União Europeia quer bloquear agências de classificação de risco em crises

Comissão reguladora do mercado de capitais acredita que instituições têm sua parcela de culpa na piora do bloco

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SÃO PAULO – Uma proposta da comissão de regulação dos mercados da União Europeia pode fazer com que as agências de classificação de risco sejam impedidas momentaneamente de publicarem suas notas de crédito em tempos de crise.

Michel Barnier, ex-ministro das Relações Exteriores francês e hoje comissário europeu responsável pelo projeto, afirma em entrevista à agência de notícias Reuters que essas instituições têm sua parcela de culpa nos problemas de confiança que hoje afetam a Europa. “Se não considerarmos os ratings apropriados, poderíamos bani-los ou suspendê-los pelo tempo necessário”, diz.

Problemas para o EFSF
A sugestão vem após a Moody’s alertar a França de que seu rating, hoje em Aaa, o mais alto, pode ser cortado. Essa decisão pode fazer com que o EFSF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) encontre problemas para futuras captações, o que dificultaria possíveis resgates ao bloco.

Um dos trunfos do fundo é justamente se aproveitar da nota máxima de seis países, entre eles o francês, para conseguir o financiamento. No domingo, líderes da Zona do Euro e da UE vão se reunir em Bruxelas para discutir novos pontos do mecanismo de auxílio e tentar acalmar a aversão ao risco e a falta de confiança na Europa.

Restrições
Mesmo que a proposta de regulação seja aprovada, os europeus não conseguiriam fazer com que Standard & Poor’s e Fitch, duas das mais importantes agências que são baseadas nos Estados Unidos, tenham que seguir a nova lei.

A Moody’s, em resposta ao projeto de Barnier, afirma que, caso seja aprovada, a determinação poderia diminuir ainda mais a confiança em títulos europeus, bloquear o acesso ao mercado de capitais na Zona do Euro, além de aumentar a volatilidade no bloco, de acordo com a Reuters.