Destaques da Bolsa

Vale dispara 10%, CSN salta 7% e small cap “apaga” alta misteriosa de 25%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quarta-feira

Por  Paula Barra

SÃO PAULO – Depois de três pregões seguidos de baixa, o Ibovespa registrou alta nesta quarta-feira (22) pós-feriado puxado principalmente pelas ações da Vale, que disparavam cerca de 10% entre alta do preço do minério de ferro e relatório de produção. Os papéis dos bancos também contribuíram para o dia positivo do índice, enquanto as ações da Petrobras tiveram um dia de forte volatilidade: após abrirem em alta, viraram para queda e, no início da tarde, passaram a registrar ganhos. A estatal divulga seu balanço de 2014 nesta noite. Com dia positivo na Bolsa, 5 ações subiram para mais de 5% no Ibovespa (Para ver o desempenho dos papéis, clique aqui). Abaixo confira os principais destaques da Bolsa nesta sessão:  

Petrobras (PETR3, R$ 13,31, +0,53%; PETR4, R$ 13,12, +0,23%)
As ações da Petrobras tiveram uma sessão volátil nesta quarta-feira, em dia em que a companhia divulga seus resultados de 2014. A empresa anunciou para esta quarta, a partir das 18h (horário de Brasília), entrevista com a imprensa para comentar sobre os números do terceiro e quarto trimestre do ano passado. A conferência com analistas está marcada para amanhã às 11h. Em relatório, a agência de classificação de risco Moody’s disse que o balanço da companhia é positivo para o crédito do País. Os dados da empresa serão avaliados em reunião do conselho de administração e devem mostrar o total de perdas contábeis gerado pelas denúncias da Operação Lava Jato. Sem o resultado, cerca de US$ 10 bilhões da dívida da Petrobras, equivalente a aproximadamente 5% do PIB (Produto Interno Bruto) poderiam ficar sujeitos à aceleração do pagamento. 

Bancos
As ações dos bancos também sobem forte hoje em meio ao bom humor do mercado: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 36,90, +2,79%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 25,42, +4,05%), Bradesco (BBDC3, R$ 30,85, +2,36%; BBDC4, R$ 31,00, +1,34%) e Santander (SANB11, R$ 15,11, +3,21%). No radar, o Bradesco teve sua recomendação rebaixada pelo Goldman Sachs para venda. O banco também cortou BTG Pactual (BBTG11, R$ 29,25, -0,85%) para neutra enquanto elevou Banrisul (BRSR6, R$ 11,36, -0,96%) para a mesma recomendação. 

Vale (VALE3, R$ 19,45, +9,70%; VALE5, R$ 16,46, +9,81%)
As ações da Vale dispararam entre relatório de produção do primeiro trimestre revelado nesta manhã e alta de 4% no preço do minério de ferro na China. Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 11,40, +8,06%), holding que detém participação na mineradora. As opções da exportadora chegaram a disparar 250% com o movimento (Para ver mais, clique aqui). A companhia viu a produção de minério de ferro subir 4,9% no período para 74,5 milhões de toneladas na comparação anual. O analista Ricardo Kim, da XP Investimentos, ressaltou que a produção de minério de ferro foi forte no período, com destaque para o complexo de Carajás, no Pará, que cresceu 17,8% na comparação do trimestre de 2015 e 2014, o que puxou a produção da commodity total no período.

Apesar do bom resultado, a corretora continua não recomendando exposição no ativo. “A Vale está aumentando sua produção, o que em condições de preços elevadas seria bom, mas devemos continuar vendo os preços do minério em patamares muito baixos porque vemos aumento de capacidade não apenas da Vale, mas um aumento de capacidade global enquanto seu grande consumidor, a China, está desacelerando”, disse Kim

Siderúrgicas
Juntamente com a alta da Vale, as ações das siderúrgicas subiram forte hoje em meio à disparada do preço do minério de ferro na China. Nos destaques da Bolsa, as ações da CSN (CSNA3, R$ 6,57, +7,00%), Gerdau (GGBR4, R$ 9,75, +3,39%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 10,31, +3,62%) e Usiminas (USIM5, R$ 5,62, +3,88%) – esta última com uma alta mais amena. 

Na segunda-feira, a Fitch rebaixou o rating da Usiminas de BB+ para BB, com perspectiva estável. Segundo a agência, o corte da nota reflete a expectativa de que a demanda por aço continue fraca no Brasil, e também de que o lucro da empresa na exportação de aço seja limitada. Além disso, o conselho de administração da Usiminas deve se reunir hoje para aprovar o balanço do primeiro trimestre de 2015, em meio à disputa societária na siderúrgica mineira. Na apresentação dos números do quarto trimestre de 2014, o desentendimento entre os acionistas controladores Nippon e Ternium acabou adiando a divulgação dos números por alguns dias.

