Destaques da Bolsa

Vale dispara 10% e anuncia acordo de US$ 2 bi; Petrobras salta mais de 4% e bancos sobem

Confira os principais destaques da Bovespa na sessão desta sexta-feira

SÃO PAULO – A euforia do mercado arrasta o Ibovespa para sua terceira alta seguida nesta sexta-feira (24). O índice entrou hoje em “bull market” (definição que configura alta de mais de 20% em relação a seu último fundo do ano aos 46.907 pontos) ao fechar com alta de 1,63%, a 56.594 pontos. O índice vem sendo puxado nos últimos dias principalmente pelas ações da Petrobras e Vale, além dos bancos, apesar de alta mais amena. Confira abaixo os principais destaques da sessão desta sexta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 14,70, +4,55%; PETR4, 13,26, +2,63%)
As ações da Petrobras seguiram os ganhos da divulgação de resultados de 2014 e fecharam em forte alta. Nesta sessão, os olhos se voltaram para as falas do presidente da estatal, Aldemir Bendine, que chegam a indicar até mesmo a abertura de capital de subsidiárias da companhia. Em entrevista ao Estadão, Bendine admitiu que a derrubada dos preços internacionais do petróleo tiveram forte impacto na viabilidade dos negócios da empresa e que foi um critério importante nos “testes de impairment” que levaram para baixo a avaliação de ativos. Já ao Valor, Bendine destacou que a Petrobras irá adotar parcerias como a que implementou no Banco do Brasil (BBAS3) e que resultou na criação da BB Seguridade (BBSE3). “Aqui poderemos ver a abertura de capital da BR Distribuidora? Faz todo o sentido”, avalia a XP. Ainda segundo Bendine, a Petrobras terá que carregar um endividamento acima do razoável pelos próximos anos, e a adoção do modelo de parcerias para diminuição da alavancagem. 

Nesta tarde, a agência de classificação de risco Fitch manteve a nota de crédito da Petrobras em “BBB-“, mas decidiu removar a estatal da sua revisão para possível rebaixamento depois da publicação do balanço auditado de 2014. A perspectiva sobre o rating permanece negativa. 

Vale (VALE3, R$ 23,20, +10%; VALE5, R$ 18,71, +6,67%) e siderúrgicas
As ações da Vale voltaram a disparar nesta sexta-feira, acumulando em três pregões alta de 30% no caso das ordinárias e 24% para as preferenciais. Com esse desempenho, a ação ruma para a melhor semana em 16 anos. O papel ganhou força com a arrancada do preço do minério de ferro na China, principal produto da exportadora. Hoje, a commodity subiu mais de 5% e 13,2% em três dias. O movimento ocorre após a BHP ter anunciado que vai começar a adiar projetos de expansão na produção de minério de ferro. Acompanharam o movimento da Vale as ações da 
Bradespar (BRAP4, R$ 12,65, +5,24%), que tem participação na mineradora.

Nesta tarde, a empresa anunciou acordo de cooperação com Eximbank da Coreia. Pelo acordo, o Eximbank demonstra a intenção de considerar o fornecimento de até US$ 2 bilhões em apoio financeiro para projetos da Vale. 

O otimismo foi acompanhado pelas ações das siderúrgicas: CSN (CSNA3, R$ 7,23, +2,55%) e Gerdau (GGBR4, R$ 10,55, +3,13%); já Usiminas (USIM5, R$ 5,98, -0,33%) fechou com leve queda. No caso da CSN, a alta das ações é mais amena após dois pregões de fortes ganhos, quando subiram mais do que as demais na Bolsa.

Bancos
O dia, mais uma vez, foi de otimismo para os bancos, que seguiram a euforia do mercado. As ações do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 39,13, +3,25%) subiram mais de 3% e atingiram o maior patamar desde novembro, enquanto Bradesco (BBDC4, R$ 32,44, +2,40%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 27,19, +3,42%) também registraram fortes ganhos. 

