Vale: Citigroup e UBS veem benefícios da aliança entre Rio Tinto e BHP Billiton

Poder do novo duopólio ou opção como saída do próprio destacam-se nas análises; ganhos serão capturados mais por produtoras

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SÃO PAULO – À luz da joint venture entre BHP Billiton e Rio Tinto para as operações de minério de ferro, o Citigroup e o UBS divulgaram relatórios sobre a Vale (VALE3, VALE5), discorrendo acerca dos possíveis impactos da aliança anglo-australiana, bem como delineando o horizonte da mineradora brasileira.

Para ambas instituições, a união trará mais benefícios do que malefícios para a brasileira. “A China requisitará a Vale como uma alternativa de oferta”, explicitam os analistas do Citigroup, que ainda citam os efeitos favoráveis da criação de um duopólio, cujos ganhos serão “largamente capturados” pelas produtoras, e não pelos consumidores.

“Vemos a joint venture como positiva para a Vale, dado que evidencia o valor estratégico consolidado das operações de minério de ferro e fornece suporte à precificação do recurso no longo prazo”, completa o UBS, reiterando a recomendação de compra para aos ADRs (American Depositary Receipts) da companhia.

Entre sinergias e crescimento orgânico

Os efeitos benéficos são certos para o setor, mas o banco norte-americano projeta que demorará cerca de três anos para a captura completa das sinergias da união anglo-australiana. Passado este período, a joint venture “resultará num duopólio poderoso do lado da oferta, substituindo o oligopólio”, completam os analistas.

Contudo, a instituição suíça alerta para o risco de que haja um fortalecimento de produtores independentes de minério de ferro que, por estarem à margem do duopólio, detêm maior flexibilidade e poder de barganha nas negociações. Como contraparte, o UBS acredita que o tripé poderá comprar produtores menores, reduzindo os perigos concorrentes.

Direto ao minério

Ao direcionar o olhar para o lado da demanda, cresce o sentimento de que haverá reação por parte das siderúrgicas chinesas. “Um risco para a Vale é que a China provavelmente agirá de forma mais agressiva no ritmo de aquisições de suas próprias minas de ferro”, afirma o Citigroup, que cita como exemplo as negociações entre MMX e Wuhan que, embora pequenas, podem afetar quando acumuladas com outras compras.

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Já no mercado interno chinês, o UBS não enxerga uma luta entre Vale e BHP Billiton-Rio Tinto pelo market share. Ao invés de brigarem, “elas devem focar esforços para tomar market share de produtores domésticos, além de substituir o minério de ferro da Índia, que cada vez mais se sente confortável na China, dado o crescimento da produção siderúrgica”, completa a instituição de Zurique.

Única alternativa

Nas linhas finais e, caso a China não deseje o minério de ferro da aliança anglo-australiana, os analistas do banco norte-americano observam que a única alternativa capaz de suprir tamanha demanda é a Vale, que poderá ganhar com “alavancagem e segurança para novos projetos”. Todavia, o controle dos custos de frete devem ser o maior problema para a mineradora brasileira, que não deverá ver novidades provocadas pela união no tocante aos contratos de minério de ferro.

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Seja pelo poder de duopólio ou por ser uma saída desta oferta concentrada, a Vale deverá ganhar de qualquer forma com a união.