Altas e Baixas

V-Agro sobe 12%, OGX e Petro sobem e Hering despenca; veja mais destaques

Ações de Positivo e T4F despencaram após divulgação dos resultados trimestrais; MRV ganha forças após teleconferência e varejistas caem com ausência de incentivos do governo

SÃO PAULO – Em dia de forte volatilidade no mercado brasileiro, o Ibovespa, que ensaiou movimentos de altas e baixas várias vezes no intraday, terminou a sexta-feira (9) com perdas 0,29%, aos 57.357 pontos – sendo o 3º pregão seguido de desvalorização. Liderando as perdas esteve a Hering (HGTX3), que teve queda de 4,68% e terminou aos R$ 45,43, enquanto a Vanguarda Agro (VAGR3) subiu 11,76%, saltando de R$ 0,34 para R$ 0,38. 

Com esses ganhos, a companhia de agronegócio chegou a um valor de mercado de R$ 881 milhões – a única empresa do Ibovespa que vale menos de R$ 1 bilhão. Os papéis disparam após uma proposta de emissão de R$ 350 milhões de reais em ações em uma oferta privada. O volume da empresa impressiona: são R$ 35,03 milhões negociados, mais que 10 vezes maior do que a média diária dos últimos 21 pregões.

A companhia pretende excluir os dispositivos que proíbem a dispersão acionário e pretendem incluir o fundo Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, no bloco de controle. O fundo deverá ser um dos principais acionistas, com no mínimo 5,74% das ações ordinárias e no máximo 14,34%. O Gávea deverá ter a autorização para eleger um membro para o conselho de administração da companhia. 

Petro, OGX e HRT ganham forças
A teleconferência da OGX Petróleo (OGXP3) impulsionou todo o setor de petróleo, que acumula forte alta depois do call com os diretores. O otimismo mostrado pelos analistas impulsionou os papéis não apenas da empresa de Eike Batista, que subiu 1,68% para R$ 4,85, como também da HRT (HRTP3) e Petrobras (PETR3PETR4). 

Os papéis ordinários da estatal tiveram ganhos de 0,35%, atingindo os R$ 21,44, enquanto os preferenciais avançaram 0,82% para R$ 20,78. “Tem haver com essa teleconferência, sim”, sinaliza um analista que não quis se identificar. Já os da HRT, que operavam em queda até as 12h00, fecharam com alta de 9,58% para R$ 5,95. 

Ele sinaliza que o balanço apresentado pela OGX não foi positivo – embora alguns dos principais pontos tenham mostrado melhora. As perspectivas favoráveis, porém, ajudaram a pintar um bom sinal para todo o setor. O papel da OGX também se recuperou, depois de abrir em queda – como antecipado pelo portal InfoMoney – e chegar a cair 2,94%, foi somente após a teleconferência que conseguiu se firmar no campo positivo. 

A petrolífera de Eike Batista reportou perdas de R$ 343,62 milhões, valor 1.221% maior que o resultado negativo de R$ 25,98 milhões visto no mesmo período do ano passado. Por outro lado, a companhia registrou receita líquida pela primeira vez, com um faturamento de R$ 150,68 milhões. Segundo comunicado enviado pela empresa, a produção está progredindo de acordo com o cronograma previsto. No trimestre a média de produção por dia foi de 9,3 mil barris.

“A OGX alcançou um importante marco nesse terceiro trimestre, apresentando receitas de vendas de aproximadamente 800 mil barris pela primeira vez desde o início de sua produção comercial”, comentou Luiz Carneiro, Diretor Presidente da OGX, em comunicado.

Sem incentivos, empresas de consumo caem
Já os papéis das empresas de consumo tiveram queda na sessão desta sexta, depois que Guido Mantega, ministro da Fazenda, falou sobre unificar e redistribuir o ICMS (Imposto de Circulação Mercadorias e Serviços).

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Além da Hering, os papéis de Restoque (LLIS3) e Hypermarcas (HYPE3) também sofreram. A antiga Le Lis Blanc recuou 4,71% para R$ 8,29, enquanto a Hypermarcas teve perdas de 2,11%, aos R$ 15,32 nesse pregão. 

“Muitos varejistas brasileiros e manufatureiros se beneficiam desses benefícios de impostos, e estimamos que Hering e Hypermarcas sejam as mais afetadas”, afirmam Robert Ford, Melissa Byun e Marcelo Santos, do Bank of America Merrill Lynch. “As propostas sugerem perdas de benefícios que representam cerca de 20% dos lucros estimados para 2013”, afirmam. 

MRV sobe com resultado
Após teleconferência sobre o resultado do terceiro trimestre, as ações da MRV Engenharia (MRVE3) subiram 1,14% aos R$ 10,65. Na máxima do dia, as ações chegaram a alta de 4,18% aos R$ 10,97. 

Falando a o mercado, o presidente-executivo da consultora e incorporadora, Rubens Menin, reforçou que a empresa está numa posição confortável, com mais de 90 mil unidades contratadas com participação do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, o que representa mais dois anos de obras.

Segundo ele, a expectativa é que durante os meses de novembro e dezembro a empresa alcance mais 10 mil unidades e feche o ano com 100 mil unidades contratadas. 

T4F: ações despencam após resultados
Depois das principais linhas do resultado trimestral da Time For Fun (SHOW3) frustrarem as projeções, as ações da companhia sofreram forte recuo de 9,42%, antes de terminar com queda de 9,78%, aos R$ 10,06.

Em relatório, a equipe do Bradesco projetava um lucro líquido de R$ 15,6 milhões para a empresa no período de julho a setembro. No entanto, a T4F anunciou ganhos de R$ 12,5 milhões, que, além de ser abaixo da estimativa, é 29% inferior ao reportado no mesmo trimestre de 2011.

Já a equipe de análise do BTG Pactual vai além e os fracos números os levaram a reduzir o preço-alvo dos papéis, para R$ 17,00, o que significa um potencial teórico de valorização de 52,4% sobre o último fechamento. As projeções para lucro líquido e Ebitda (geração operacional de caixa) também foram severamente afetadas. Para o primeiro, o corte foi de 32% neste ano, para R$ 62 milhões, e 24% para o próximo, aos R$ 93 milhões. Já para a segunda, a revisão foi de 15% neste ano, para R$ 110 milhões, e de 18% para o próximo, para R$ 130 milhões.

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“Resultados mais fracos no terceiro trimestre e evidências que as vendas de ingressos para os shows de Lady Gaga e Madonna estão relativamente fracas nos levam a acreditar que os resultados na segunda parte do ano será menos forte do que o originalmente esperado”, escrevem Carlos Sequeira, Bernardo Miranda, Fabio Levy e Bruno Andreazza.

Resultado da Positivo faz ação despencar
As ações da Positivo (POSI3) em forte queda na sessão desta sexta-feira (9), um dia após a companhia divulgar lucro expressivo em seu desempenho trimestral. Os papéis retrocederam até 9,46%, a R$ 5,07, mas voltaram a ganhar força e fecharam com recuo de 5,36%, para R$ 5,30. No início da sessão, porém, os ativos chegaram a operar em alta, e subiram até 1,25%, para R$ 5,67.

A companhia divulgou lucro líquido de R$ 5,5 milhões, um avanço de 73,9% no comparativo anual, enquanto a receita líquida saltou de R$ 489,1 milhões para R$ 523,3 milhões, representando um crescimento de 8%.

A companhia relatou ainda Ebitda de R$ 21,8 milhões, queda de 12,1% na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto a margem Ebitda foi 4,1%, ou recuo de 0,9 ponto percentual.