Publicidade
SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira (13), com quedas de Vale, bancos e siderúrgicas pesando na sessão. A votação da Medida Provisória 664, que trata das pensões por morte e faz parte do ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fica no radar dos investidores, assim como rumores de estímulos na China depois de mais uma bateria de indicadores fracos na segunda maior economia do mundo. Lá fora as bolsas europeias fecharam em queda depois de dados fracos nos Estados Unidos.
Às 12h59 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira tinha baixa de 0,61%, a 56.444 pontos, enquanto o dólar comercial passava a subir 0,10%, a R$ 3,0216 na compra e a R$ 3,0226 na venda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2016 subia 0,01 ponto percentual, a 13,80%, enquanto o DI para janeiro de 2020 caía 0,07 ponto percentual, a 12,78%.
Fica no radar dos investidores também as declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em Londres. Ele afirmou nesta quarta esperar que a desaceleração econômica no Brasil seja “temporária” e que a disciplina fiscal continua sendo um pilar central da política econômica do país, conforme a alta dos preços das commodities enfraquece. Falando a investidores em Londres, Levy afirmou que a disciplina fiscal é necessária para proteger a economia contra os efeitos inflacionários da depreciação do real.
Vale cai com bancos e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3; VALE5) caíam, mesmo com a perspectiva de estímulos na China, maior mercado consumidor de mineradora. A Moody’s cortou a perspectiva das notas de crédito da companhia para negativa, mas manteve os ratings em escala global em moeda local “Baa2” e em escala nacional em “Aaa.br”. Segundo a agência, a alteração da perspectiva reflete que o perfil de crédito da empresa e operações permanecem sólidos, mas incorporam a deterioração nos fundamentos de mercado de minério de ferro e metais básicos.
Já os bancos ameaçavam trocar de sinal depois de seguir o movimento de ontem, quando fecharam em baixa após terem seus ratings cortados pela Moody’s. Entre as instituições que sofreram downgrade estão Bradesco (BBDC3; BBDC4) e Itaú (ITUB4). “No geral, as mudanças de rating não refletem nem uma melhora nem uma deterioração nos fundamentos de crédito dos emissores afetados”, disse a agência em relatório.
As ações ordinárias da Eletrobras (ELET3), Bradespar (BRAP4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) desabam nesta sessão, figurando entre as maiores perdas do Ibovespa. Os papéis são penalizados após divulgação ontem à noite de relatório doMSCI (Morgan Stanley Capital Internacional) com sua expectativa para o próximo rebalanceamento semianual do índice previsto para o próximo dia 29 de maio. Conforme documento esses papéis serão excluídos do lado do Brasil.
Continua depois da publicidade
Do lado de entradas, os papéis da Klabin (KLBN11), Pão de Açúcar (PCAR4), Suzano (SUZB5), Cetip (CTIP3), Oi (OIBR4) e Qualicorp (QUAL3) devem ganhar uma participação maior, mas não tão relevante.
Essas revisões costumam ter impacto direto no desempenho das ações, tendo em vista que os papéis que fazem parte desses índices ganham maior atratividade de fundos de investimentos internacionais – que movimentam grande quantia de capital.
Já os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) subiam. No radar da estatal, uma reportagem do jornal O Globo apontou que representantes da PwC, auditoria externa da Petrobras, advertiram na última reunião do conselho de administração, em 22 de abril, quando a estatal divulgou seu balanço após cinco meses de atraso, que ainda existem falhas no sistema de controle da empresa, mesmo com as providências adotadas após o escândalo da Operação Lava Jato para frear a corrupção na empresa.
Continua depois da publicidade
Ainda segundo o jornal, a estatal estaria se movimentando no mercado financeiro em busca de novas captações para garantir os investimentos em projetos prioritários para o ano que vem. A ideia seria captar novos recursos no mercado brasileiro de renda fixa, além de estar de olho no mercado asiático. Ontem, uma reportagem da Reuters apontou que a petrolífera estaria preparando emissão de R$ 3 bilhões em títulos no mercado doméstico. E, se houver lote suplementar, a oferta poderá alcançar R$ 4 bilhões. A precificação da emissão ocorreria na semana que vem.
Além disso, o BTG Pactual cortou o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da petroleira de US$ 11 para US$ 10.
As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
Continua depois da publicidade
|
As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
|
|
Europa fecha em queda
Os índices europeus fecharam em baixa depois de passarem a maior parte da sessão em alta. Contribuiu para o pessimismo no fim do pregão, os dados fracos na economia norte-americana. As vendas do varejo na maior economia do mundo ficaram estáveis em abril, contra expectativas de um crescimento de 0,2%.
O indicador de vendas e de estoques das indústrias e dos setores de atacado e varejo (Business Invesntories), também decepcionaram, ficando em um avanço de 0,1%, contra estimativas de 0,2% em março.
Voltando à Europa, dentre os dados de inflação, o CPI da Alemanha superou as expectativas e subiu 0,5% em abril, enquanto o da Espanha recuou 0,6%.
O crescimento econômico da zona do euro ficou ligeiramente mais fraco do que o esperado no primeiro trimestre devido a uma expansão mais lenta na Alemanha, mas ainda foi a taxa mais rápida de crescimento em quase dois anos, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira.
A agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat, informou que o Produto Interno Bruto (PIB) nos 19 países que compartilham o euro cresceu 0,4 por cento entre janeiro e março na comparação com os três meses anteriores, chegando a uma expansão de 1,0 por cento sobre o mesmo trimestre do ano anterior.
Do outro lado do mundo, a maioria dos índices acionários asiáticos fechou em alta nesta quarta-feira, apesar de uma nova rodada de indicadores econômicos decepcionantes da China, com investidores se concentrando, em vez disso, em esperanças de que Pequim adote novos estímulos para evitar uma desaceleração mais forte na segunda maior economia do mundo.
“Espere que as autoridades aumentem ou mantenham o ritmo de afrouxamento ao longo do ano para que a meta de (crescimento do) PIB de 7 por cento seja alcançada”, disse o economista Chester Liaw, da Forecast Pte.
(Com Reuters)