Vale dispara 4% e faz Ibovespa zerar as fortes perdas do dia

Combinação de fatores afeta a economia brasileira, com elevação surpreendente de juros na Turquia e expectativa por reunião do Federal Reserve

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SÃO PAULO – As ações da Vale (VALE3;VALE5) salvam o Ibovespa de uma queda mais elevada nesta quarta-feira (29), após o sucesso na captação de R$ 750 milhões em títulos de até quinze anos, sem imposto – em um dia em que apenas as exportadoras se salvam no índice. O índice, que caia 0,80% uma hora antes, apresenta perdas de 0,08% por volta das 14h25 (horário de Brasília), aos 47.802 pontos. 

A mineradora vê suas ações ordinárias subirem 4,57%, para R$ 33,20, enquanto as preferenciais tem alta de 3,50%, aos R$ 29,89. A Bradespar (BRAP4), uma holding do Bradesco formada para administrar suas ações na Vale, é a terceira colocada no índice, com alta de 3,34%, aos R$ 22,30.

Em meio a um cenário cada vez mais complicado para a economia brasileira e com a “guerra de juros” declarada, o Ibovespa repercute a decisão do Banco Central da Turquia de elevar fortemente a taxa de juros – o que deve diminuir a atratividade do investidor no País – e em um movimento de cautela à espera da decisão de política monetária do Fomc (Federal Open Market Commitee). 

O mercado volta os olhos nesta sessão para surpreendente decisão do Banco Central da Turquia de elevação dos juros de 7,75% para 12%, curvando-se à pressão do mercado para conter a queda da moeda nacional, a lira, e ignorando a oposição do primeiro-ministro do país, Tayyip Erdogan. 

Destaque ainda para a reunião de política monetária do Federal Reserve, a última sob o comando de Ben Bernanke, com a estimativa de redução de estímulos mensais à economia norte-americana em US$ 10 bilhões, para US$ 65 bilhões. Nos EUA, destaque ainda para o discurso “Estado da União” do presidente Barack Obama feito na véspera, que destacou a maior velocidade da economia e a queda da taxa de desemprego e prometeu ser mais agressivo na utilização de seus poderes executivos. E o dia é de baixa para as bolsas norte-americanas, guiado também pela decepção com os resultados corporativos de grandes companhias, como o Yahoo. 

Cielo e construtoras chamam atenção do mercado
No cenário corporativo nacional, o grande destaque fica para as ações da Cielo (CIEL3, R$ 62,24, -1,38%), que abriu a temporada de resultados do quarto trimestre com números elogiados pelos analistas, mas não o suficiente para evitar perdas neste dia de maior aversão ao risco do mercado. A maior empresa de meios eletrônicos de pagamentos do país reportou lucro líquido de líquido de R$ 720,7 milhões entre outubro e dezembro, alta de 16,2% ante igual etapa de 2012. Em destaque, está ainda o Itaú Unibanco (ITUB4), que confirmou a compra do banco chileno Corpbanca e registra perdas de 1,80%, a R$ 29,52.

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Entre as ações que conseguem “se salvar”, estão as ações que se beneficiam em meio ao cenário de alta do dólar, caso de Usiminas (USIM5, R$ 12,20, -0,25%) e Gerdau (GGBR4, R$ 16,78, +0,54), que oscilam entre leves perdas e ganhos, enquanto Suzano (SUZB5, R$ 9,43, +2,28%) lidera as altas.

E as quatro maiores do benchmark da bolsa eram de ações de construtoras, como Gafisa (GFSA3), Rossi (RSID3) e PDG Realty (PDGR3), com queda de 4,23%, 4,10%, 3,79% e 3,37%, guiado pela perspectiva de que o Banco Cental brasileiro possa prolongar o ciclo de ajustes em meio à forte elevação da taxa básica de juros pela Turquia. 

Em um cenário de maiores juros, o setor é um mais afetados negativamente, já que com taxas maiores, as condições de empréstimos para o consumidor ficam piores, o que pode afetar diretamente as vendas dessas empresas.