vezes caso não a fizesse. As vendas consideradas pelo banco são os ativos “non-core” da Santo Antônio, Telco, Gasmig e as ações preferenciais da Taesa. Desde a mínima deste ano (registrada em 19 de janeiro) até agora, a ação já disparou 110%. 

Segundo a equipe do BTG Pactual, players detentores de terras, caso da Vanguarda Agro são altamente impactados pois hoje eles têm sua capacidade de monetizar suas terras de forma bastante limitada. “Qualquer mudança nesse sentido é notícia positiva para os players de terras”, disseram em relatório. Nos últimos dois meses do governo Temer, as ações da companhia já subiram 186%.

Eletrobras (ELET3, R$ 15,46, +1,84%; ELET6, 21,77, +0,79%)
As ações da Eletrobras registraram ganhos nesta sessão. Destaque para notícia do Valor Econômico de que a venda de uma fatia do capital da elétrica Furnas , subsidiária da Eletrobras, pode render de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões. O valor corresponde a um percentual de até 49% da empresa, cuja proposta para abertura de capital da estatal foi, enviada pelo presidente da empresa, Flavio Decat, ao ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho. A proposta, com data de maio, foi elaborada pela gestora de recursos 3G Radar.

Whirpool (WHRL3, R$ 3,15, +28,05%; WHRL4, R$ 3,12, +20,46%)
O grupo de eletrodomésticos Whirlpool anunciou que fará uma oferta pública para adquirir a totalidade das ações em circulação de sua subsidiária brasileira e fechar capital. A companhia, dona de marcas como Brastemp, pretende pagar na OPA (Oferta Pública de Aquisição) o preço de R$ 3,31 por ação, conferindo à subsidiária brasileira um valor de R$ 4,97 bilhões.

Levando-se em consideração o fechamento da última segunda-feira (11), o preço estabelecido corresponde a uma valorização de 27,80%. O grupo Whirlpool já detém 95% do capital da companhia. 

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Kroton e Estácio
As ações da Kroton (KROT3, R$ 14,63, +3,61%) e da Estácio (ESTC3, R$ 17,50, +1,74%) subiram após terem suas recomendações elevadas de neutra para compra pelo Santander. O preço-alvo para a Kroton foi elevado de R$ 12,00 para R$ 18,00,  enquanto o preço-alvo para a Estácio foi elevado de R$ 16,50 para R$ 23,10. 

Na última sexta-feira, as duas companhias confirmaram que os conselhos de administração aprovaram proposta para fusão de seus negócios. O acordo será, agora, submetido aos acionistas das companhias em assembleias gerais extraordinárias (AGEs), sendo que a operação e a incorporação de ações dependem do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). A fusão foi aprovada após a Kroton aumentar pela terceira vez sua proposta pela Estácio.  

Direcional (DIRR3, R$ 5,54, -1,77%)
A Direcional Engenharia virou para queda após abrir em alta em meio à divulgação dos indicadores operacionais do segundo trimestre do ano. As vendas líquidas totalizaram Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 66 milhões, redução de 41%, quando comparado ao mesmo período do ano passado. No primeiro semestre, as vendas cresceram 24% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 184 milhões.

A velocidade de vendas do segundo trimestre, medida pelo indicador Vendas sobre Oferta (VSO), atingiu 5,7%. “Esse indicador foi impactado, principalmente, pelo acumulo de lançamentos na última quinzena do trimestre, cujo modelo de venda com repasse na planta dos produtos lançados reduz a velocidade das vendas de lançamento, uma vez que estas somente são contabilizadas após a aprovação do crédito do cliente no banco financiador”. “Mesmo com as vendas mais fracas no trimestre, recebemos bem os lançamentos e acreditamos que as vendas devem acelerar no terceiro trimestre dada a forte demanda nessas faixas. Reiteramos a recomendação de compra e top pick no setor”, afirma o BTG Pactual.