Fibria (FIBR3, R$ 43,27, -1,44%)
As ações tiveram queda após divulgação do resultado do primeiro trimestre. A empresa mostrou receita líquida de R$ 1,997 bilhão, alta de 2,1% na comparação anual, mas reverteu o lucro líquido de R$ 19 milhões no primeiro trimestre de 2014 para prejuízo líquido de R$ 566 milhões. Apesar do desempenho dos papéis hoje, a XP Investimentos e Credit Suisse apontaram que o resultado veio acima das expectativas. A XP comentou que a boa performance do mercado global de celulose e desvalorização do real suportaram os bons números da empresa no trimestre. As vendas de celulose aumentaram 3,5% na comparação anual, volumes puxados por Europa e Ásia, destinos das vendas da companhia.  

Localiza (RENT3, R$ 36,88, -2,95%)
A Localiza caiu após a divulgação de resultados. A companhia registrou lucro líquido de R$ 100,3 milhões no primeiro trimestre de 2015, queda de 5,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida atingiu R$ 1,007 bilhão, crescimento de 0,8% utilizando a mesma base de comparação. Segundo o Credit Suisse, os números vieram abaixo das expectativas. Para os analistas, a companhia surpreendeu negativamente ao mostrar maior desaceleração na receita líquida do segmento de veículos alugados e, consequente, contração na margem. Parte, no entanto, foi compensada pelo segmento de venda de veículos usados, que trouxe margens acima do esperado e níveis médios de depreciação de carros mais baixos do que o projetado. Em teleconferência, a companhia disse, no entanto, que vê o mercado de carros seminovos mais lento em abril.

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Kroton (KROT3, R$ 11,76, +5,47%)
As ações das companhias de educação, com destaque para a Kroton, registraram ganhos nesta sessão. Hoje, em entrevista ao Bom dia Brasil, o ministro da Educação Renato Janine Ribeiro garantiu que todos os empréstimos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) serão renovados e pediu desculpas pelas falhas no sistema. O Ministério da Educação (MEC) decidiu ampliar o prazo para a renovação do crédito estudantil para 29 de maio. As ações da Anima (ANIM3) também fecharam com ganhos superiores a 2%, enquanto a Estácio (ESTC3, R$ 19, -0,26%).

Rumo (RUMO3, R$ 1,51, +1,34%)
Depois de desabar 9,7% na véspera, as ações da Rumo – nova empresa formada a partir da fusão da ALL e antiga Rumo – têm alta nesta sexta-feira. Em relatório divulgado hoje, o Credit Suisse aponta que o conservado guidance da empresa anunciado ontem é um “passo na direção correta”. A empresa projeta que seu Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atinja entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2 bilhões em 2015, crescendo posteriormente para entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,5 bilhões em 2019. O capex (investimentos em bens de capital) total deve ficar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,7 bilhão em 2019.  

Grendene (GRND3, R$ 18,09, +4,69%)
As ações da Grendene fecharam com ganhos de quase 5% em meio à divulgação dos dados do primeiro trimestre. A companhia encerrou o período com lucro líquido de R$ 136,9 milhões, crescimento de 41,8% na comparação com o mesmo período de 2014 – um resultado impulsionado pela melhora no desempenho de calçados no mercado interno, com elevação nas vendas de itens com maior valor agregado. Segundo a Concórdia Corretora, a empresa apresentou um ótimo resultado, vindo acima das estimativas. Os analistas citam o crescimento da receita líquida (+7,8% na comparação anual), que refletiu aumento de 11% no volume vendido no mercado doméstico, o impacto da variação cambial sobre as exportações e o aumento dos preços internacionais.   

Log-In (LOGN3, R$ 3,38, -0,29%
A Log-In divulgou ontem a sua prévia operacional do primeiro trimestre deste ano e, após ver seus papéis subirem durante a manhã, fechou estável. A navegação costeira obteve recorde de volume transportado no período, movimentando 75,5 mil TEUS (unidade de medida que representa a capacidade de carga de um container), crescimento de 35,7% na comparação com o primeiro trimestre de 2014. 

Helbor (HBOR3, R$ 3,88, -1,52%)
A Helbor reportou ontem sua prévia operacional. A incorporadora informou que seus lançamentos atingiram R$ 57,2 milhões no primeiro trimestre em VGV (Valor Geral de Vendas) total, 76,9% inferior ao lançado no mesmo período de 2014. A VSO (Vendas sobre Oferta) atingiu 6,8% no trimestre, considerando a parte Helbor.