Usiminas: segregação de ativos de mineração é bem recebida pelo mercado

Deutsche Bank reitera call de compra para o papel da siderúrgica e mantém empresa como top pick; Link faz comparações com CSN

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SÃO PAULO – O Deutsche Bank reiterou nesta quarta-feira (30) sua recomendação de compra para os papéis da Usiminas (USIM5), mantendo a siderúrgica como sua top pick no setor, após a companhia ter aprovado a venda de 30% do capital social da Mineração Usiminas à Sumitomo Corporation pelo montante de até US$ 1,929 bilhão. 

Segundo nota da empresa, a Mineração Usiminas passará a reunir os ativos de mineração da companhia, que envolvem ativos e participações societárias em terminais de embarque de minério de ferro na região de Serra Azul, ações representativas de 49,9% do capital votante e 83,3% do capital total da Usiminas Participações e Logística e terreno em Itaguaí, no Rio de Janeiro.

O analista Rodrigo Barros, do Deutsche Bank, destacou o fato de a Mineração Usiminas ter sido avaliada em US$ 6,4 bilhões. “Em nossa opinião, as expectativas do mercado acerca do valuation dos ativos de minério de ferro da Usiminas estavam em torno de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões, portanto, esperamos uma reação positiva ao acordo”, disse Barros.

O analista revelou ainda que o negócio fechado entre a Usiminas e a Sumitomo “traz forte credibilidade à qualidade do ativo e ao timing de execução”. Cabe mencionar que a aquisição será através da subscrição de novas ações pelo preço total de até US$ 1,929 bilhão, em um acordo que ainda terá de ser firmado legalmente. A previsão é de que a nova empresa comece a operar em 1º de agosto.

Comparação com a CSN
Também aprovando a operação anunciada pela Usiminas, o analista Leonardo Alves, da Link Investimentos, destacou em relatório nesta quarta-feira (30) que “a comparação com a CSN (CSNA3) é inevitável”, referindo-se à venda pela siderúrgica de 40% da Namisa, uma de suas mineradoras, no final de 2008.

“Avaliamos essa operação com um múltiplo um pouco abaixo do múltiplo da operação de Namisa. Como o valor a ser pago pela Sumitomo será uma emissão primária de ações, o equity value da Mineração Usiminas são os US$ 6,43 bilhões de mercado menos o caixa de US$ 1,93 bilhão, resultando em US$ 4,50 bilhões, que, se divididos pela capacidade esperada no longo prazo, chegamos a US$ 155 por tonelada. Enquanto no caso da Namisa, chegamos a um valor de US$ 193 por tonelada”, disse Alves.

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O analista explica que a diferença no múltiplo de cada uma das siderúrgicas deve-se à maior dificuldade logística da Mineração Usiminas, enquanto a Namisa possuía no momento da sua venda as permissões para exportar através do porto de Itaguaí, que pertence à CSN.

“A venda acaba sendo positiva para a Usiminas, já que traz valor para seus ativos de mineração, que muitos ainda estavam ignorando. (…) O negócio mostra que há interesse nas jazidas brasileiras, o que pode ser positivo para as demais exportadoras de minério de ferro”, completou o analista da Link.

A corretora se mostrou otimista em relação aos preços do minério, destacando que eles  continuam em patamares altos e mantendo sua perspectiva da maior demanda chinesa pela commodity. Sendo assim, a Link manteve seu rating market perform (desempenho em linha com o mercado) para os papéis da Usiminas.