Vale dispara 5% com China e alta de minério, Usiminas cai forte e Rumo despenca 9%

Entre os destaques ainda estiveram as ações da Petrobras, que fecharam com fortes ganhos, e das elétricas, que sofreram nesta terça em, meio à mudanças nas recomendações das companhias

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SÃO PAULO – Passados três dias de fortes altas para a Bolsa, a terça-feira (7) foi de marasmo no mercado, com o Ibovespa fechando praticamente estável, a 53.729 pontos. Entre os destaques da sessão estiveram os papéis da Vale, que fecharam como os principais ganhos da terça em meio à alta geral das commodities. Além da mineradora, ainda vale mencionar os papéis da Usiminas, que após a eleição dos membros do seu conselho de administração fecharam entre as perdas do dia. Ainda chamaram atenção os ativos da Rumo, que após fortes variações após terem sido criados, fechou com desvalorização na sessão.

Veja abaixo os destaques da Bolsa nesta terça-feira:

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 19,00, +4,80%; VALE5, R$ 16,06, +3,28%) se recuperaram de sequência de quedas do minério que prejudicou a mineradora e fecharam no positivo nesta terça. A alta geral das commodities metálicas trouxe fôlego aos papéis da companhia, que subiram junto com siderúrgicas como a CSN (CSNA3, R$ 5,70, -1,55%) que, contudo, zerou os ganhos nesta tarde. A Vale também registrou ganhos na expectativa de que o BC chinês aumente a liquidez monetária e ajude a economia a desacelerar menos.

Petrobras (PETR3, R$ 10,83, +2,36%; PETR4, R$ 10,89, +1,87%) 
A Petrobras fechou com leves ganhos na tarde desta terça. O noticiário da estatal tem tanto notícias positivas quanto negativas para a empresa. O JPMorgan iniciou a cobertura para as ações da empresa com recomendação neutra e destacou que há um “call binário” para ela, assim como a mudança no case de investimento. A empresa terá agora que buscar reduzir a sua alavancagem. 

Além disso, a Petrobras estima uma perda de pelo menos R$ 44,8 bilhões com o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) em valores deste ano, de acordo com o jornal O Globo. Entram no cálculo, entre outros fatores, investimentos feitos que não podem ser recuperados e gastos com a manutenção durante a paralisação da obra.

Por outro lado, a alta dos preços do petróleo e a perspectiva de novos empréstimos com fornecedores da Petrobras animam. Instituições chinesas estão negociando empréstimos adicionais com fornecedores da Petrobras que poderiam chegar ao mesmo volume de US$ 3,5 bilhões obtido pela companhia na semana passada, segundo a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China.

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Usiminas (USIM5, R$ 4,80, -4,95%)
As ações da Usiminas tiveram mais um dia de queda na Bovespa, após a eleição dos conselheiros da companhia, em meio a uma disputa societária na companhia. As ações ordinárias e preferenciais chegaram a cair 5%.

O advogado Marcelo Gasparino foi eleito presidente do Conselho de Administração da siderúrgica. Gasparino vai substituir o atual presidente do Conselho Paulo Penido, alinhado à Nippon Steel e que seguirá sendo conselheiro da Usiminas.

Foram eleitos ainda como novos membros do Conselho o empresário Lírio Parisotto, como membro efetivo, Yoichi Furuta, Gileno Antônio de Oliveira, Oscar Montero Martinez, Pablo Daniel Brizzio, Mario Giuseppe Galli e Mauro Gentile da Cunha, como membros suplentes.

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Rumo (RUMO3, R$ 1,58, -9,20%)
As ações da Rumo tiveram mais um dia de fortes variações na Bovespa. Desde que estreou na Bolsa, na semana passada, os papéis da companhia têm tido fortes variações. A alta no papel da Rumo Logística – após a fusão com a ALL – chamou a atenção dos operadores na semana passada e levou a uma forte alta de 26% em apenas uma sessão, depois que a companhia anunciou mudanças em sua diretoria e na da Cosan Logística, vistas como positivas por investidores. Entre as alterações, Julio Fontana Neto, atual diretor superintendente da Cosan Logística, assumirá o cargo de diretor presidente no lugar de Alexandre de Jesus Santoro. Ele também ficará na presidência da Cosan Logística.

A reformulação da diretoria já havia sido sinalizada no início de março e traz uma perspectiva melhor para a gestão da Rumo Logística, porque Fontana Neto vem do grupo Cosan, cuja gestão é vista como mais “redonda” pelo mercado, explicou um analista.

