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SÃO PAULO – O Ibovespa acentuou perdas nesta tarde, destoando do movimento internacional enquanto o cenário político seguiu ditando o humor dos investidores. Mais cedo, a fala do presidente do PP, Ciro Nogueira, puxou a Bolsa para baixo, após ele afirmar que, pelo menos até a votação do impeachment na Câmara, o partido vai continuar na base aliada do governo da presidente Dilma Rousseff. “Há tendência de rompimento na cabeça de alguns. Mas, ficou claro que a maioria não quer romper com o governo da presidente Dilma”, completou o senador.
Por outro lado, nesta tarde, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) apresentou parecer favorável ao pedido de impeachment de Dilma, que deve ser julgada pelo Senado. O relatório ainda será votado pelos 65 deputados da Comissão Especial de Impeachment. A sessão desta quarta-feira foi suspensa para a distribuição do relatório aos parlamentares.
Com o mercado pressionado pelo noticiário político, as ações Petrobras caíram nesta sessão, apesar da alta de cerca 5% dos preços do petróleo no mercado internacional. O contrato brent, que já registrava alta após o Kuwait dizer que produtores podem fazer acordo para congelar produção mesmo sem participação do Irã, intensificou ainda mais os ganhos após os dados de estoque de petróleo nos EUA. O estoque de petróleo caiu para 4,9 milhões, o que surpreendeu o mercado.
Veja os destaques da Bovespa nesta sessão:
Petrobras (PETR3, R$ 9,73, -0,92%; PETR4, R$ 7,58, -3,19%)
As ações da Petrobras tiveram dia turbulento na Bolsa, de olho no cenário político, que afastou a estatal dos preços do petróleo. O contrato brent subia 4,81%, a US$ 39,69 o barril, após um possível acordo de congelamento de produção entre países produtores de petróleo e depois de dados de estoque. Na véspera, as ações da companhia se recuperaram parcialmente da baixa da segunda-feira, quando os papéis desabaram 9% em meio à possibilidade de redução do preço dos combustíveis.
A Folha de S. Paulo destaca esse assunto hoje, afirmando que a presidente Dilma Rousseff e a sua equipe decidiram reduzir o preço da gasolina e do diesel, de forma a criar uma agenda positiva para o governo. Porém, a medida não foi adotada por conta da reação contrária do Conselho de Administração da Petrobras.
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Além disso, segundo o jornal Valor, a diretoria executiva da Petrobras já sabia em 2014 que a rentabilidade dos seus 59 maiores principais projetos em andamento seria reduzida em US$ 45 bilhões, ou R$ 165 bilhões ao câmbio atual, frente ao esperado, por causa de projeções otimistas adotadas nos cálculos que balizaram a aprovação desses investimentos, anos antes. Segundo o jornal, a perda de rentabilidade não guardava relação com a oscilação do preço do petróleo e dizia respeito apenas à eficiência de planejamento e execução. Os projetos que, quando aprovados, teriam retorno esperado de US$ 109 bilhões, tiveram mais de 40% do ganho estimado reduzido por variações negativas em relação às premissas usadas para prazo, produção, custo operacional e investimento.
Vale (VALE3, R$ 15,07, -1,44%;VALE5, R$ 11,40, -2,40%)
Em dia agitado, as ações da Vale voltaram a cair, seguindo desempenho negativo dos contratos futuros e à vista do minério de ferro nesta quarta-feira na China, em meio à pressão de um aumento de produção, que elevou os estoques nos portos chineses para o maior nível em um ano. A commodity com entrega imediata no porto chinês de Tianjin teve queda de 0,4%, para US$ 53,80 a tonelada.
Acompanharam o movimento negativo os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 6,14, -1,60%), holding que detém participação na mineradora, e as siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 1,45, -9,38%) e Gerdau (GGBR4, R$ 6,25, -4,14%). Destoaram do dia de quedas as ações da CSN (CSNA3, R$ 7,65, +0,79%).
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Em destaque, a Vale reduziu a projeção de investimentos em 2016 para 5,5 bilhões de dólares, ante estimativa de 6,2 bilhões de dólares anunciada em dezembro, segundo apresentação do diretor financeiro da mineradora, Luciano Siani, divulgada nesta quarta-feira.
Segundo o material, a Vale conta com “desinvestimentos potenciais” para equilibrar o caixa e fortalecer o balanço, sendo que no período 2016-2016 serão avaliadas transações envolvendo ativos essenciais, “com o objetivo de reduzir a dívida líquida em 10 bilhões de dólares”.
