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SÃO PAULO – John Kenneth Galbraith morreu aos 97 anos, em Cambridge. Um dos ícones da teoria econômica no século XX, o ex-professor de Harvard deixou o balanço de um heterodoxo sempre pronto a polemizar. “Se não podemos confortar os prejudicados, ao menos prejudiquemos os confortados”, ensinou aos alunos.
Aplicando suas idéias de planejamento estatal e crítica aos pretensos axiomas da economia de mercado, Galbraith foi conselheiro de diversos governos democratas nos Estados Unidos. Fugindo do estritamente econômico, posicionou-se contra a Guerra do Vietnã e presidiu a Academia Americana de Artes e Letras.
Os clássicos de Galbraith
Publicado em 1958, o livro “A Sociedade Afluente” colocou o nome de Galbraith nas principais bibliotecas de economia do mundo. A crítica à sociedade de consumo norte-americana serviu de base a noções modernas de desenvolvimento sustentável e de que é preciso equilibrar valores públicos e privados.
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Outros clássicos do autor, que extravasaram posições ideológicas, foram “The Great Crash” – descrição do Crash da Bolsa de Nova York em 1929 – e “A Short History of Financial Euphoria” – compêndio de movimentos irracionais associados a bolhas financeiras.
Uma herança contínua
A herança deixada por John Kenneth Galbraith foi uma rara contribuição à crítica de afirmações antes intocáveis no campo econômico. Crítica que não poderia se esquivar da própria noção de economia.
“A economia não é uma ciência, mas sim uma interpretação contínua das circunstâncias correntes”, escreveu em “O Pensamento Econômico em Perspectiva”, 1987. Uma intepretação contínua, para além dos 97 anos.