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A Vale (VALE3) fez o Vale Base Metals Day 2026 na última terça-feira (31), evento com foco na divisão de Metais Básicos (VBM), consolidando a unidade como o principal vetor de crescimento do grupo para a próxima década.
Os executivos detalharam um plano estratégico para elevar a produção de cobre para 700 mil toneladas anuais até 2035, o que representaria um salto significativo em relação aos níveis atuais, segundo analistas do mercado.
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A gestão da companhia centralizou a apresentação na rigidez da execução operacional e no controle de custos, o que simboliza ao mercado que o foco agora é a previsibilidade.
Conforme a análise do JPMorgan, a mineradora superou um ciclo de reestruturação interna para focar em entregas recorrentes. “A administração também reforçou que o período de 2022–2025 foi uma fase de transformação ‘de volta ao básico’. Para 2026, o objetivo declarado é operar de forma segura, estável, capaz e repetível”, diz relatório do JPMorgan.
A administração enfatizou que o crescimento será pautado pela eficiência e produtividade, visando tornar a VBM um contribuinte muito maior para a geração de caixa consolidada.
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Cobre como protagonista
Segundo os analistas, a estratégia de expansão no cobre tem foco em ativos de alta rentabilidade e baixa intensidade de capital. O pipeline é composto por uma mistura de desgargalamento de unidades já existentes e expansões de longo prazo no distrito de Carajás (PA). Projetos como Bacaba e a expansão de Salobo são os destaques imediatos, apresentando taxas de retorno (TIR) superiores a 50%.
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Segundo o relatório da Genial Investimentos, três projetos ancoram esse cronograma de curto e médio prazo: Bacaba (previsto para 2028), Salobo CPF (2029) e Alemão (2030).
O otimismo da Vale com o cobre é baseado na projeção de que a demanda global deve subir 20% até 2035, pois será impulsionada pela eletrificação e infraestrutura de data centers. Para os analistas, a surpresa veio da capacidade da Vale em otimizar o que já possui em operação.
“O principal elemento da surpresa veio na forma de margens brutas mais altas, que a Vale atribui ao aumento da receita no crescimento orgânico dos campi e otimização de custos”, aponta o relatório do JPMorgan.
A instituição manteve a classificação de compra para as ações da Vale, citando o múltiplo atraente de 4,6x Valor da empresa/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
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Estratégia defensiva no níquel
Diferente do cobre, o mercado de níquel enfrenta um cenário de superávit global no curto prazo. O JPMorgan afirma que a Vale prevê que esse excesso de oferta dure até 2030, o que justifica o foco atual na proteção de margens através da eficiência, em vez de expansão agressiva de volumes neste segmento.
De acordo com a análise da Genial Investimentos, os custos totais do níquel caíram 28% nos últimos dois anos, e a empresa estabeleceu uma meta de breakeven de caixa de aproximadamente US$ 17.300 por tonelada até 2027.
A Genial ainda detalhou que a VBM aposta em uma exposição comercial estrategicamente voltada ao Ocidente para mitigar riscos geopolíticos. “A exposição comercial é deliberadamente voltada para o Ocidente: a Europa absorve 55% do níquel e 28% do cobre, com a China em apenas 8-10%, respectivamente”, afirmam os analistas.
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“O mercado ainda não está modelando a produção total de cobre da VBM, com o gap entre guidance e consenso se ampliando materialmente a partir de 2028+”, diz o documento da Genial. Apesar disso, a casa pondera que a mineradora ainda precisa provar a transição de seu perfil de negócios.
Estrutura de capital
A XP Investimentos aponta que a Vale tem um perfil autofinanciado da divisão, com uma dívida líquida baixa de US$ 1,2 bilhão, equivalente a 0,4x na relação dívida líquida/Ebitda. Os analistas pontuam que esse número sugere que a fase de crescimento não deve pressionar o balanço da holding no curto prazo.
Além disso, a XP acredita que a transparência do evento ajudou a validar o otimismo recente com o ativo. “Acreditamos que o evento de hoje reforça a VBM como um vetor crível de crescimento para os próximos anos, ajudando a justificar parte do recente re-rating”, diz relatório da XP.
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Contudo, a corretora mantém recomendação neutra. “Vemos a relação risco-retorno enviesada para o positivo, dado o momentum crescente dos ativos de cobre”, explicam.
Para o ano de 2026, a Vale estima um fluxo de caixa livre (FCF) para a divisão de Metais Básicos variando entre US$ 0,4 bilhão e US$ 1,9 bilhão, a depender das oscilações nos preços das commodities, conforme dados compilados pelo JPMorgan. Além disso, eles pontuam que a meta de longo prazo é que a VBM represente entre 30% e 35% do Ebitda consolidado da Vale até 2035.
| Instituição | Recomendação | Preço-Alvo |
| JPMorgan | Compra (Overweight) | R$ 79,50 |
| XP Investimentos | Neutro | R$ 85,00 |
| Genial Investimentos | Manter | R$ 90,00 |
