Primeiras leituras

Uma agenda positiva para Dilma em junho

Programa de concessões, Plano de Safra, nova etapa do Minha Casa Minha Vida e um plano de exportações serão lançados no mês que vem para mostrar que o governo não está paralisado e sair da agenda negativa de ajuste e cortes

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Informa o jornal “O Globo” que o governo está organizando para o mês que vem pelo menos quatro eventos para lançar programas prometidos e adiados, uma espécie “agenda positiva” para Dilma Rousseff para tentar exorcizar o baixo astral que permanentemente tem rondado o Palácio do Planalto nesse segundo mandato da presidente.

Aliados e ministros estão cada vez mais incomodados com o que muitos já chamam de “agenda negativa”: ajuste fiscal, com cortes e gasto e ameaça de aumentos de impostos. E a falta de sinais para a retomada real da economia brasileiro

O pacote junino: (1) Plano de Safra 2015/2016, com a garantia de que o setor terá financiamento absoluto dos bancos públicos; (2) o programa de investimentos em infraestrutura, de R$ 150 bilhões; (3) Plano Nacional de Exportações, com foco na África e nos países do Mercosul; (4) Terceira Etapa do Minha Casa Minha Vida com novas regras para adesão e a previsão de construção de três milhões de novas moradias.

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Com isso Dilma pretende, também, mostrar que o governo não está paralisado, uma crítica que até seu mentor, o ex-presidente Lula, tem feito ultimamente a ela. Em recente conversa com senadores na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros, Lula reclamou da inércia de Dilma. Análise hoje no “Valor Econômico” de Rosângela Bittar mostra Lula e parte do PT preparando o desembarque do governo.

Negócios da China

Para o sucesso de um dos principais programas da agenda positiva, o de  concessão de infraestrutura, e de também de atração de investimentos, é essencial que sejam bem sucedidos grande parte dos 35 acordos que a presidente Dilma Rousseff assinou com o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, com previsão de aporte de US$ 53,3 bilhões da poupança chinesa no Brasil.

Não só porque entra dinheiro, como dá para outros investidores demonstrações de que ainda há confiança no Brasil, embora os negócios no mundo inteiro com a China tenham certas peculiaridades.

“O Brasil atribui grande importância à assinatura desse acordo sobre investimento e capacidade produtiva, nas áreas de energia elétrica, mineração, infraestrutura e manufaturas”, saudou a presidente Dilma.

O pacote chinês tem de tudo um pouco, desde US$ 7 bilhões para a Petrobrás, até a retomada da compra de carne do Brasil, compra de um banco, compromissos de compra de aviões, criação de um fundo para investimentos e até uma extensa ferrovia para o Pacífico. É para comemorar, como o governo está fazendo e ainda vai bater muito bumbo com isso.

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Porém, é preciso um pouco de cautela. Negócios efetivos, imediatos, são poucos. A maior parte é “carta de intenção”, projetos que ainda vão ser estudados, promessas. E tudo mundo como os chineses são duros em suas negociações efetivas. E exigentes nas contrapartidas que desejam.

Mais boas notícias

Além dos negócios chineses, a terça-feira trouxe outras boas notícias para um governo em permanente defesa. Foi para Dilma um dia como ela talvez não tenha tido ainda desde o início de seu segundo mandato – para o lado bom, diga-se, o que pode ajudar a afastar o baixo astral que tem permanentemente rondado o Palácio do Planalto.

O governo colheu inúmeras vitórias no Congresso, a maior fonte de seus dissabores atualmente. Duas especialmente são destaque: a aprovação, com margem a tranqüila margem de 52 a 27 do nome do advogado paraense Luiz Fachin para o Supremo Tribunal Federal e a aprovação na Câmara da Medida Provisória que aumenta alguns impostos de importação.

Contudo, veio também um dissabor: a rejeição, pela primeira vez na história, da indicação do diplomata Guilherme Patriota para a Organização dos Estados Americanos. O Senado parece ter pretendido dar um recado à presidente com isso.

E há outras ameaças: a tendência dos senadores, hoje, é aprovar o projeto de terceirização da mão-de-obra como ele saiu da Câmara. Dilma já disse que é contrária às mudanças nessas regras e mandou avisar que vetará o projeto. O que pode reabrir as feridas entre Congresso e governo.

Outros destaques dos jornais do dia

– ATIVIDADE ECONÔMICA – A quantidade de dívidas atrasadas no País cresceu 14,9% no primeiro quadrimestre do ano em relação ao mesmo período de 2014, de acordo com indicador de inadimplência da Serasa Experian. Para Luiz Rabi, economista da instituição,esse crescimento foi causado, principalmente, pelo aumento do desemprego,mas também pela alta da inflação e dos juros. As dívidas bancárias subiram 8,2% na passagem de março para abril deste ano e elevaram a inadimplência em 1,8%. Em contraste com esse aumento, foi registrada queda nos outros três componentes do indicador: títulos protestados (-14,8%), cheques sem fundos (-10,7%) e dívidas não bancárias (-2,6%), como as contraídas em lojas em geral, com gastos de energia elétrica, água e telefonia, entre outras.

