Vale cai 5% e Ibovespa caminha para mínima desde março após queda do yuan; dólar sobe 2%

Cenário político fica de lado em meio à surpresa da China, que desvalorizou sua moeda para estimular as suas exportações

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SÃO PAULO – O Ibovespa cai 1,81% a 48.459 pontos nesta terça-feira (11), acelerando perdas em meio ao “sell-off” global depois que a China realizou a sua maior desvalorização do yuan em mais de duas décadas para conter a crise econômica e estimular as exportações. Com isso, o índice ameaça perder o patamar de fechamento de 10 de março, quando terminou o pregão em 48.293 pontos. 

Na Europa, as bolsas caem com dados decepcionantes da Alemanha. Enquanto isso, por aqui o cenário político dá trégua com notícias de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se contrapôs ao seu colega congressista, Eduardo Cunha (PMDB – RJ) e se aproximou do governo, recebendo em sua residência oficial os ministros da Fazenda, Joaquim Levy e do Planejamento, Nelson Barbosa. 

Além de receber os ministros, as notícias são de que o presidente do Senado assumiu o papel de “bombeiro” em contraposição ao “incendiário” Cunha. Disse, por exemplo, que colocar em votação as contas da presidente Dilma Rousseff agora e discutir a questão do impeachment é “colocar fogo no país”.

Às 14h29 (horário de Brasília), o dólar comercial tem alta de 1,97% a R$ 3,5109 na venda, ao passo que o dólar futuro para setembro sobe 2,17%, a R$ 3,535. No mercado de juros futuros o DI para janeiro de 2017 sobe 9 pontos-base, a 14,17% ao mesmo tempo em que o DI para janeiro de 2021 sobe 14 p.bs. a 13,73%. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 10,65, -3,27%; PETR4, R$ 9,58, -3,72%) caem. Os papéis acompanham a variação dos preços do petróleo, com o barril do Brent recuando 3,08% a US$ 49,45 em meio a notícias de aumento da produção do Irã e da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

SÃO PAULO – O Ibovespa da Bolsa de Valores de São Paulo apresenta baixa de 1,84% nesta tarde e atinge 48.443 pontos. O volume financeiro é de R$ 3.091 milhões.

O principal destaque negativo fica com as ações GERDAU MET PN (GOAU4), que registram desvalorização de 6,15% e são cotadas a R$ 3,51. Com essa variação, a baixa acumulada desde o início do ano chega a -68,67%.

Por outro lado, o melhor desempenho fica com os papéis BR PROPERT ON (BRPR3), que são cotados a R$ 10,89 e apresentam forte alta de 3,42%.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

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Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GOAU4 GERDAU MET PN 3,51 -6,15 -68,67 19,91M
 BRAP4 BRADESPAR PN 9,61 -5,78 -29,30 13,57M
 VALE5 VALE PNA 14,60 -5,50 -21,09 371,86M
 VALE3 VALE ON 18,44 -4,70 -13,05 132,11M
 USIM5 USIMINAS PNA 3,74 -4,59 -25,53 14,67M

Assim como a estatal, a Vale (VALE3, R$ 18,44, -4,70%; VALE5, R$ 14,60, -5,50%) tem queda seguindo as cotações do seu principal produto. O minério de ferro spot no porto de Qingdao caiu 0,62% a US$ 56,22 após dois pregões sem negociação. “A decisão do BC chinês de desvalorizar sua moeda em relação ao dólar em quase 1,9% causou apreensão nos mercados internacionais. A surpresa com decisão fez com que os investidores temessem que essa decisão tenha sido tomada pelas autoridades chinesas para fazer frente a uma desaceleração econômica mais forte”, destaca a LCA Consultores.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRPR3 BR PROPERT ON 10,89 +3,42 +8,53 9,01M
 SMLE3 SMILES ON 55,66 +1,96 +25,51 10,61M
 GOLL4 GOL PN N2 5,37 +1,90 -64,62 9,99M
 MRFG3 MARFRIG ON 5,70 +1,60 -6,56 13,49M
 CMIG4 CEMIG PN 8,95 +1,47 -29,71 15,85M
* – Lote de mil ações 
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Do lado das altas ficam as ações de exportadoras de papel e celulose como Fibria (FIBR3, R$ 47,97, +0,29%), que registram ganhos em meio à alta do dólar. Como possuem receitas denominadas na moeda norte-americana e despesas majoritariamente em reais, estas companhias se beneficiam de movimentos de depreciação do nosso câmbio. 

Mas o principal destaque de alta é a Gol (GOLL4, R$ 5,40 +2,47%), que chegou a subir mais de 4% com o alívio causado pela queda dos preços do petróleo, e agora atua como a terceira maior alta do índice. A companhia tem a commodity como um dos principais insumos, então uma queda na cotação do combustível favorece a empresa por reduzir o seu custo. Também vale lembrar que a empresa renovou mínima histórica nos últimos dias ao bater R$ 5,27. 

China surpreende e mundo cai
As bolsas asiáticas caíram conforme investidores avaliavam as implicações do movimento surpresa da China, que permitiu que o yuan caísse para seu nível mais fraco em três anos e que parece ser o fim de meses do fortalecimento da moeda sancionado oficialmente.

O banco central da China descreveu este movimento como uma “depreciação única”e disse que estava baseado em uma nova maneira de gerenciar as taxas de câmbio que reflitam melhor as forças do mercado. O índice CSI300 fechou em queda de 0,43 por cento, enquanto o índice de Xangai ficou estável após registrar grandes ganhos na segunda-feira.

Na Europa, os mercados europeus operam em baixa refletindo também a surpresa negativa com o índice de sentimento econômico alemão (ZEW). O índice de expectativas econômicas da Alemanha caiu para 25,0 em agosto, de 29,7 em julho, segundo dados divulgados hoje pelo instituto alemão ZEW. O resultado frustrou a expectativa de analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam avanço do indicador, a 32,0.

Já na Grécia, o país e seus credores internacionais firmaram um acordo de bilhões de euros nesta terça-feira após uma verdadeira maratona de negociações ao longo da noite, disseram autoridades, alimentando esperanças de que o país pode receber auxílio financeiro a tempo de um importante pagamento da dívida na semana que vem. Após uma sessão de 23 horas que começou na manhã de segunda-feira, autoridades gregas exaustas emergiram de um hotel no centro de Atenas para anunciar que os dois lados concordaram sobre os termos de um acordo de três anos, exceto por algumas questões menores que ainda estavam sendo resolvidas.