BM&FBovespa (BVMF3, R$ 11,65, -2,27%)
As ações da BM&FBovespa são mais uma vez destaque na Bolsa e voltaram a ter volatilidade nesta terça-feira. Como já havia sido indicado no final de março, a briga da BM&FBovespa com a Receita Federal ganhou mais um capítulo na última quinta-feira (2) e promete se estender por um longo período. Há cerca de duas semanas o Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) negou um recurso da companhia sobre a amortização, para fins fiscais, nos exercícios de 2008 e 2009, do ágio gerado na incorporação da Bovespa pela BM&FBovespa em 2008. Na semana passada, mais uma multa foi estabelecida, desta vez para os exercícios de 2010 e 2011.

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Esta nova infração envolve R$ 1,45 bilhão a título de Imposto de Renda e R$ 523,79 milhões de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Os valores já incluem multa de 75% e juros de mora. Sobre as multas anteriores, os valores são estimados em aproximadamente R$ 840 milhões. Mas este é apenas o começo de um caso que pode elevar as infrações para algo próximo de R$ 6 bilhões, o que representaria 30% do valor de mercado da BM&FBovespa, segundo o Credit Suisse.

CVC (CVCB3, R$ 14,72, -0,88%)
Após a divulgação dos dados operacionais, que foram considerados positivos pelo mercado, os papéis da CVC registram queda nesta terça-feira. Vale ressaltar contudo, que as ações da companhia fecharam em sua quarta sessão de alta seguida, com ganhos acumulados de 9,5%. 

No primeiro trimestre de 2015, as reservas confirmadas cresceram 11,3% em relação ao mesmo período de 2014, totalizando R$ 1.268,7 milhões. O crescimento foi registrado também individualmente por cada um dos três diferentes canais de vendas da operadora: vendas pelas lojas franqueadas (lojas exclusivas), pelos agentes independentes e pelo canal online. 

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Elétricas
No cenário para as companhias de energia hoje, destaque para as mudanças nas recomendações, que mexeram com as ações das elétricas na Bolsa. Contudo, o dia também é de volatilidade para as companhias do setor.

Em relatório, o Santander elevou a recomendação para as ações da AES Tietê (GETI4, R$ 18,16, -1,30%) de manutenção para compra, enquanto os papéis da Energias do Brasil (ENBR3, R$ 10,77, -3,41%) foram rebaixados para manutenção. Já Equatorial (EQTL3, R$ 31,37, -1,78%) e Tractebel (TBLE3, R$ 35,97, -1,86%) foram rebaixadas para underperform.

“Estamos mais otimistas com a AES Tietê, apesar de nossa previsão de pressão negativa no curto prazo, pois acreditamos que a tendência dos preços do setor de energia elétrica sustenta potencial risco ascendente no médio e longo prazos”, afirma a analista do Santander, Maria Carolina Carneiro.

Já a Cesp (CESP6, R$ 25,00, +1,21%) e Copel (CPLE6, R$ 35,35, -3,81%) tiveram as recomendações cortadas pelo BTG Pactual, mas registram movimentos opostos na Bolsa. A Copel foi alterada de compra para neutra, segundo relatório do analista Antonio Junqueira, com preço-alvo de R$ 38 por ação. Já a Cesp foi alterada de neutra para venda pelo mesmo analista, com o preço-alvo em 12 meses é de R$ 23 por ação.

OGX Petróleo e Gás (OGSA3, R$ 12,03, +642,59%)
Um papel muito pouco movimentado chamou atenção no pregão de hoje em meio à disparada. A OGX Petróleo e Gás é subsidiária da Óleo e Gás Participações (OGXP3), antiga OGX, empresa fundada por Eike Batista que entrou com pedido de recuperação judicial em 2013. É importante destacar que apenas 14 negócios foram feitos hoje, movimentando R$ 16,17 mil. Analistas não souberam justificar o movimento, e lembraram que, atualmente, é difícil encontrar alguma corretora que ainda acompanha estes papéis.

Desde que passou a ser negociada, em 29 de dezembro, a ação OGSA3 praticamente não foi negociada. No dia 31 de março foram registrados 9 negócios com o ativo, que despencou 96% e caiu dos R$ 160 de sua estreia para R$ 1,62. Desde então, apenas as negociações registradas hoje ocorreram com as ações.

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Lara Rizério
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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.