Usiminas e Petro lideram perdas da semana em meio a cortes de recomendação

Ação ON da Usiminas desabou 7,5% e liderou as quedas do Ibovespa, seguida pelos ativos da Petrobras, que caíram mais de 5%

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SÃO PAULO – Com ambas as empresas sendo alvo de corte de recomendações, as ações ON e PN de Usiminas e Petrobras registraram as quatro maiores quedas do Ibovespa na semana.

No extremo do índice, aparecem os papéis ordinários da siderúrgica (USIM3), que acumularam perdas de 7,46% entre os dias 4 e 8 de outubro. Logo atrás, aparece a Petrobras, com as ações PN (PETR4) e ON (PETR3) recuando 5,45% e 5,23%, respectivamente. A quarta posição ficou com os ativos PNA da Usiminas (USIM5), que acumularam queda de 4,54% entre os dias 4 e 8 de outubro.

Usiminas e Petrobras na semana
Ativo Variação Fechamento
USIM3 -7,46% R$ 24,56
PETR4 -5,45% R$ 26,00
PETR3 -5,23% R$ 29,00
USIM5 -4,54% R$ 21,32

Vale mencionar que os papéis da petrolífera se livraram de ocupar o posto de pior performance do Ibovespa no período, já que no último pregão da semana as ações preferenciais subiram 2,77%, enquanto os ativos ordinários avançaram 2,44%, amenizando assim o desempenho acumulado.

Usiminas
Não enxergando um bom momento para as siderúrgicas brasileiras, o Goldman Sachs revisou para baixo as estimativas para as principais empresas do setor. A mais afetada delas foi a Usiminas, que não só teve os preços-alvos das ações PNA e ON rebaixados R$ 26,50 para R$ 23 e R$ 25,00, respectivamente, como também viu a recomendação cair de neutra para venda. De acordo com os analistas Marcelo Aguiar e Pedro Grimaldi, que assinam o relatório do banco, essa nova classificação encontra-se bem mais alinhada ao viés bearish (baixista) da empresa para os próximos anos.

Além disso, a dupla mostra que suas projeções de lucro para a companhia estão bem abaixo do consenso do mercado. O lucro por ação esperado pelo Goldman Sachs em 2010 é de R$ 0,97, 37% menor do que os R$ 1,53 por ação apresentados pelo consenso de analistas consultados pela Bloomberg. Já para 2011 e 2012, o banco espera ganhos por ação de R$ 1,52 e R$ 2,27, respectivamente, contra R$ 2,54 e R$ 3,01 do consenso da Bloomberg.

Depois do Goldman Sachs, quem também cortou a recomendação para Usiminas foi o Deutsche Bank. O analista Rodrigo Barros acredita que o cenário competitivo para o mercado brasileiro de aço prejudicará bastante as empresas que possuem forte exposição de suas receitas ao setor. Com isso, o call para Usiminas passou de compra para neutra e o preço-alvo foi cortado em R$ 10, indo para R$ 32 para os ativos preferenciais.

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“Assumimos agora que o prêmio doméstico em relação às importações será de 10%, em vez da projeção anterior, que girava entre 15% e 25%”, afirma Barros. Sobre o preço do aço dentro do Brasil, vale a pena mencionar: as siderúrgicas brasileiras diminuíram o prêmio do produto fabricado, com o intuito de reduzir a competição em relação às produtoras estrangeiras, que têm ganhado significativa participação no mercado brasileiro.

Utilizando dados do INDA (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço), o analista do Deutsche mostra que o total de aço plano importado entre janeiro e agosto deste ano é 167% maior do que em comparação com o mesmo período de 2009.

Petrobras
Outra que sofreu com os cortes de recomendações foi a Petrobras. Além das cinco casas de research já haviam revisado o preço-alvo esperado para suas ações e/ou seus ADSs (American Depositary Shares) entre a estreia das suas novas ações na BM&F Bovespa e a última quinta-feira (7) – sendo que duas dessas casas, a Itaú 
Corretora e o Barclays Capital, também rebaixaram a recomendação -, juntou-se a esse grupo a equipe da Fator Corretora.

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“Revisamos nossas projeções para a Petrobras em função da operação de oferta primária de ações, aquisição dos direitos de exploração de 5 bilhões de barris de petróleo equivalente, incorporação dos resultados do 2T10 e alteração das premissas macroeconômicas. (…) acreditamos que a Petrobras segue com bons fundamentos, porém não possui eventos significativos de curto prazo para alterar o viés negativo do mercado sobre a companhia”, explicam os analistas Rodrigo Fernandes e Hering Shen, que assinam o relatório da Fator.

Diante disso, o preço-alvo esperado para as ações preferenciais em dezembro de 2011 despencou de R$ 49 para R$ 36. A recomendação de manutenção, no entanto, foi mantida por Fernandes e Shen.

Além da questão da diluição do capital da empresa após o processo de capitalização, outros pontos que foram criticados pelos analistas das outras casas de research foram os riscos políticos implícitos no investimento, principalmente com a maneira que o próximo governo utilizará a Petrobras como ferramenta política.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers