Usiminas: JPMorgan vê mercado de aço mais protegido e eleva USIM5; ação sobe

Medidas antidumping e o aumento das tarifas de importação já começam a reduzir a entrada de aço estrangeiro no país

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Trabalhadores da siderúrgica Usiminas em Ipatinga, Minas Gerais (Foto: REUTERS: Alexandre Mota)
Trabalhadores da siderúrgica Usiminas em Ipatinga, Minas Gerais (Foto: REUTERS: Alexandre Mota)

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O JPMorgan elevou a recomendação para as ações da Usiminas (USIM5) de neutro para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e aumentou o preço-alvo de R$ 5,50 para R$ 11,50 por ação, citando uma inflexão positiva nos lucros diante de um mercado brasileiro de aço plano mais protegido e dos primeiros sinais de recuperação dos preços domésticos. As ações da siderúrgica fecharam com ganhos de 2,04%, cotadas a R$ 8,99.

Segundo o banco, medidas antidumping e o aumento das tarifas de importação já começam a reduzir a entrada de aço estrangeiro no país. A expectativa é de que uma decisão antidumping para bobinas a quente (HRC, na sigla em inglês para hot rolled coil) seja aprovada até julho, o que deve ampliar a proteção para o portfólio da Usiminas.

O JPMorgan destaca que a siderúrgica já implementou reajustes de preços de cerca de 4,3% no primeiro trimestre de 2026 e novos aumentos médios de aproximadamente 3% em abril nos principais canais de venda. Para o banco, esse movimento representa apenas o início de um ciclo de recomposição de preços.

Com a revisão das projeções, o JPMorgan estima que a Usiminas negocie a 4,3 vezes o valor da firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) projetado para 2026 e 3,4 vezes para 2027. O banco também vê geração de caixa livre (FCF, fluxo de caixa livre) atrativa, com yields de aproximadamente 15% em 2026 e 13,5% em 2027.

A instituição ressaltou ainda a elevada alavancagem operacional da companhia, argumentando que pequenas melhorias em preços e custos podem gerar impacto relevante nos resultados. A projeção é que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcance R$ 3,1 bilhões em 2026 e R$ 3,7 bilhões em 2027.

Usiminas pode ter benefício tributário bilionário

O JPMorgan também introduz uma tese adicional de valorização ligada a uma recente mudança de interpretação tributária no Brasil envolvendo juros sobre capital próprio (JCP). No fim de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou que empresas brasileiras podem deduzir JCP do imposto de renda mesmo com base em exercícios anteriores, criando uma espécie de “estoque” de créditos tributários.

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Segundo os cálculos do JPMorgan, a Usiminas poderia ter um benefício potencial de cerca de R$ 1,3 bilhão em um cenário conservador, equivalente a aproximadamente 12% do valor de mercado da companhia.

O banco pondera que a monetização dessa oportunidade ainda depende de estudos internos e decisões da administração, mas destaca que o potencial é real e cita a B3 (B3SA3) como uma empresa que já começou a agir com base nessa decisão judicial.