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SÃO PAULO – Comentando os resultados do segundo trimestre, os diretores da Usiminas (USIM3, USIM5) lembraram que apesar da melhora ante o ano passado, as margens ainda estão abaixo dos níveis pré-crise. Além disso, foi enfatizado que o reajuste nos preços anunciado é insuficiente para cobrir os custos maiores – após o aumento do preço de minério de ferro e de carvão.
Em teleconferência realizada nesta quinta-feira (29), os diretores destacaram o aumento de 54% em base anual nas vendas físicas no primeiro semestre deste ano, que totalizaram 3,4 milhões de toneladas.
A margem Ebitda (relação percentual entre geração operacional de caixa e receita líquida) ficou em 24,3%, dando continuidade à recuperação dos últimos períodos. Entretanto, a margem permanece abaixo dos patamares pré-crise – em 2008, a média foi de 38%.
Novidades
As novidades do trimestre – criação da Usiminas Mineração e da Rede Usiminas – foi comentada pela diretoria. No caso da nova empresa, foi reafirmado o cronograma de início de operações em 1º de agosto, quando ela já estará operando como uma empresa independente.
No caso da Rede Usiminas, a intenção é que os distribuidores de produtos siderúrgicos passarão a ser exclusivos, dando condições de atender vários estados – atualmente, são atendidos 15 estados, e a projeção é chegar a 100% dos estados do País.
Investimentos
“Em 2008 foi iniciado um programa robusto na linha de agregar mais valor a produto”, comentaram os diretores, que citaram os novos projetos em curso, cuja previsão é que agreguem R$ 3 bilhões à Usiminas após terminados.
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Os projetos de investimentos envolvem a expansão de chapas grossas (R$ 1,05 bilhão), a nova coqueria (R$ 707 milhões), nova linha de galvanização (R$ 914 milhões) e uma nova linha de tiras a quente (R$ 2,53 bilhões). Os valores referem-se ao capex (gastos com investimentos) de cada projeto.
Terminado esse ciclo de maior agregação de valor ao produto, a ideia é passar para um ciclo com foco no aumento de produtividade e da capacidade produtiva no futuro.
A motivação é simples: atualmente, a capacidade de aço é maior do que a de laminação – ou seja, quando a empresa opera a plena capacidade, precisa exportar o excedente de placas, que “naturalmente tem margens inferiores aos produtos acabados”. Assim, ao término do ciclo de investimentos, a ideia é ter um melhor balanceamento entre os produtos e maior capacidade de laminação relativamente à produção de aço.
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Dados financeiros
Os diretores ressaltaram que os índices de endividamento estão retornando aos níveis pré-crise, com perfil alongado e confortável da dívida – atualmente em cerca de 60 meses. Outro destaque da companhia é o custo da dívida atraente, inferior à taxa Selic.
Separando por unidades de negócio, o impacto do aumento do preço do minério de ferro ficou mais claro – enquanto as margens do segmento de Mineração e Logísitica passaram dos já sólidos 51% no primeiro trimestre para 72% no segundo trimestre, o segmento de Siderurgia passou de margens de 20% para 17%.
De acordo com a diretoria da empresa, os novos preços do carvão ainda não foram refletidos no resultado, em função do nível de estoques da Usiminas, e devem passar a impactar os números da empresa ao final do terceiro trimestre ou início do quarto.
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Porto
A diretoria da empresa traçou três alternativas para a questão do escoamento do minério de ferro: uma é usar sua própria área para chegar ao mar, consequentemente com a criação de um porto. Outra alternativa – cujo contrato com a Doca já foi assinado, e vem sendo alvo de estudos da empresa – é construir um porto na atual área localizada entre as áreas de Vale e CSN, que atualmente pertence à Doca, onde seria construído um píer conjunto para exportação do minério.
A terceira alternativa seria fazer uma parceria com alguém que já esteja fazendo um porto naquela região – segundo eles, a terceira e a segunda alternativa não são excludentes.
Com relação à Santana do Paraíso – projeto já aprovado pelo Conselho de Administração, mas paralisado em função da crise – a Usiminas afimou que está analisando novamente os fundamentos do projeto.
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Exportações e novo reajuste
A empresa afirmou que, com a maior parte dos clientes com estoques elevados de aço, o volume de vendas no mercado interno no terceiro trimestre será afetado, uma vez que eles não terão espaço para estocar – assim, haverá aumento nas exportações.
Sobre um novo reajuste de preço, a empresa divulgou que as negociações estão começando neste momento. Após a mudança na precificação do minério de ferro, a empresa optou por alterar sua estratégia para ajustes de preço trimestrais. Sobre o último reajuste, os diretores afirmaram que ele não é suficiente para cobrir a maior pressão de custos.