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SÃO PAULO – O Ibovespa opera em baixa nesta quarta-feira (29), indicando segunda sessão de perdas em três. No radar estão uma bateria de indicadores macroeconômicos tanto que já saíram como que ainda serão divulgados. À noite, haverá decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que deve elevar a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, a 13,25% ao ano, segundo expectativas do mercado. Lá fora, as bolsas norte-americanas e europeias caem à espera da reunião do Fomc (Federal Open Market Comittee).
Às 12h23 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 0,84%, a 55.341 pontos, ao mesmo tempo em que o dólar comercial apresentava volatilidade e voltava a zerar perdas. A moeda norte-americana opera cotada a R$ 2,9408 na compra e a R$ 2,9414 na venda.
O analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, diz que hoje é mais um dia em que o noticiário corporativo pesa mais do que o cenário macroeconômico na Bolsa apesar da agenda recheada. Ele lembra que a Vale está entre as prinicipais quedas, juntamente com as siderúrgicas, que estão mais expostas ao mercado externo, que tem um dia não muito positivo.
Apesar das preocupações que existem com o Fomc, o analista técnico da Guide Investimentos, Lauro Vilares, lembra que um aumento de juros em junho está praticamente descartado e que o mercado já projeta alta apenas para dezembro. Na sua avaliação, os investidores na Europa e nos EUA aproveitam a sessão desta quarta para realizar lucros depois de vários dias em que as bolsas internacionais operaram perto das máximas históricas.
Agenda forte
Dentre os indicadores já divulgados, o resultado primário do governo central (formado por Banco Central, Previdência e Tesouro Nacional) foi um superávit de R$ 1,5 bilhões, abaixo das expectativas medianas da pesquisa Bloomberg, que eram de R$ 3,2 bilhões. Em fevereiro, o governo central registrou déficit primário de R$ 7,4 bilhões. A receita total sem transferências a estados e municípios subiu para R$ 82,6 bilhões em março ante R$ 70,1 bilhões em fevereiro.
Além disso, no primeiro trimestre de 2015, a alta do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos foi de 0,2%, na comparação anual segundo a primeira prévia divulgada nesta quarta-feira (29). O crescimento foi, portanto, abaixo dos 2,2% registrados no trimestre anterior. A expectativa do mercado era de que o avanço fosse de 1,00%.
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O PIB mede a soma de todos os bens e serviços produzidos na economia em determinado período. Ele é formado por cinco componentes: consumo, investimento, gastos governamentais, nível de estoque e saldo de comércio exterior. O consumo representa quase dois terços do PIB norte-americano, e é um dos componentes menos voláteis.
Poucas ações em alta
Entre os destaques, as ações do Bradesco (BBDC3; BBDC4) caíam mesmo depois que do lucro forte. O segundo maior banco privado do País informou nesta quarta-feira que teve lucro líquido de R$ 4,244 bilhões no primeiro trimestre, alta de 23,3% ante igual etapa de 2014. Excluindo efeitos extraordinários, o lucro da instituição foi de R$ 4,274 bilhões no período, aumento de 23,1% sobre um ano antes e praticamente em linha com a previsão média de cinco analistas consultados pela Reuters, de lucro recorrente de R$ 4,261 bilhões. De acordo com relatório da Guide Investimentos, o resultado do Bradesco mostra piora marginal da carteira de crédito, fruto da desaceleração econômica.
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4), por outro lado, registravam forte queda. Segundo reportagem do Valor, a Petrobras fechou operações de nota de crédito de exportação para a BR Distribuidora com o Banco do Brasil (BBAS3). O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, não confirmou a informação ao jornal. De acordo com a publicação, com o crédito, a um custo financeiro bem menor, a BR Distribuidora conseguiu encerrar um contrato mútuo que tinha com a própria Petrobras que, por sua vez, recebeu os recursos.
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Além disso, a companhia realiza hoje assembleia com acionistas para votar a indicação de Murilo Ferreira, atual presidente da Vale (VALE3;VALE5), ao conselho de administração.
Por falar na mineradora, as suas ações estavam entre as maiores quedas do Ibovespa ao mesmo tempo em que o minério de ferro tem sua primeira baixa em duas semanas após um rali que elevou as cotações em quase 25% e agora é visto por alguns agentes do mercado como encerrado. A Vale acompanhou o movimento e figurou na semana passada como a melhor ação do benchmark com alta de 30%, mas desde esta segunda-feira os papéis iniciaram movimento de correção, caindo 5,57% desde então no caso dos preferenciais. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4), holding que detém ações da mineradora.
Para Lauro Vilares, da Guide Investimentos, a queda de 4% do minério é mesmo o principal vetor de baixa para os papéis da companhia.
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As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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Ásia se afasta das máximas, Europa espera
Os mercados asiáticos se afastaram de máximas de sete anos nesta quarta-feira, com volume de operações mais baixo com os mercados japoneses fechados por feriado e poucos dados importantes divulgados durante a sessão na região.
Tanto na Ásia quanto na Europa, os mercados se voltam para a decisão do Fomc e o PIB dos EUA, que veio abaixo do esperado.
Conversas sobre afrouxamento mais agressivo da política monetária na China ajudaram vários mercados acionários da região, e auxiliaram a bolsa em Xangai a recuperar perdas iniciais e fechar com oscilação positiva de 0,01 por cento.
No noticiário europeu, o BCE (Banco Central Europeu) elevou hoje o limite máximo de recursos que os bancos gregos podem tomar emprestados por meio da Linha de Assistência Emergencial (ELA, na sigla em inglês), a 76,9 bilhões de euros (US$ 84,46 bilhões), de 75,5 bilhões de euros na semana passada, segundo uma fonte na Grécia informou à Dow Jones. Por meio da ELA, o BC grego pode liberar crédito aos bancos a taxas de juros mais altas do que as cobradas por empréstimos regulares do BCE e o risco do crédito permanece na Grécia.
(Com Reuters)