Vale, BB e Ambev divulgam balanço de 2015; Pão de Açúcar vê lucro cair 99%

Mineradora reverte lucro de 2014 em prejuízo, enquanto a companhia de bebidas viu seu lucro líquido avançar 6% em 2015

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SÃO PAULO – A quinta-feira (25) começou bastante agitada com a divulgação de diversos resultados corporativos de grandes empresas do mercado, com destaque para Ambev, Vale, Banco do Brasil e Pão de Açúcar. Confira abaixo os balanços apresentados:

Vale
A Vale (VALE3; VALE5) anunciou um prejuízo de R$ 44,2 bilhões em 2015, revertendo o lucro de R$ 954 milhões do ano anterior. Apenas no quarto trimestre, o resultado da companhia foi negativo em R$ 33,2 bilhões, uma piora expressiva sobre o prejuízo de R$ 4,8 bilhões do mesmo período de 2014.

Entre os fatores para essa piora a companhia cita os maiores “impairments” no ano passado – instrumento que adequa o ágio pago nas aquisições no exterior à realidade atual do mercado – e à depreciação de 47% do real contra o dólar.

A receita operacional líquida da companhia avançou 2% no quarto trimestre de 2015 sobre o mesmo período de 2014 para R$ 22,681 bilhões. Enquanto isso, o Ebitda ajustado ficou em R$ 5,386 bilhões no quarto trimestre de 2015, uma queda de 3% sobre os três últimos meses do ano anterior.

Sobre o desastre ocorrido em Mariana, em Minas Gerais, envolvendo sua controlada Samacro, a mineradora disse que a produção no local sofreu uma redução, mas que foi compensada por outras minas. A empresa ainda reconhece que a Samarco teve despesas e destruição de ativos, mas que esses impactos negativos “estão limitados à participação da companhia no capital social” da subsidiária.

No quarto trimestre, a companhia revelou que as baixas contábeis (“impairments”) em investimentos de subsidiárias e joint ventures totalizaram US$ 446 milhões. Deste total, US$ 132 milhões foram relacionados à Samarco e US$ 314 milhões à Teal Minerals, uma joint venture da Vale e ARM, com participação na operação de cobre de Lubambe.

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Em relação aos investimentos, a Vale divulgou que o valor total atingiu US$ 8,4 bilhões em 2015, uma queda de US$ 3,6 bilhões sobre o ano anterior. Em execução de projetos, os investimentos também recuaram, passando de US$ 7,9 bilhões em 2014 para US$ 5,5 bilhões no ano passado, “com a conclusão de projetos, otimização de escopo e impacto positivo da depreciação do real”.

Banco do Brasil
O Banco do Brasil (BBAS3) registrou um lucro líquido de R$ 14,4 bilhões em 2015, segundo balanço divulgado na manhã desta quinta-feira (25), o que representa uma alta de 28% ao obtido no ano anterior, quando os ganhos somaram R$ 11,24 bilhões. Entre outubro e dezembro, os ativos do banco somaram R$ 1,51 trilhão, um crescimento de 9,7% em 12 meses. Com isso, o lucro líquido por ação do BB alcançou R$ 5,05 em 2015. A remuneração aos acionistas atingiu R$ 5,7 bilhões no ano. Só no último trimestre do ano, o valor por ação foi de R$ 0,89.

O índice de operações vencidas há mais de 90 dias representou 2,38% da carteira de crédito, inferior ao patamar do Sistema Financeiro Nacional, que registrou 3,4%. A carteira de crédito do banco terminou 2015 com saldo de R$ 193,2 bilhões, uma alta de 7,5% em 12 meses. As linhas de menor risco, como crédito consignado, alcançaram 75,9% do total da carteira.

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O Banco do Brasil foi o último banco a apresentar o resultado de 2015. No início do mês, o Itaú Unibanco (ITUB4) anunciou ter registrado lucro de R$ 23,35 bilhões, enquanto o lucro líquido do Bradesco (BBDC3; BBDC4) cresceu para R$ 17,19 bilhões em 2015. Já o banco Santander Brasil (SANB11) registrou lucro de R$ 6,624 bilhões no ano passado.

Na apresentação do balanço divulgada ao mercado, o banco estatal também destacou o atingimento da marca recorde de R$ 174,9 bilhões na linha de crédito ao agronegócio. Destaques para a linha do Pronaf, que totalizou R$ 39,3 bilhões, com crescimento de 9,1% na comparação anual, e Programa de Agricultura de Baixo Carbono, Programa ABC, que totalizou R$ 9,1 bilhões, 13,4% maior frente a 2014. Já o crédito imobiliário alcançou a marca de R$ 49,1 bilhões no último quarto do ano passado, o que corresponde a um crescimento de 26,6% no comparativo com o mesmo período em 2014.