Randon (RAPT4, R$ 3,70, +4,23%)
A empresa informou hoje que sua receita consolidada no mês de março atingiu R$ 295 milhões, 20,1% menor do que a registrada no mesmo mês de 2014. No acumulado do ano, a receita líquida consolidada totalizou R$ 696,8 milhões, ou 27,9% inferior a do mesmo período de 2014.  

Embraer (EMBR3, R$ 23,00, -1,67%)
Com fortes baixas nos últimos dias, as ações da Embraer que operavam em leve alta viraram para o negativo nesta tarde. Segundo analistas da XP Investimentos, os papéis da companhia já caíram muito (queda de 7% em 14 pregões) e mesmo com alguns riscos começam a ficar em um patamar de preços interessante. “Como estamos mais pessimistas com a Bolsa esta semana, achamos por outro lado que o dólar pode dar uma esticada e colocamos a ação em carteira”, disse Ricardo Kim, da corretora. Para ele, a ação parece entregar um bom risco/retorno e, que apesar do risco, nesse patamar faz sentido ficar exposto ao dólar. Entre os riscos, ele citou as notícias dos últimos meses de que o governo estaria atrasando pagamentos à empresa. 

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Elétricas
As ações do setor elétrico sobem hoje, em especial os papéis da Eletrobras (ELET3, R$ 6,59, +5,95%; ELET6, R$ 8,21, +6,49%), que registraram alta superior a 6%. Nos destaques também as ações da Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 41,25, +2,54%), Energias do Brasil (ENBR3, R$ 11,38, +3,93%e CPFL Energia (CPFE3, R$ 20,60, +2,03%) que sobem mais de 2%. Segundo o analista-chefe Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, as perspectivas de chuvas estão melhores o que contribui para o desempenho desses papéis. “Alguns agentes já consideram a possibilidade de El Niño, fenômeno que pode ocorrer entre julho e setembro, e tende a aumentar as chuvas nos no sul do Brasil, deixando o risco de racionamento cada vez mais afastado”, disse. 

BM&FBovespa (BVMF3, R$ 12,18, +0,66%)
O Citi cortou a recomendação das ações da BM&FBovespa para neutra após recente rali dos papéis. De dezembro até agora as ações da companhia subiram 24%. O banco de investimentos, por outro lado, elevou o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 12,80.  

BRF (BRFS3, R$ 61,70, -0,13%)
O Citi cortou hoje o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da BRF de US$ 26 para US$ 22,50. A recomendação foi mantida em manutenção. 

Time For Fun (SHOW3, R$ 2,74, -3,86%)
As ações da Time For Fun caíram hoje após disparada do último pregão, na segunda-feira por conta do feriado na véspera, em meio a um block trade (venda de uma grande parte de participação acionária, desta vez por um acionista não-controlador). Na última sexta-feira, foi realizada uma operação com 3,71% do capital total, representando 2,593 milhões de ações ordinárias ao preço de R$ 2,20 por ação. Com uma demanda pelo ativo acima da oferta, as ações da companhia subiram na última sexta-feira e o papel fechou o dia a R$ 2,44. E, na segunda-feira, aparentemente sem motivo, os papéis seguiram com fortes ganhos. No intraday, os ativos chegaram a subir 27%.

Weg (WEGE3, R$ 15,67, -0,38%)
A Weg anunciou a compra dos negócios de transformadores na África do Sul pertencentes a TSS Transformers. Essa é a segunda aquisição no mercado de transformadores realizada pela Weg no país. A transação ainda está sujeita ao cumprimento de determinadas condições e à obtenção da aprovação por parte das autoridades sul-africanas. 

Nova OGX (OGSA3, R$ 23,48, +30,37%)
As ações da Nova OGX, subsidiária da Óleo e Gás Participações (OGXP3, R$ 0,07, 0,0%), antiga OGX, voltam a subir forte hoje. No mês, as ações disparam 1.288%. Até o final de março os papéis eram cotados a R$ 1,62. A arrancada teve início em abril, mas sem nenhum motivo aparente, como apurado pelo InfoMoney naquela ocasião. 

CR2 (CRDE3, R$ 3,10, -9,62%)
As ações da CR2 Empreendimentos Imobiliários caíram forte nesta sessão e devolveram praticamente todo o ganho do último pregão, quando subiram 25,64%. Na segunda-feira, essas ações abriram a R$ 2,80 e fecharam o pregão de hoje a R$ 3,10 depois de terem batido na mínima do dia cotação de R$ 2,87. No menor patamar deste pregão, as ações chegaram a cair 16,33%. Operadores procurados pelo InfoMoney não identificaram nenhuma justificativa para esse movimento, lembrando que é difícil analisar o papel devido a sua baixíssima liquidez. Na segunda-feira as ações tiveram 17 negócios, enquanto hoje registravam apenas 11. Na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o último comunicado da empresa ao mercado é de 17 abril sobre uma redução do capital social. O montante a ser restituído aos acionistas mediante à operação é no valor de R$ 48,4 milhões pagos em 4 parcelas iguais, sendo a primeira de R$ 0,25 por ação a ser paga em 4 de maio e as demais a cada 90 dias.  

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