Uso do termo “bolhas” atinge níveis preocupantes, ressalta portal norte-americano

Reportagem da CNBC, a palavra "bolha" associada aos mercados foi mencionada 4.600 vezes este ano, podendo chegar a 7.900 menções até o final de 2014

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SÃO PAULO – Segundo reportagem da CNBC, a palavra “bolha” associada aos mercados foi mencionada 4.600 vezes este ano, o que pode significar uma tendência preocupante caso o ritmo continue, destacaram analistas ao portal norte-americano.

O co-fundador da subsidiária do Morgan Stanley ConvertBond.com, Lawrence McDonald, twittou a estatística, informa a reportagem, mencionando que o termo poderia chegar a 7.900 menções até o final de 2014. 

Em comparação, a palavra foi mencionada em notícias 6.850 vezes em 2007, ano antes do início da crise financeira global, e 6.800 vezes em 1999, antes da bolha ponto com de 2000, ele observou.

De acordo com Evan Lucas, estrategista de mercado da IG, esta discussão sobre bolhas pode se tornar uma profecia auto-realizável, porque os comentaristas que falam sobre “bolhas” e “sobrevalorizações” muitas vezes têm posições importantes nos mercados.

Lucas reforça que cada vez mais está se usando termos como “bolhas”, “sobrevalorizações”, “sobecarregado”, entre outros. “Cria-se algo como quase um efeito de bola de neve, com os comentaristas pessimistas tomando posições pessimistas e, em seguida, dizendo a seus clientes a fazer o mesmo. Eventualmente, os touros estão se esgotando e os ursos estão passando a assumir.”

Com isso, os que estão vendo uma perspectiva baixista à frente podem predominar, aproximando o mercado de um ponto de inflexão, já que os investidores questionam os fundamentos econômicos por trás do rali. 

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“O S&P 500 está lutando para encontrar uma razão para ir mais alto e os índices europeus têm sido negociado em baixa nas últimos 4 ou 5 semanas após o índice Dax alemão ter batido recorde. Enquanto isso, o mercado acionário da Austrália não consegue superar seu patamar máximo de 6 anos e meio”, disse Lucas. 

“Eu, pessoalmente, sinto que a palavra ‘bolha’ é muito forte, mas os mercados de ações estão sentindo um movimento exagerado”, acrescentou. 

O notoriamente pessimista John Hussman, analista e proprietário de fundos mútuos e conhecido por suas críticas ao Federal Reserve, destacou em artigo ao Wall Street Journal que os mercados estavam a caminho de uma bolha como a de 2000. “A principal diferença entre o episódio atual e o de 2000 é de que a bolha de 2000 foi no setor de tecnologia, enquanto a atual é difundida em todos os setores de uma forma que faz com que as avaliações para a maioria das ações, na verdade, sejam piores do que em 2000”, afirmou. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.