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– CONSUMO – A piora do mercado de trabalho em um ambiente desfavorável, com juros altos e crédito mais caro, levou a intenção de consumo das famílias em maio a seu mais baixo patamar em seis anos. Segundo a Confederação Nacional do Comércio, o Indicador de Consumo das Famílias (ICF) mostrou um recuo de 6,3% em relação a abril e de 21,2% em relação a maio do ano passado. A retração em relação a 2014 foi a pior da séria histórica do indicador, iniciada em janeiro 2010.

– INDÚSTRIA/DESEMPREGO – A indústria completou, em março, três anos e meio de demissões, e hoje emprega o menor contingente de trabalhadores em toda a série histórica da pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em dezembro de 2000. Em alguns setores, as dispensas de trabalhadores são realidade há mais tempo. O segmento de vestuário está há quase cinco anos diminuindo o quadro de funcionários, enquanto têxtil, calçados e couro se aproximam dos quatro anos no vermelho. Na indústria geral, são 42 reduções seguidas na comparação com igual mês do ano anterior. Em março, o recuo de 5,1% nesta comparação foi o mais intenso desde outubro de 2009 e levou o emprego ao menor nível já registrado em toda a série, iniciada em dezembro de 2000.

– BNDES/LULA – A Procuradoria da República do Distrito Federal cobrou nesta terça-feira do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esclarecimentos sobre a relação dele com a construtora Odebrecht e determinou que o petista explique viagens que fez, pagas pela empreiteira, para países da América Latina e da África. As suspeitas da procuradora da República Mirella de Carvalho Aguiar são de que o petista, entre 2011 e 2014, tenha praticado tráfico de influência em favor da empresa. Para o MP, é preciso apurar ainda a atuação de Lula na concessão de empréstimos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o contexto em que o petista viajou, às custas de empresas, para negociar contratos. Reportagem de VEJA revelou que Taiguara Rodrigues dos Santos ganhou contratos de obras após o ex-presidente Lula ter viajado, com dinheiro da Odebrecht, para negociar transações para a empreiteira. Em 2012, por exemplo, a Exergia Brasil, de Taiguara, foi contratada pela Odebrecht para trabalhar na obra de ampliação e modernização da hidrelétrica de Cambambe, em Angola.

– BNDES – Em período de ajuste fiscal, o Senado aprovou nesta terça-feira a liberação de mais 50 bilhões de reais para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2015. O valor será usado para elevar o caixa do banco e financiar projetos de infraestrutura a juros subsidiados. Para bancar o valor liberado, a União terá três opções: sacrificar parte do ajuste, usar recursos contingenciados de outras áreas ou emitir dívida. Contudo, a aprovação é necessária para costurar o pacote de concessões que deve ser lançado em junho, e que englobará rodovias, aeroportos, hidrovias, portos e ferrovias. Com a Selic nas alturas, a única forma de atrair o setor privado para as concessões é por meio do financiamento do banco de fomento. O texto é o mesmo que havia sido aprovado pela Câmara na semana passada – com alterações em relação à proposta original do governo.

E mais:

– “STF quebra sigilo bancário de advogado ligado a Renan” (Globo)

– “Governo planeja mudar FI-FGTS para repassar R$ 10 bilhões ao BNDES” (Globo)

– “Em áudio, Graça fala em “gestão temerária” na Petrobras” (Estadão)

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– “Artifício contábil ajudou Petrobras lucrar mais no 1º trimestre” (Folha)

– “Ata confirma versão de Dilma sobre Pasadena” – (Valor)

– “Tesouro continua “pedalando” equalização dos juros do BB” (Valor)

LEITURAS SUGERIDAS

1.      Joaquim Falcão ; “Fachin, a hora da verdade” (sobre a nomeação do novo ministro do STF) – Globo

2.      Elio Gaspari – “A conta está barata para o PSDB” (comenta a forma como os tucanos estão tratando os problemas do governador Beto Richa no Paraná)

3.      Editorial – “O pesadelo de Lula” (analisa as “perspectivas sombrias” para o futuro do ex-presidente) – Estadão

4.      Editorial – “Setor quase imóvel” (a respeito da crise que atinge a construção civil, que terá seu pior ano em mais de uma década) – Folha

5.      Delfim Netto – “Amarga derrota” (sobre o fim do fator previdenciário) Folha

6.      Cristiano Romero – “A nova postura do Banco Central” (a respeito da mudança de enfoque do BC) – Valor

7.      Rosângela Bittar – “Lula articula frente sem governo Dilma” (comenta a nova estratégia política do ex-presidente) – Valor