O faturamento com cartões alcançou R$ 256,7 bilhões em 2015. O segmento tradicional, representado em sua maioria pelas compras no varejo, cresceu 10,6% no ano. Também chamou atenção a captação da poupança, que fechou a R$ 151,8 bilhões no último trimestre de 2014, o que corresponde a uma alta de 1,4% em comparação com o trimestre anterior. O banco destacou ainda o volume de R$ 8,8 bilhões de ofertas na renda fixa.

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Ambev
A companhia de bebidas Ambev (ABEV3) divulgou nesta quinta-feira (25) um lucro líquido de R$ 4,35 bilhões obtido no quarto trimestre, o que representa uma queda de 7,9% em relação ao mesmo período de 2014, quando registrou R$ 4,72 bilhões. No acumulado do ano passado, o lucro líquido da empresa ficou em R$ 13,24 bilhões, um avanço de 6,3% sobre os R$ 12,45 bilhões de 2014.

Enquanto isso, a receita líquida registrou uma alta de 25% nos três últimos meses de 2015, ficando em R$ 15,30 bilhões, ao passo que, no acumulado do ano passado, a evolução da receita foi de 22,7%, passando de R$ 38,08 bilhões em 2014 para R$ 46,72 bilhões. Segundo a companhia, a melhora ocorreu por conta de crescimentos de vendas no Brasil (+7,0%), América Central e Caribe (+10,0%), América Latina Sul (+24,7%) e no Canadá (+4,0%).

O Ebitda (lucro antes de juros impostos depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 8,02 bilhões no quarto trimestre do ano passado, o que corresponde a uma alta de 7% em comparação com o mesmo período em 2014, mas que provocou uma compressão de margem bruta e Ebitda de 40 pontos-base e 170 pontos-base, respectivamente. No acumulado do ano, o indicador ajustado chegou a R$ 22.210 milhões (+12,4%).

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Apesar da queda do lucro, a companhia destaca em seus resultados a elevação do fluxo de caixa operacional de 25%, chegando a R$ 10,99 bilhões.

Pão de Açúcar
O Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) teve queda de 98,8% no lucro líquido atribuído aos acionistas controladores no quarto trimestre de 2015, ficando em R$ 6 milhões, contra os R$ 485 milhões do mesmo período de 2014. No ano, o lucro líquido da companhia somou R$ 251 milhões, queda de 80,2% sobre o R$ 1,27 bilhão de 2014.

A receita líquida do grupo avançou 0,2% no quarto trimestre de 2015, para R$ 19,7 bilhões, de R$ 19,6 bilhões em igual período de 2014. No ano de 2015, a receita líquida totalizou R$ 69,1 bilhões, aumento de 5,5% sobre os R$ 65,5 bilhões de 2014.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 61,7% no quarto trimestre, para R$ 622 milhões, de R$ 1,62 bilhão em igual intervalo de 2014. A margem Ebitda recuou 5,5 pontos percentuais entre os dois períodos, de 8,2% para 3,2%. No ano de 2015, o Ebitda ficou em R$ 2,68 bilhões, 45,6% inferior aos R$ 4,93 bilhões de 2014.

Telefônica
O lucro líquido reportado pela Telefônica (VIVT4) atingiu R$ 1,11 bilhão no quarto trimestre, queda de 10,7% em relação a um ano antes. Ao longo de 2015 o lucro recuou 36,4%, para um total de R$ 3,3 bilhões. A companhia registrou receita líquida de R$ 10,7 bilhões no trimestre, alta de 3,4% em relação a igual período de 2014, e fechou o ano em R$ 42 bilhões, 4,8% a mais na comparação anual.

Multiplan
A administradora de shopping centers Multiplan (MULT3) teve lucro líquido de R$ 137,7 milhões no quarto trimestre, alta de 10,9% na comparação anual, informou a empresa na noite de quarta-feira (24). O resultado foi beneficiado pelos juros sobre capital próprio de R$ 135 milhões anunciados no período, disse a Multiplan.

No ano, o lucro caiu 1,6% sobre 2014, a R$ 362,2 milhões, pressionado pela diminuição de receita de venda de imóveis (-89,3%) e o crescimento de 18,4% das despesas financeiras. O Ebitda foi de R$ 227,2 milhões nos últimos três meses do ano, 1,5% maior na comparação anual.

Entre outubro e dezembro, a receita líquida caiu 7,1%, para R$ 299,6 milhões. As vendas mesmas lojas (abertas há mais de 12 meses) cresceram 2,1% na comparação anual, ante ritmo de 7,9% um ano antes. As vendas totais nos shoppings da companhia subiram 4,1% sobre o quarto período de 2014, a R$ 4,2 bilhões, “apesar do cenário desafiador”, disse a Multiplan.

“A melhoria contínua no mix de lojas … assim como a bem-sucedida campanha de marketing de fim de ano nos shopping centers da Multiplan contribuíram para os resultados”, disse a companhia em seu relatório de resultados.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.