Reconstrução

Usiminas pode se beneficiar com quebra de siderurgia no Japão, dizem analistas

Para Vale, danos com terremoto devem ficar em segundo plano, atrás de royalties e governança, que seguem como drivers

Por  Ricardo Guimarães Vieira -

SÃO PAULO – Apesar do sofrimento humano e de e reflexos negativos no curto prazo, catástrofes naturais como a ocorrida no Japão costumam trazer benefícios a grandes produtores de insumos no longo prazo, avalia o economista Julio Hegedus Netto, da Interbolsa, citando a Usiminas (USIM3,USIM5) e Vale (VALE3,VALE5) como potenciais beneficiárias da reconstrução do país.

Segundo Max Bueno, da Spinelli Corretora, a Usiminas deverá ter uma performance mais favorável no curto prazo, uma vez que a paralisação de três siderúrgicas no Japão podem aumentar a demanda pelo aço brasileiro, em uma operação facilitada por uma das controladoras da empresa, a Nippon Steel, que já possui forte penetração no mercado japonês.

Drivers para Vale são outros
A opinião de ambos os analistas convergem para perdas, ainda que na margem, para a Vale no curto prazo, entretanto Hegedus destaca que a questão da cobrança dos Royalties e de governança da empresa deverão seguir como principais focos para as ações.

Dessa forma, ficam em segundo plano os danos no Japão – terceiro mercado para a companhia em 2010, responsável por receita de US$ 5,24 bilhões, ou 11,3% do total registrado no período.

Essa fatia da receita é um dos motivos citados por Leonardo Corrêa e Renato Antunes, do Barclays, para demonstrar preocupações acerca dos efeitos da catastrofe para a Vale.

Para a dupla, mesmo que as principais siderúrgicas do Japão não tenham sido atingidas, o racionamento de energia já iniciado pode afetar diretamente a demanda do país que responde sozinho por 8% da produção mundial de aço.

Pânico temporário derruba minério
Frente às incertezas, os analistas do Barclays apontam que pode estar havendo um pânico temporário no mercado de minério de ferro, que já derrubou em 5,6% o preço spot da commodity, para US$ 168/dmt (tonelada métrica seca).

Procuradas, tanto Usiminas quanto Vale optaram por não se pronunciar acerca de estimativas de perdas, suspensão de pedidos e perspectivas para o mercado japonês.

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