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SÃO PAULO – As ações da Vale (VALE3; VALE5) despencaram nesta quinta-feira (23), ajudando a puxar o Ibovespa para o campo negativo. Os papéis ordinários da mineradora recuaram 3,88%, terminando a R$ 34,70, enquanto os preferenciais tiveram queda de 3,17%, fechando a R$ 34,19. Com isso, o principal índice de ações registrou recuo de 1,46%, terminando aos 58.511 pontos.
As ações da mineradora estiveram pressionadas pela expectativa do “término” do boom de commodities, como afirmado pelo ministro de Recursos e Energia da Austrália, Martin Ferguson. “O boom dos recursos terminou”, disse Ferguson a uma rádio australiana. Os comentários do ministro ocorreram depois que a BHP adiou planos para a expansão de mais de US$ 20 bilhões do projeto de cobre Olympic Dam e para um novo porto, também em US$ 20 bilhões.
“A mensagem transmitida pela BHP Billiton está correta. Em um momento de volatilidade, ela tem que sinalizar isso mesmo para evitar o excesso”, avalia Rafael Weber, analista da Geração Futuro. Ele lembra que em poucos anos, com a entrada em operação de diversos projetos, poderia haver um excesso de oferta frente à demanda – o que reduziria a atratividade desses investimentos. Nesse cenário, as ações ordinárias da mineradora chegaram a cair 3,96%, enquanto as preferenciais apresentaram queda de 3,65% na mínima do dia.
Royalties e China também foram determinantes nesta sessão. O presidente da empresa, Murilo Ferreira, levará ao conselho de administração da Vale a proposta de acordo alinhavada com o DPNM (Departamento Nacional de Produção Mineral) sobre a cobrança dos royalties entre 1991 e 2007. Os valores devem girar na casa de R$ 4 bilhões. Os números chineses também desapontaram o mercado, mostrando que o gigante asiático registrou contração na indústria. É válido destacar que os preços do aço e do minério de ferro chegaram ao menor patamar dos últimos 3 anos na véspera.
Usiminas continua em alta
Por outro lado, os papéis da Usiminas (USIM3) lideraram os ganhos do Ibovespa, repetindo o movimento dos últimos dias. Com a alta de 5,10% nesta quinta, USIM3 acumula ganhos de 13,19% na semana. Indagado sobre o motivo, Weber afirma que é difícil saber – já que podem ser movimentações típicas do mercado. “Pode ser movimentação de curto prazo, troca de posição”, avisa. USIM3 chegou a apresentar alta ainda mais forte no intraday, alcançando alta de 5,31%, aos R$ 10,32
“Aumento de preços sendo anunciados, expectativa de aumento de volumes no segundo semestres. Custos tão caindo um pouco, tudo isso é bom para a companhia”, afirma. Esses ganhos das ações ordinárias não foi seguido pelas ações preferenciais, listadas sob o código de USIM5: elas tiveram alta de 0,69%, terminando aos R$ 8,70. As ações porém chegaram a ter alta de 3,59%, mas perderam forças durante o dia.
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Contudo, a desacelaração das atividades de mineração pouco pode impactar as ações da empresa – que embora tenha o minério de ferro como principal insumo, também possui atividades de mineração. “Isso é relativo, pois ela ta cada vez mais integrada com a mineração, e se o preço do minério cair, é pouco provável que o preço do aço se sustente nesse patamar”, avalia Weber.
Outras siderúrgicas em direções opostas
As outras duas siderúrgicas presentes no Ibovespa também chamaram a atenção. As ações da CSN (CSNA3) tiveram ganhos de 1,94%, terminando aos R$ 11,55 – depois de apresentar alta de 5,83% durante a manhã, quando eram cotados a R$ 11,99. Os papéis da siderúrgica de Steinbruch receberam recomendação positiva do BTG Pactual, enxergando bom potencial de alta para elas após a forte queda do ano. Destaque para o forte volume das ações CSNA3, que foi de R$ 117 milhões, praticamente o dobro da média diária.
Na parte de baixo do índice estiveram as ações da Gerdau (GGBR4), que recuaram 3,06% até R$ 18,98, depois que o mesmo BTG cortou a recomendação dada a elas. O motivo é justamente o contrário da CSN: os papéis já estão caros depois de acumularem valorização de mais de 30% no ano. As ações da Metalúrgica Gerdau (GOAU4) acompanharam os papéis de sua controladora, e tiveram queda de 3,60% – terminando aos R$ 23,84.
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Hering recua com corte de recomendação
As ações da Hering (HGTX3) sofreram, após a Itaú Corretora reduzir a classificação das ações de outperform (desempenho acima da média do mercado) para market-perform (desempenho em linha com a média do mercado), alegando que boa parte do potencial de crescimento da empresa já está precificado.
Nesta quinta-feira, os papéis da companhia tiveram queda de 5,03%, terminando a R$ 42,66 e tendo movimentado R$ 115 milhões no pregão, praticamente o dobro do volume médio diário dos últimos 21 pregões. Esta foi a segunda maior queda do Ibovespa nesta quinta, perdendo apenas para o recuo de 5,64% das ações da Gafisa (GFSA3). Contudo, vale mencionar que os ativos HGTX3 ainda somam ganhos de 33,62% em 2012.
De acordo com a analista de consumo e varejo da corretora, Juliana Rozenbaum, a revisão da recomendação não está ligada aos modelos de franquias da empresas, mas a seus valuations. Na visão dela, as lojas da empresa não estão dispostas a vender menos para poder se beneficiar por meio do programa Simples, no qual pequenas e médias empresas podem ter redução de tributos a pagar.
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O Itaú também cortou a projeção para as ações da Arezzo (ARZZ3), que tiveram queda de 4,90% nesta sessão – terminando aos R$ 32,80. Os papéis da varejista de calçados chegou a apresentar queda de 8,35%, quando eram cotadas a R$ 31,61 no intraday, mas apresentaram recuperação. O volume se manteve na média.