Vale e Cummins avançam em testes para caminhões de grande movidos a diesel e etanol

Anunciado em 2024 pela Vale, o programa "Dual Fuel" busca adaptar motores a diesel existentes nos caminhões fora de estrada da Komatsu

Felipe Moreira

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Logotipo da mina Brucutu, propriedade da mineradora brasileira Vale, em São Gonçalo do Rio Abaixo - 04/02/2019 (Foto:  REUTERS/Washington Alves)
Logotipo da mina Brucutu, propriedade da mineradora brasileira Vale, em São Gonçalo do Rio Abaixo - 04/02/2019 (Foto: REUTERS/Washington Alves)

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RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Vale (VALE3) informou que sua parceira de soluções de energia Cummins iniciou novos testes nos Estados Unidos para desenvolver um caminhão fora de estrada movido a etanol e diesel.

Anunciado em 2024 pela Vale, o programa “Dual Fuel” busca adaptar motores a diesel existentes nos caminhões fora de estrada da Komatsu, também parceira no projeto, para operar com uma mistura de etanol e diesel, reduzindo emissões de gases de efeito estufa.

A previsão é que os testes de bancada do motor QSK60 ocorram o próximo ano, na fábrica de motores da Cummins em Seymour, Indiana (EUA). Em 2026, devem ser iniciados testes de campo nas instalações da Komatsu, no Arizona (EUA).

Viva do lucro de grandes empresas

Com o projeto, as companhias planejam que caminhões da Komatsu que transportam de 230 a 290 toneladas de minério sejam os primeiros veículos desse porte a funcionar com etanol no tanque, com até 70% do biocombustível na mistura.

“Seguimos avançando em nossos projetos de descarbonização, reforçando o compromisso da Vale com o tema”, disse em nota o vice-presidente executivo de Operações da Vale, Carlos Medeiros.

“O etanol é um insumo prioritário para alcançar nossa meta de reduzir o uso de diesel em nossas operações, mantendo a confiabilidade e a excelência operacional.”

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A Vale explicou que a nova célula de testes da Cummins acomoda uma “ampla” gama de motores de alta potência — com tanques de combustível de 38 a 95 litros de capacidade — e “garantem uma transição perfeita de uma variedade de tipos de combustíveis alternativos para diversos cenários de teste”.

O projeto é uma das importantes apostas da Vale em curso para cumprir sua meta de reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa de escopo 1 e 2 em 33% até 2030. Isso porque o caminhão de transporte é um dos maiores consumidores de diesel e, portanto, um grande emissor de gases de efeito estufa dentre os equipamentos de mineração.

Segundo a Vale, a escolha do etanol como alternativa ao diesel se justifica pelo fato de já ser um combustível amplamente adotado no Brasil, com uma rede de abastecimento estabelecida.