Vai comprar carro 1.0? Saiba que quase 40% do valor corresponde a impostos

Segundo IBPT, 37,55% do valor de um carro desses corresponde a impostos como IPI e ICMS. Em carros luxuosos, fatia é maior

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SÃO PAULO – QueR comprar um carro zero quilômetro com motor 1.0? Pois saiba que 37,55% do valor corresponde a impostos, como ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

A informação é do diretor técnico do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), João Eloi Olenike, que afirma também que esse percentual pode ficar acima de 40%, como no caso do Corolla, da Toyota, em que 40,74% do valor é destinado ao pagamento de impostos.

Aumento de preço

Nos últimos sete anos, o preço do carro teve alta de 75%, segundo uma pesquisa da Agência AutoInforme. Para Eloi, o imposto teve pouca influência nesse aumento, e sua incidência nos valores dos veículos não sofreu grandes alterações nesse período.

“Há dois ou três anos, o governo diminuiu o IPI para desovar o estoque. Mas fora o IPI, nada mudou”, afirma ele, lembrando que o imposto voltou a subir com o aquecimento das vendas no setor.

Mas Eloi também alerta para o fato de que as vendas aumentaram mais por uma conjuntura econômica e não pela queda no imposto. “O poder aquisitivo da população melhorou e o crédito para a compra de carros aumentou, mas a tributação não tem relação com o aumento do consumo”, explica.

O diretor do IBPT também não acredita que o valor dos impostos sobre os carros irá diminuir. “A tendência é que haja uma simplificação, concentrar os valores em um só, mas não diminuir a carga tributária“, diz.

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Preço mais baixo em outros países

Comprar um carro no Brasil também é mais caro que em outros países, como os Estados Unidos. Segundo Eloi, o preço de um veículo no país norte-americano chega a 40% do valor de um brasileiro. Um dos exemplos é o Honda CRV, cuja versão mais barata custa R$ 100 mil no País e US$ 20.700 nos Estados Unidos. “Lógico que tem outras questões como tecnologia e mão-de-obra, mas, no Brasil, a tributação é muito alta nos veículos”, afirma.”

Embora considere que não há necessidade dessa alta carga tributária, o diretor também alerta para o fato de que, caso o governo cortasse os impostos, as vendas aumentariam muito, sendo que o País não possui infra-estrutura suficiente para que haja um número muito maior de carros circulando.

“Se governo diminuísse o IPI dos carros, iria aumentar o consumo, as fábricas iriam dobrar a produção e as vendas também. Mas o País não ia agüentar dobrar o número de carros nas ruas. Talvez, o governo não diminua os impostos já pensando nisso”, diz.