Indústria

Unipar Carbocloro (UNIP6) vê lucro mais que dobrar no 4º trimestre e anuncia dividendos extraordinários

A companhia vai propor em assembleia a distribuição adicional de R$ 250,0 milhões referentes ao exercício de 2021

Por  Augusto Diniz -

A Unipar Carbocloro (UNIP6) registrou lucro líquido de R$ 687,9 milhões no quarto trimestre de 2021 (4T21), o que representa um crescimento de 138% em relação ao mesmo trimestre de 2020, com efeitos não-recorrentes do ajuste do preço de aquisição da Unipar Indupa SAIC de R$ 448,0 milhões e de R$ 13,7 milhões referentes a reconhecimento de créditos de PIS/COFINS.

O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado cresceu 183,8% no último trimestre de 2021, totalizando R$ 1,152 bilhão.

A receita líquida somou R$ 2,019 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado, alta de 75,1% na comparação com igual etapa de 2020, influenciada pelo aumento dos preços internacionais da soda cáustica e do PVC.

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Dividendos

Em 2021, a Unipar distribuiu R$ 1,4 bilhão em dividendos referentes ao exercício de 2021 e à reserva de lucros de exercícios anteriores

O Conselho de Administração examinou, nesta quarta-feira (16), a Proposta da Administração para a AGOE a ser realizada em 20 de abril de 2022.

Para a AGOE, a companhia propõe, dentre outras matérias, a distribuição adicional de R$ 250 milhões referentes ao exercício de 2021 e o aumento de capital social mediante a capitalização de parte da reserva de lucros, com bonificação de ações.

Mais informações do balanço da Unipar (UNIP6)

As despesas gerais e administrativas consolidadas totalizaram R$ 154,4 milhões no quarto trimestre de 2021, 42,5% superior ao 4T20, devido, principalmente aos serviços relacionados ao acordo assinado com a vendedora da Unipar Indupa SAIC e demais serviços de consultoria e jurídicos relacionados a projetos de energia já divulgados ao mercado.

O lucro bruto totalizou R$ 937,2 milhões no 4T21, um aumento de 86% em relação ao mesmo trimestre de 2020.

A margem bruta atingiu 46,4% no último trimestre do ano passado, alta de 2,8 p.p. na comparação com igual etapa de 2020.

No 4T21, o CPV Consolidado foi de R$ 1,082 bilhão, crescimento de 66,4% sobre o mesmo período de 2020.

O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 46 milhões no quarto trimestre do ano passado, revertendo os ganhos financeiros de R$ 37,6 milhões no quarto trimestre de 2020.

Redução da dívida

A dívida líquida da companhia ficou em R$ 147,6 milhões no final de dezembro de 2021, recuo de 63,1% em relação ao mesmo período de 2020.

Christian Schnitzlein, CFO da Unipar, justificou a redução da dívida líquida de R$ 400,2 mi para R$ 147,6 mi, ou seja, -63,1%, pela gestão de custos nesse ciclo de alta dos produtos da empresa, gerando excedente de caixa.

“Como em 2021 os investimentos foram mais concentrados na eficiência, a gente preferiu o canal de dividendos. Então distribuímos R$ 1,4 bilhão de dividendos, para tentar balancear a estrutura de capital”, disse.

Segundo ainda o executivo, a empresa persegue um “target de alavancagem de 1 vez, porque num ciclo de baixa pode se tornar 2 vezes ou 2,5 vezes”.

“Fomos mais eficientes na geração da caixa para ficar mais desalavancado”, disse, acrescentando que a empresa olha a curto prazo por ter demanda de mercado cíclica.

“É importante ressaltar o ciclo de commodities. Foi um ciclo bastante positivo, e as demandas intensas”, disse. Registra-se que houve aumento dos preços internacionais de commodities, como a soda cáustica e o PVC, dois dos três produtos que a empresa industrializa – o terceiro é o cloro.

Autoprodução de energia

A Unipar firmou no final do passado um acordo de investimentos com a AES Brasil para a constituição de uma joint venture de geração de energia eólica, no Complexo Eólico Cajuína, no Rio Grande do Norte.

A companhia já havia firmado com a AES uma joint venture para o complexo Eólico Tucano, na Bahia, que entra em operação do segundo semestre desse ano.

Em 2021, a Unipar também firmou parceria com a Atlas Renewable Energy para desenvolver um projeto para geração de energia solar por meio do Complexo Solar Pirapora, em Minas Gerais.

“Somo um consumidor intensivo de energia. Para produção de cloro e soda, é nosso principal custo variável. Para toda a companhia, é o segundo maior custo variável”, explica Christian Schnitzlein, CFO da Unipar.

“Estamos falando então que 30% do custo variável da companhia é energia. Sempre fizemos contratos de longo prazo, não podemos ficar no mercado spot. Tem que ter isso contratado. Sendo autoprodutor, a gente consegue uma diminuição de custo”, analisa.

Os três projetos de autoprodução da Unipar representam 80% da necessidade da empresa no País. Os empreendimentos terão capacidade total instalada de 485 MW de energia, dos quais 149 MW serão destinados ao consumo da Unipar.

“A gente tem espaço para mais. Mas algumas incertezas quanto a insumos tem feito os projetos ficarem mais caros. Aliado a isso, a legislação é fator de risco, uma vez que a regulação muda de tempos e tempos”, afirma.

“O projeto de energia impacta no custo variável direto e o resultado vai pro Ebidta. Por isso é o drive muito importante para gente”, complementa.

Produção acima da média

Na planta de Cubatão (SP), a Unipar informou que a utilização da capacidade instalada no 4T21 foi de 91%. Nas plantas de Santo André (SP) e Bahía Blanca (Argentina), os índices de utilização de capacidade demonstram um comportamento acima da média sazonal, segundo a empresa.

Em novembro, a companhia iniciou um projeto para ampliação da produção de cloro e soda na planta de Santo André. A previsão de investimento é de R$ 100 milhões.

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