Reposicionamento

Vale busca superar traumas e se tornar uma empresa “verde”; analistas veem grandes oportunidades

Empresa investe na produção de minério de melhor qualidade e quer ser o mais "verde" possível em um mundo em transformação

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SÃO PAULO – Depois de ser protagonista de dois dos maiores desastres ambientais da história do Brasil, que resultaram em centenas de mortes, a Vale (VALE3) quer superar esse passado e se consolidar como a mineradora mais sustentável do mundo.

No seu Investor Day, foi essa a toada dos objetivos da companhia, que se esforçou por deixar clara essa para os analistas que acompanharam o evento.

A analista Betina Roxo, da XP Investimentos, destaca que para além dos benefícios ao planeta, é um ótimo negócio para a Vale focar na produção de um minério de ferro de maior qualidade, menos poluente, principalmente porque a demanda para esse produto é muito forte na China.

O país asiático, que já viveu sob a pecha de maior poluidor do mundo, a partir de 2016 se empenhou em mudar esse quadro com o objetivo de tornar suas grandes metrópoles como Pequim e Xangai, lugares melhores para seus habitantes.

A China é responsável pela produção de 48% do aço do mundo e 63% das emissões de poluentes do setor siderúrgico global. As usinas pequenas, que são as mais poluentes, tem sido fechadas ano a ano, e as novas estão mudando seus processos produtivos, adotando minério de maior qualidade, para emitir menos gases do efeito estufa como o gás carbônico (CO2).

“De fato, a porcentagem de pelotas (material de alta qualidade feito a partir do minério de ferro) na mistura utilizada pelas siderúrgicas na China aumentou de 11% em 2015 para 14% em 2018 e deve subir para 19% em 2025, levando a uma necessidade de 50 milhões de toneladas de pelotas”, afirma Betina em relatório. Confira o relatório clicando aqui. 

O analista Thiago Lofiego, do Bradesco BBI, diz que o mundo está mudando rápido e a Vale está bem posicionada para se adaptar a essas mudanças. “Estão ocorrendo transformações estruturais na indústria de aço: regulamentações mais estritas a respeito de emissões de CO2, particularmente na Europa, mas é uma tendência crescente global e siderúrgicas novas, maiores, mais eficientes e menos poluentes na China, o que implica em maior demanda pelo minério de qualidade produzido pela empresa.”

Lofiego conta que a Vale está buscando parcerias com siderúrgicas para suprir o mercado com esse minério de maior qualidade. “Essas iniciativas juntas representam uma oportunidade de 20 a 40 milhões de toneladas de produtos “verdes”, de menor emissão, para a indústria do aço nos próximos dez anos.”

A recomendação do Bradesco BBI para os ADRs (na prática, as ações da empresa negociadas nas bolsas dos Estados Unidos) de Vale é outperform (desempenho acima da média do mercado) com preço-alvo de US$ 19,00.

Quem também falou comentou essa busca por maior qualidade e menos emissões da Vale foram os analistas Caio Ribeiro e Rafael Cunha, do Credit Suisse. Na avaliação deles, é importante ressaltar que um controle no impacto de carbono da empresa deve aumentar até 10% no Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações (Ebitda, na sigla em inglês).

“Nós mantemos nossa recomendação outperform por vermos as ações da Vale operando com um múltiplo de 3,5 vezes o valor de mercado da empresa dividido pelo Ebitda, bem abaixo dos concorrentes australianos BHP Billiton e Rio Tinto, que estão em 4,5 e 5 vezes”, explicam.

Outro ponto positivo é que a mineradora reforçou que a produção da mina de Brucutu (MG), que sofreu sucessivas ordens judiciais de paralisação, já está normalizada. “Ao longo de 2020, a empresa deve conseguir normalizar a produção de Mariana e adicionar 30 milhões de toneladas por ano”, escreve a equipe de análise do banco suíço.

Por fim, o Morgan Stanley se mantém com recomendação equal-weight (desempenho dentro da média do mercado) para Vale, por não sentir ainda clareza sobre os riscos relacionados ao acidente de Brumadinho e em meio às preocupações de uma desaceleração na economia global.

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