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SÃO PAULO – Em teleconferência acerca dos resultados do segundo trimestre, quando a Vale (VALE3, VALE5) registrou lucro líquido de R$ 6,635 bilhões, os diretores se mostraram otimista com o novo sistema de precificação, comemoraram o melhor desempenho operacional e financeiro desde a crise e ressaltaram as projeções de crescimento orgânico acelerado da companhia.
Na comparação com o segundo trimestre de 2009, os números realmente impressionam: a receita operacional subiu 95,3%, o Ebitda 223,3% (atingindo US$ 5,6 bilhões) e o lucro líquido avançou 369%, nos resultados mostrados em dólar.
“O Ebitda (geração operacional de caixa) ajustado quase dobrou, impulsionado sobretudo pela forte demanda global por minério e metais”, afirmou a empresa na apresentação da teleconferência. Os diretores enxergaram ainda uma recuperação nos preços das commodities e disseram que a precificação em base trimestral está “consolidada entre os clientes”.
Custos e dívidas
A empresa destacou economias de US$ 500 milhões no primeiro semestre deste ano, entre menores despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) e resultado de câmbio.
Expansão
Dos sete projetos previstos para este ano, três já foram entregues – um de minério de ferro, outro de aço e outro de rocha fosfástica. Ainda há o projeto Oman, de pelotas, Onça Puma, de níquel, Três Valles, de cobre, e Estreito, ligado ao segmento de energia. Segundo os diretores da companhia, todos serão entregues ainda este ano.
“Além destes sete projetos, ainda há muitos por vir e muitas opções de crescimento para contribuir com o pipeline de projetos futuros”, afirmou Guilherme Cavalcanti, CFO (Chief Financial Officer) da empresa. A intenção é de aumentar o número de projetos em diferentes áreas.
Perguntado sobre o preço do minério de ferro, esperado em torno de US$ 100 por tonelada com base nos preços de mercado, e que veio em US$ 92, Roger Agnelli, presidente e CEO (Chief Executive Officer) da mineradora explicou os principais problemas: “Primeiro, houve o efeito carry over, de problemas de entrega de volumes no primeiro trimestre, em função de chuvas e outras questões, então 10 milhões de toneladas no segundo trimestre acabaram vendidas baseadas nos preços do primeiro trimestre, que já estavam em contrato”, começou.
Os diretores afirmaram que a unidade de Sudbury – que passou por uma greve recém terminada – deve voltar a operar em plena capacidade em setembro deste ano. A rapidez se deve ao fato da unidade já estar operando a 50% da capacidade. Os diretores avaliam que, do contrário, isso demoraria cerca de três meses mais.
Sustentabilidade
O presidente e CEO ainda ressaltou o foco em inovação e a preocupação com sustentabilidade. Ele afirmou que a perspectiva é que 100% de Carajás opere no dry process (processo seco) nos próximos anos. Para Agnelli, “a Vale está à frente das outras mineradoras em termos de sustentabilidade”.
Agnelli ainda comentou os investimentos na África, se dizendo confiante. “A Vale não vê o continente como um risco, sabemos lidar com as necessidades da África”.
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Paranapanema
A empresa aproveitou para comentar a aquisição da Paranapanema (PMAM3) na véspera. Os diretores afirmaram que a aquisição é uma “iniciativa para acelerar o desenvolvimento do projeto de cobre”. A Vale está oferecendo US$ 1,1 bilhão por 100% da Paranapanema, e a aquisição ocorrerá via leilão público na bolsa no dia 1º de setembro.
“A aquisição está consistente com a estratégia de longo prazo do cobre”, afirmaram. Agnelli ressaltou que a Vale se preocupa com os “próximos 20 anos, não somente o próximo trimestre ou o próximo ano”. A diretoria ainda ressaltou a captura integral dos valores dos sub-produtos do cobre.
Números
As receitas operacionais da mineradora somaram R$ 18,98 bilhões no segundo trimestre, enquanto o Ebitda (geração operacional de caixa) veio em R$ 10,434 bilhões. Ambos os números mostram evolução na base anual, sendo que o Ebitda foi o terceiro melhor da história da companhia – assim como a margem operacional, que ficou em 48,8% no trimestre (no mesmo período de 2009, o indicador marcara 20,3%). Os números também mostraram evolução, ainda que mais modesta, na base trimestral.
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As exportações da mineradora somaram US$ 5,78 bilhões – considerando o valor líquido, foram US$ 5,63 bilhões no trimestre, uma alta de 80,4% na base anual.