Ultrapar (UGPA3): qual o impacto do programa “Gás do Povo” para as ações?

Embora o programa deva impulsionar a demanda por GLP no Brasil, nem todas as 15 milhões de famílias-alvo devem gerar consumo adicional

Felipe Moreira

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Ultragaz (Foto: Divulgação)
Ultragaz (Foto: Divulgação)

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O governo publicou na quinta-feira (4) a Medida Provisória que implementa o programa “Gás para o Povo”, uma reformulação e expansão do subsídio para botijões de GLP, atingindo 15 milhões de famílias.

Embora o programa deva impulsionar a demanda por GLP no Brasil, nem todas as 15 milhões de famílias-alvo devem gerar consumo adicional. A demanda incremental provavelmente virá principalmente de cerca de 12,7 milhões de famílias que atualmente usam lenha ou carvão, adicionando 990,6 mil toneladas de GLP por ano, o que representa um aumento de cerca de 19% na demanda atual do país.

Nesse contexto, o Itaú BBA considera que o programa terá impacto neutro nos resultados operacionais da Ultragás, controlada da Ultrapar (UGPA3), com previsão de redução de 2% do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

O banco estima que os volumes adicionais do programa, de 180 mil toneladas por ano, não devem gerar EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) incremental para a companhia, e que parte dos volumes subsidiados, cerca de 40 mil toneladas por ano, se sobrepõe às vendas existentes, podendo resultar em uma queda de R$ 5 a R$ 10 por botijão de 13 kg em relação aos preços de mercado atuais.

Para o BBA, o maior impacto será o investimento em novos botijões. Para atender à demanda adicional do programa, os distribuidores poderão precisar de 12,7 milhões de novos botijões de 13 kg em todo o país. Assumindo que a Ultragaz capture 20% dessa demanda, seriam necessários aproximadamente 2,6 milhões de botijões, com investimento estimado em R$ 650 milhões. No entanto, esses investimentos devem ser implementados gradualmente nos próximos anos, e não de uma só vez.

Em um aspecto positivo, o BBA acredita que o programa contribui para reduzir o risco regulatório percebido no setor, uma preocupação para alguns investidores ao avaliarem a tese de investimento na companhia.

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O BBA manteve classificação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 28.

O Bradesco BBI espera que o programa atraia mais pessoas para o mercado de gás, substituindo o uso de cavacos de madeira entre famílias de baixa renda, o que deve ser positivo para empresas como a Ultrapar.

Já a XP acredita que o programa seja positivo para as empresas distribuidoras de GLP devido à criação de demanda, incluindo a Ultragaz, subsidiária da Ultrapar. Em um tom mais cauteloso, a casa continua preocupada com o potencial impacto negativo sobre os preços e as margens de distribuição.

Por fim, outro aspecto positivo é que o texto da medida provisória (MP) não inclui nenhuma das mudanças regulatórias que foram levantadas como riscos potenciais (por exemplo, enchimento parcial de botijões P13 ou fim da exclusividade da marca). Com isso, a XP acredita que a discussão regulatória ficará restrita à audiência pública da ANP.