Repercussão do balanço

Ultrapar (UGPA3) tem recuperação das margens da Ipiranga, mas fluxo de caixa é destaque negativo

Recuperação de margens deve ajudar investidores a recuperar a confiança, dizem analistas, mas algumas casas destacam preferência por outros papéis

Por  Felipe Moreira, Augusto Diniz -

Os resultados apresentados pela Ultrapar (UGPA3) na última quarta-feira (3)  foram avaliados como positivos pelos analistas consultados, sendo o principal destaque a evolução contínua das margens da Ipiranga.

Para Morgan Stanley, a Ipiranga apresentou uma sólida recuperação de margens (15% acima do previsto), o que deve ajudar os investidores a recuperar a confiança no investimento em Ultrapar. Mas fluxo de caixa negativo e questões de alocação de capital em aberto devem impedir uma reclassificação por enquanto.

A margem Ebitda (Ebitda sobre receita) da Ipiranga também veio 13% acima da estimativa do BBA “devido ao repasse dos maiores preços de diesel, gasolina e etanol”, explica o time de reseaarch do BBA.

Analistas do Credit Suisse escreveram que as “margens da Ipiranga estão voando alto”. A margem Ebitda de R$ 134 o metro cúbico (m³) superou estimativa do banco de R$ 125/m³ e ficou em linha com o limite superior da estimativa para a Ipiranga no trimestre (R$ 115-135/m³).

“Acreditamos que as fortes margens no 2T22 são explicadas pela combinação de dois efeitos: (i) fortes ganhos de estoque no trimestre devido aos ajustes nos preços domésticos de petróleo, e (ii) mercados convergindo para a paridade de importação, enquanto a oferta de petróleo foi mais barata durante a maior parte do trimestre”, comentam analistas do banco suíço.

O Bradesco BBI, por sua vez, optou por dar mais importância ao retorno sobre capital investido (ROIC) do que às margens em si, dado que a indústria evoluiu para ter diferentes estratégias de sourcing/contratos comerciais. O ROIC da Ipiranga melhorou sequencialmente de um valor anualizado estimado de 10,8% no 1T22 para 13,6% no 2T22. Assim, o BBI estima o consumo de capital de giro (WK)/m3 para a Ipiranga em R$ 284/m3 no 2T22 contra R$ 136/m3 no trimestre anterior devido à forte valorização dos estoques.

Segundo o Credit Suisse, o destaque negativo foi a geração de fluxo de caixa livre. Pelo segundo trimestre consecutivo, a geração de fluxo de caixa não parece consistente com o sólido Demonstrativo de Lucros e Perdas (P&L), mesmo após o ajuste pela dinâmica do capital de giro. Em termos ajustados, a Ultrapar queimou R$ 750 milhões de caixa no trimestre, “prejudicada pela dinâmica negativa do capital de giro (-R$ 400 milhões) e pagamento de dividendos (R$ 60 milhões)”.

Olhando para o futuro, a equipe de análise do BBI diz ser “provável que a alavancagem da Ultrapar continue a melhorar à medida que a empresa lucra com as vendas recentes da Extrafarma e partes incrementais da venda da Oxiteno”.

Analistas do Morgan Stanley comentaram que embora o valuation esteja um pouco esticado e os resultados recentes acabem renovando a confiança na capacidade da Ultrapar de entregar a recuperação da Ipiranga, acreditam que é muito cedo para ficarem otimistas. Assim, os investidores esperarão para ver evidências concretas de uma recuperação sustentada da margem da Ipiranga antes de pagar por uma recuperação. Dessa forma, mantém classificação equalweight (exposição em linha com a média do mercado, equivalente a neutro), com preço-alvo de R$ 14, o que representa um potencial de valorização de 4% frente ao preço de fechamento da véspera.

Bradesco BBI e Credit Suisse também têm recomendação neutra para o ativo e preço-alvo de R$ 17 e R$ 14, nesta ordem.

“O segmento de distribuição de combustível provavelmente verá uma atenção crescente por parte dos investidores à medida que alguns tentam se proteger de uma recessão global e de riscos políticos no Brasil. Dito isto, com a ação UGPA3 negociando a 10,3 vezes o múltiplo P/L [preço sobre o lucro] estimado para 2023, preferimos à exposição ao setor via Vibra com a ação VBBR3 negociando em 9,5  vezes o múltiplo P/L estimado para 2023″, aponta o BBI.

Por outro lado, o BBA é mais otimista com Ultrapar e recomenda compra, com preço-alvo de R$ 26, um potencial de valorização de 93,2% em relação ao fechamento da sessão anterior.

Combustíveis voláteis

Em teleconferência após o resultado, a companhia não se manifestou sobre o impacto do petróleo nos seus negócios no segundo semestre. Marcos Lutz, CEO da companhia, questionado sobre o assunto por analistas ressaltou que a commodity está extremamente volátil. “Não sabemos ainda”, disse.

A rede Ipiranga, que pertence ao grupo, obteve no trimestre maiores margens e melhor volume de vendas, na comparação com o mesmo período do ano passado, mas as despesas também aumentaram, incluindo dos combustíveis.

O destaque negativo no 2T22 apontado pelo mercado com relação à empresa de fluxo de caixa livre foi, segundo a própria Ultrapar, essencialmente  por conta dos maiores preços de combustíveis. Segundo a companhia, o aumento médio do preço do combustível chegou a 50% no 1S22.

A empresa, na teleconferência com analistas, disse esperar volumes maiores no segundo semestre na rede Ipiranga, mas crê em margens mais pressionadas.

Outro ponto relacionado à Ipiranga tratado na teleconferência de analistas foi sobre o movimento da rede de postos, hoje com 7.010 unidades no País.

Segundo a empresa, até 15% dos postos podem ser recuperados ou fechados, face ao baixo volume nas vendas. No 2T22, foram fechados 222 postos com a bandeira Ipiranga, e 101 novos foram abertos.

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