Vale derrete 8% em dia ruim, Petrobras cai 3% e elétricas sobem até 5%

Das 68 ações do Ibovespa, 8 fecharam com queda superior a 5%; elétricas avançam com expectativa de reajuste tarifário

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SÃO PAULO – A quarta-feira (14) foi de perdas para a Bolsa, com o Ibovespa fechando com queda de 0,82%, a 47.645 pontos em meio à derrocada dos preços das commodities. Das 68 ações, 8 fecharam com queda superior a 5%. Ajudaram a puxar o índice para baixo os papéis das blue chips Petrobras, que chegaram a cair mais de 4% hoje e da Vale, que caíram mais de 6% na sessão. As siderúrgicas e exportadoras também caíram forte hoje. 

Já do outro lado, chamou atenção o setor elétrico, que apareceu entre as maiores altas do índice em meio à expectativa de reajuste tarifário. Nesta tarde, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, negou que o aumento dos preços da eletricidade vai chegar a 40%, mas que o percentual não deve ser muito menor, próximo a 30%. Diante disso, os papéis dispararam: Tractebel (TBLE3, R$ 32,69, +4,74%), Cesp (CESP6, R$ 25,98, +3,88%), CPFL Energia (CPFE3, R$ 18,65, +2,81%), Eletrobras (ELET3, R$ 5,63, +1,99%; ELET6, R$ 8,07, +2,67%) e Copel (CPLE6, R$ 32,47, +1,28%). 

No mesmo sentido, ajudou a segurar quedas mais bruscas do índice as ações dos bancos, principalmente, Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,22, +0,97%) e Bradesco (BBDC3, R$ 34,79, +2,17%; BBDC4, R$ 35,33, +1,09%), que atualmente são os papéis de maiores pesos no Ibovespa. No setor, fechou em alta também Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,26, +1,09%) e Santander (SANB11, R$ 12,69, +1,85%). 

Além delas, as ações da Oi (OIBR4) também ficaram no holofote do mercado durante quase todo o pregão. Depois de dispararem 10%, os papéis viraram para queda e fechando como a maior queda do Ibovespa, em meio às incertezas sobre o futuro da companhia. Fora do índice, destaque para a Senior Solution (SNSL3), que encerrou o dia em alta de 11,76%, embora não tivesse nenhuma notícia no radar da empresa que pudesse justificar o movimento, disse um operador. 

Confira os principais destaques da Bolsa nesta quarta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 8,50, -3,74%; PETR4, R$ 8,74, -2,89%)
As ações da Petrobras voltaram a fechar com fortes quedas hoje após um respiro na véspera em meio ao noticiário tumultuado da estatal. Nesta madrugada, o ex-diretor da área internacional da empresa Nestor Cerveró foi preso ao desembarcar no aeroporto internacional Antonio Carlos Jobim (Galeão) no Rio de Janeiro.

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Ainda sobre a companhia, fontes disseram à Bloomberg que a companhia deverá divulgar seu resultado auditado do terceiro trimestre no dia 30 de janeiro. Também no radar o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apurou que a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) já poderá ser definida na semana que vem, na tentativa de recompor receitas.   

Vale (VALE3, R$ 20,70, -8,04%; VALE5, R$ 18,40, -7,77%)
As ações da Vale desabaram hoje, fechando próximas a mínima do dia, em meio à derrocada das commodities após o Banco Mundial reduzir a projeção de crescimento global para 2015 por conta de demanda fraca por matérias-primas. O cobre renova sua mínima em cinco anos, a US$ 5.353,25 a tonelada, em continuidade da queda do petróleo, e já afeta hoje moedas e bolsas. Além disso, o Citi cortou hoje suas projeções para minério de ferro e carvão. Além da Vale, as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 13,33, -7,49%), que detém participação na mineradora, também caem forte hoje.  

Siderúrgicas
As ações do setor de siderurgia caíram forte hoje em reflexo à derrocada dos preços das commodities, que ajudam a empurrar os mercados para baixo hoje. Destaque para as ações da Gerdau (GGBR4, R$ 8,70, -4,40%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 10,12, -4,53%), CSN (CSNA3, R$ 4,88, -3,56%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,09, -3,08%). O Bradesco BBI atribui hoje recomendação market perform (desempenho em linha com a média) para as ações da CSN.   

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Oi (OIBR4, R$ 5,25, -6,75%)
Após operarem com fortes ganhos na sessão, as ações da Oi fecharam com forte queda após em dia marcado pela expectativa da reunião de acionistas. O movimento ocorre em meio às incertezas sobre o futuro da companhia, que gira em torno da venda de ativos portugueses da operadora e se a fusão com a Portugal Telecom será ou não desfeita. 