Bancos
Após terem uma leve recuperação na véspera, os bancos voltaram a cair, de olho no cenário político, com o ambiente para o impeachment se tornando mais incerto. O Itaú (ITUB4, R$ 29,50, -2,86%), Bradesco (BBDC4, R$ 25,90, -3,07%) caíram cerca de 3%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,18, -0,93%) teve queda mais amena. Além disso, destaque para o relatório do BTG Pactual comentando o roadshow com os bancos. “O discurso do Itaú continua mais conservador do que o do Bradesco, mas ambos indicam crescimento de carteira muito abaixo e crescimento forte de Previsão de Devedores Duvidosos”, destacam os analistas.
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BM&FBovespa (BVMF3, R$ 14,96, -4,23%) e Cetip (CTIP3, R$ 41,08, +1,06%)
Os conselhos de administração da BM&FBovespa e Cetip devem aprovar fusão das duas empresas nas próximas 48 horas, segundo fonte disse à Reuters nesta tarde. Mais cedo, coluna de Sonia Racy, do jornal O Estado de S. Paulo, afirmava que a fusão já havia sido aprovada e só faltava o aval dos respectivos conselhos das empresas para fechar operação avaliada em R$ 40 bilhões.
Em comunicado ao mercado, a BM&FBovespa informou “que não existe qualquer nova informação que justifique a divulgação de novo fato Relevante ou que deva ser comunicada ao mercado, sobre a oferta realizada em 19 de fevereiro” além do que já foi informado pela companhia.
Marfrig (MRFG3, R$ 6,55, +2,99%)
As ações da Marfrig dispararam após a companhia ter acertado a venda de unidades na Argentina para a Black Bamboo Enterprises, do grupo chinês Foresun, por um valor total de cerca de 75 milhões de dólares. “Apesar de alguns poderem questionar o movimento (em vista do melhor outlook na Argentina), acreditamos que o movimento foi positivo, pois irá permitir uma desalavancagem ainda maior e a otimização da estrutura da companhia”, afirmam os analistas do BTG.
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Elétricas
Apesar da falta de notícia no radar do setor, as ações das elétricas apareceram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta sessão, com os papéis da Cemig (CMIG4, R$ 6,78, -5,83%), Cesp (CESP6, R$ 14,72, -6,30%), CPFL Energia (CPFE3, R$ 18,43, -4,26%) e Copel (CPLE6, R$ 26,60, -3,80%). Essa foi a quinta queda seguida das ações da Cemig, período em que acumularam perdas de 19,6%. A correção veio após o papel ter batido dia 30 de março o maior patamar desde agosto de 2015. De 19 de janeiro até o fim do mês passado, a ação da elétrica disparou 95%.
Ser Educacional (SEER3, R$ 10,70, +1,42%)
A Ser Educacional subiu após a companhia ter informado ao mercado nesta terça-feira que a captação de alunos no primeiro trimestre caiu 12,5 por cento na comparação anual, a 39.935 estudantes. Excluindo os 8,3 mil alunos captados durante o primeiro semestre de 2015 que não tiveram acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e desistiram da matrícula, este número teria crescimento de 7 por cento.
No ensino presencial, o número de alunos caiu 15,3 por cento, enquanto na educação a distância (EAD), houve avanço de 65,5 por cento. Ao final do primeiro trimestre, do total de alunos captados, 9,2 mil alunos vieram por meio de crédito estudantil, sendo 600 do Pravaler, 300 do Educred e 8,3 mil do Fies. “O total de novos contratos finalizados do Fies até o momento atingiu 9,7 mil (sendo 8,3 mil calouros e 1,5 mil veteranos), um aproveitamento até o momento de aproximadamente 50,4 por cento das 19,1 mil vagas alocadas pelo Governo Federal para a companhia”, disse a Ser em comunicado ao mercado nesta terça-feira. O indicador de rematrícula referente ao período atingiu 90,3 por cento da base renovável. A base total da educação presencial da Ser foi de 135,4 mil alunos.
Suzano e Fibria
Após a forte queda na véspera com a baixa dos preços do papel e celulose na véspera, a Fibria (FIBR3, R$ 30,38, +1,06%) teve movimento de recuperação e registrou alta nesta quarta, enquanto Suzano (SUZB5, R$ 11,19, -2,36%) seguiu em queda.
Localiza (RENT3, R$ 31,30, -0,16%)
Para analistas do BTG Pactual, o resultado da Localiza do 1° trimestre de 2016, que será divulgado dia 27 de abril, deve vir forte. Os números devem superar a projeção do consenso do mercado, com Ebitda e lucro líquido crescendo marginalmente na comparação anual, com destaque positivo para performance sólida no RAC (tanto volumes como margem EBITDA). Diante das projeções, os analistas revisaram o preço-alvo das ações da Localiza, de R$ 31,00 para R$ 33,00, mas reiteraram recomendação neutra.
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