Vale é 2ª maior queda do Ibovespa e JBS sobe mais de 6%; veja destaques

Bolsa inverteu para o negativo quando as ações da mineradora perderam força, no início da tarde; Oi pode sofrer com revisão de concessões do governo

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SÃO PAULO – O Ibovespa perdeu forças na tarde desta sexta-feira (21), terminando o dia com queda de 0,60%, aos 61.320 pontos. As ações da Transmissão Paulista (TRPL4) lideraram os ganhos ao fecharem com alta de 7,71%, aos R$ 36,20, enquanto os papéis da preferencais da Oi (OIBR4) recuaram 3,45% para R$ 8,11, terminando o dia como a maior queda.

A bolsa inverteu para o negativo quando as ações da Vale (VALE3; VALE5) perderam força no início da tarde. Os papéis ordinários terminaram como a segunda maior queda do índice – desvalorização de 2,97% -, aos R$ 37,62, enquanto os preferenciais caíram 2,29%, terminando a R$ 36,70. Contudo, é importante mencionar que o volume financeiro movimentado pelas ações da mineradora ficou bem abaixo da média, o que tira um pouco a força desse movimento negativo.

JBS volta a disparar com possível compra da Independência
As ações da JBS (JBSS3) deram sequência aos ganhos da véspera e fecharam com ganhos de 6,38%, sendo negociadas a R$ 6,67. As altas dos ativos sucedem a notícia de que a maior processadora de carnes do mundo está perto de concluir a compra de ativos do frigorífico Independência. 

O evento é visto como positivo pela equipe de análise da Ativa Corretora, cujos analistas acreditam que caso os rumores sejam confirmados, a compra deverá ampliar a operação de bovinos da companhia no Brasil, segmento atualmente com maiores margens devido ao impacto da alta dos grãos sobre os custos dos segmento de aves e suínos.

“É possível que os credores descontentes consigam um deságio ligeiramente menor, mas, mesmo que sim, não deverá impactar a JBS”, destacam os analistas em relatório. Na véspera, uma fonte próxima à companhia disse à Reuters que a operação teve a aprovação dos detentores de títulos de dívida com vencimento em 2015 e dos bancos que fizeram operações de ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio) com o Independência. Agora, estaria em processo de assinatura de contrato.

Em abril, a JBS havia feito uma proposta de compra dos ativos do Independência, frigorífico em recuperação judicial, por R$ 268 milhões, condicionando a operação à aprovação dos credores. A oferta foi aprovada por mais de 85% dos credores judiciais incluídos no plano de recuperação do Independência durante assembléia realizada em maio, a segunda para avaliar a questão. A incorporação dos ativos poderá agregar R$ 1,75 bilhão ao faturamento operacional do JBS, segundo a fonte. Em 2011, a JBS faturou quase R$ 62 bilhões. Procurado, a JBS não comentou o assunto.

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Transmissão Paulista sobe e se descola do setor
Depois da forte queda de cerca de 30% na semana passada, os papéis da Transmissão Paulista mostraram recuperação de 12,67% nesta semana. Analistas apontam o fato de as ações terem sido as mais afetadas após o governo ter estabelecido novas regras para a renovação das concessões de energia como uma das causas prováveis que levam os papéis a se descolarem das demais so mesmo setor.

Contudo, o analista da SLW Corretora, Pedro Galdi, reforça mais um fator que pode estar influenciando no desempenho dos papeis da Transmissão Paulista nos últimos dias. Para ele, influenciam nos ativos TRPL4 os rumores de que a companhia deixará as concessões expirarem em 2015, em vez de renovar já em 2013, o que contribuiria para capturar os fluxos de caixa relacionados com as concessões que expiram entre 2013 e 2015.

De acordo com relatório divulgado pelo Goldman Sachs no início da semana, ao deixar expirar as concessões em 2015, as empresas aumentariam o seu valor entre 26% e 32%. “O mercado vem sinalizando que a Transmissão Paulista deixará para renovar as concessões em 2015, e é isso que contribui, junto ao fato de ela ter sido uma das mais prejudicada após o anúncio das regras para a renovação das concessões de energia, para a expressiva alta dos ativos nesta sessão”, explica Galdi.

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Oi: próxima vítima do governo?
Se o governo foi o principal fator que prejudicou as ações da Transmissão Paulista, é válido lembrar que ele também regula outros setores – e estes também podem passar por maus bocados, conforme o governo sinaliza uma possível intervenção. Antecipando isso está a queda das ações da Oi, de acordo com Thomas Chang, da equipe de análise da UM Investimentos. “O setor de telecomunicações é tão regulado quanto energia”, afirma o analista.

Na visão de Chang, uma notícia veiculada nesta sessão no jornal Valor Econômico serviu para criar preocupações aos investidores. De acordo com a reportagem, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) avalia que o valor contábil das concessões do setor de telecomunicações é de R$ 17,3 bilhões – abaixo do que o mercado estimava. “O governo teria que pagar uma indenização se os ativos não estivessem completamente depreciados, mas parece que este não é o caso”, diz o analista.

Para ele, notícias como essa mostram que o governo tem se mobilizado para interferir no setor, revendo as concessões do setor. “Mas as concessões são só para telefonia fixa, onde só a Oi e a Telefônica Brasil (VIVT4) possuem exposição relevante”, afirma Chang. Por isso, ele destaca a possibilidade de ter se realizado um fluxo de investidores destas duas companhias para a TIM (TIMP3), que não possui ativos de telefonia fixa, o que justifica a alta de 1,36%, aos R$ 8,20.