Pela manhã, quando os papéis da brasileira subiam forte, investidores operavam por rumores de que a venda da PT Portugal seria aprovada na próxima assembleia geral, que ocorre dia 22 de janeiro. Entretanto, operadores acreditam que esses boatos possam ter sido desfeitos, embora não tenha sido confirmado nada até o momento. Lá fora, as ações da Portugal Telecom SGPS, que chegaram a disparar 13,57% na Bolsa de Lisboa, fecharam em queda de 1,43%. Os ADRs (American Depositary Receipts), que são negociados em Nova York, operavam em queda de 13,04%, US$ 0,783. 

Embraer (EMBR3, R$ 21,40, -5,39%)
As ações da Embraer caíram forte hoje. Embora tenha apresentado ontem à noite dados favoráveis de entrega no quarto trimestre, a companhia divulgou nesta manhã que reviu sua projeção de fluxo de caixa livre em 2014 de levemente positiva em dois dígitos para negativa da ordem de US$ 400 milhões – ofuscando todos os efeitos positivos que gerariam os dados de entrega, conforme comentou o Bradesco BBI e BTG Pactual, que reiterou recomendação de compra. 

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A companhia informou na véspera que entregou 30 jatos comerciais e 52 executivos no quarto trimestre do ano passado. Em 2014, as entregas da companhia somaram 92 unidades da aviação comercial e 116 na executiva.  

Exportadoras
Os papéis de empresas com perfil exportador caíram forte nesta sessão em meio à queda do dólar frente ao real. A moeda americana chegou a cair para R$ 2,6042 ao longo do dia com sinalizações do governo para melhorar contas públicas dando gatilho a ajuste de posições compradas de estrangeiros na BM&FBovespa. Destaque para as ações da Marfrig (MRFG3, R$ 4,82, -7,13%) e Braskem (BRKM5, R$ 14,87, -6,01%), que fecharam entre as cinco maiores quedas do índice. Merece menção também as ações do setor de papel e celulose Suzano (SUZB5, R$ 10,58, -0,94%) e Fibria (FIBR3, R$ 30,83, -0,58%).   

Na contramão, as ações da BRF (BRFS3, R$ 61,78, +1,73%) conseguiu se manter no positivo após ter sua recomendação elevada pela corretora americana Miller Tabak de manutenção para compra, com preço-alvo de R$ 28, que citou melhora do cenário de exportações criando ponte para crescimento de alimentos processados em 2016.  

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Sabesp (SBSP3, R$ 15,41, -1,22%)
As ações da Sabesp fecharam hoje sua quarta sessão consecutiva de perdas, figurando entre as maiores quedas do Ibovespa. A Justiça suspendeu ontem a cobrança de multa que seria aplicada pela Sabesp e poderia chegar até 100%, quem consumisse acima do volume médio entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014 por consumo excessivo de água em São Paulo. A Justiça informou que para aplicar a multa o governo do estado de São Paulo precisa decretar racionamento de água. 

Souza Cruz (CRUZ3, R$ 20,45, +4,07%)
A Souza Cruz teve a classificação elevada para overweight (desempenho acima da média) hoje pelo JPMorgan Chase.  

Educacionais 
As ações do setor de educação voltaram a cair forte hoje mesmo com analistas reforçando nos últimos dias que essa desvalorização tem sido exagerada desde que foi anunciado ajustes no FIES (programa de financiamento estudantil), no final do ano passado. Destaque para Kroton (KROT3, R$ 12,87, -1,00%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 17,86, -1,60%). A exceção fica com a Estácio (ESTC3, R$ 17,70, +2,14%), que opera em alta hoje.

Nesta manhã, o Banco Fator Corretora elevou a Kroton para sua “top pick”, com recomendação overweight (desempenho acima da média), mesmo classificação atribuída para a Ser Educacional e Estácio, enquanto a Anima foi cortada para equal weight (desempenho em linha com a média).

Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 89,94, -3,50%)
O Grupo Pão de Açúcar registrou avanço de 16,2% na receita líquida do quarto trimestre sobre igual período do ano passado. De outubro a dezembro, a receita líquida da companhia somou R$ 19,66 bilhões, contra expectativa de analistas de R$ 19,5 bilhões, conforme analistas consultados pela Reuters. 

Direcional (DIRR3, R$ 6,99, -4,12%)
A Direcional teve sua recomendação cortada pelo Bradesco BBI de overweight (desempenho acima da média) para market perform (desempenho em linha com a média), com preço-alvo de R$ 12,00 para os próximos doze meses. Essa é a quarta queda seguida dos papéis, que operam próximos a mínima histórica, alcançado ontem.

Senior Solution (SNSL3, R$ 9,30, +9,41%)
As ações da Senior Solution dispararam nesta sessão, chegando a atingir na máxima do dia valorização de 19,06%, a R$ 10,12. Assim como a movimentação dos papéis, o volume financeiro saltou para R$ 510,8 mil, contra média diária dos últimos 21 pregões de R$ 148,6 mil. Procurado pelo InfoMoney, um operador disse que não viu nada que justificasse o movimento, mas que uma possibilidade de aquisição pode estar por trás dessa alta, já isso está nos planos da empresa. Ontem, o papel da companhia também registrou alta, mas bem mais amena que a vista hoje, de 4,7%.