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Ultrapar reverte lucro e tem prejuízo de R$ 260 mi no 4º tri; balanços de Marfrig, Gol, RD, Pão de Açúcar e mais destaques no radar

Confira os destaques do noticiário corporativo da sessão desta quinta-feira (20)

Além da Petrobras (PETR3 e PETR4), que anunciou na noite de ontem um lucro recorde de R$ 40,1 bilhões, Raia Drogasil (RADL3), Pão de Açúcar (PCAR4), Rede Fleury (FLRY3), Ultrapar (UGPA3) e Marfrig (MGFR3) publicaram balanços. A Raia Drogasil reportou lucro líquido de R$ 167 milhões no quarto trimestre, um pouco acima das projeções, mas lucrou 7% a mais em 2019, um total de R$ 587 milhões. O Grupo Pão de Açúcar teve lucro líquido de R$ 836 milhões em 2019, uma queda de 34,89% sobre 2018. A Rede Fleury lucrou R$ 65,2 milhões no quarto trimestre de 2019, uma expansão de 12% sobre igual período de 2018.

Ultrapar (UGPA3)

A Ultrapar Participações publicou balanço e registrou um prejuízo de R$ 259,5 milhões no quarto trimestre do ano passado, após ter tido lucro líquido de R$ 495 milhões em igual período do ano anterior.
O EBITA ajustado foi de R$ 167,5 milhões no período, também queda sobre o EBITDA de R$ 903,6 milhões no quarto trimestre de 2018. No ano fechado de 2019, a Ultrapar teve lucro líquido de R$ 440 milhões, em queda de 61% sobre 2018, quando a holding – que controla as marcas Ipiranga, Ultragaz, Ultracargo, Oxiteno e Extrafarma – lucrou R$ 1,13 bilhão.
Embora o desempenho da Ipiranga, Ultragaz e Oxiteno tenha se mantido na média, o grupo teve uma redução do valor recuperável de ativos (“impairment”) de R$ 593 milhões na Extrafarma, o que prejudicou o EBITDA e outros resultados da holding.
A receita líquida da holding somou R$ 23,6 bilhões no quarto trimestre, uma expansão de 1% sobre igual trimestre de 2018 e de 2% sobre o terceiro trimestre de 2019, “em consequência, neste último período, do desempenho da Ipiranga e da Ultracargo”. A Ultrapar fechou 2019 com dívida líquida de R$ 8,7 bilhões, em leve aumento sobre 2018. A relação dívida líquida sobre o EBITDA estava em 31 de dezembro em 2,87 vezes (2,87x).

Raia Drogasil (RADL3)

A Raia Drogasil (RADL3) comunicou um lucro líquido ajustado de R$ 168,7 milhões no quarto trimestre de 2019, resultado um pouco superior ao lucro líquido reportado em igual período de 2018, que foi de R$ 154,4 milhões. No ano fechado de 2019, o lucro líquido ajustado da Raia Drogasil avançou 7% sobre 2018 para R$ 587,1 milhões. Em 2019, a Raia Drogasil adquiriu e absorveu mais de 40 farmácias da Drogaria Onofre em São Paulo, e a operação ultrapassou duas mil lojas no Brasil, chegando a 2.073 farmácias. Por isto, o resultado não é recorrente. O lucro líquido, por sua vez, ficou em R$ 143,3 milhões.

A expansão de vendas nas mesmas lojas em 2019 foi de 9,2%, recorde segundo a Raia Drogasil. O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (EBITDA, na sigla em inglês) ajustado atingiu R$ 1,3 bilhão em 2019, crescimento de 12,4% sobre 2018. A Raia Drogasil encerrou 2020 com endividamento líquido de R$ 923,4 milhões, superior aos R$ 735 milhões do quarto trimestre de 2018. A relação dívida líquida sobre o EBITDA é de 0,7 vezes (0,7x) e 79% da dívida, segundo a companhia, é de longo prazo.

Pão de Açúcar (PCAR4)

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O Grupo Pão de Açúcar teve lucro líquido consolidado de R$ 98 milhões no quarto trimestre de 2019, uma queda de 71,4% em comparação a igual período de 2018.

Já o lucro líquido aos acionistas controladores foi de R$ 84 milhões no quarto trimestre de 2019, queda de 80,8% em relação ao mesmo período do ano passado. No segmento alimentar, o lucro líquido aos controladores foi de R$ 266 milhões, queda de 43,8% ante o quarto trimestre de 2018.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 1,063 bilhão no quarto trimestre de 2019, queda de 15,9% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado da companhia somou R$ 1,29 bilhão no período, alta de 0,5%. No segmento alimentar, o indicador apresentou queda de 12,4%, montante de R$ 1,068 bilhão.

O EBITDA ajustado ficou em R$ 1,2 bilhão, alta de 0,5% na mesma base de comparação. A receita liquida do grupo cresceu 23,6% para R$ 17,3 bilhões. Em 2019, o Grupo Pão de Açúcar lucrou R$ 836 milhões, recuo de 35% sobre 2018. O EBITDA ajustado caiu 4,6% para R$ 3,9 bilhões.

A receita do grupo aumentou 14,8% sobre 2018 para R$ 56,6 bilhões em 2019. O grupo varejista destacou que teve despesas de R$ 227 milhões no quarto trimestre do 2019, relacionadas à reestruturação nas operações brasileiras e também aos gastos decorrentes do processo de aquisição do grupo Éxito da Colômbia.

As despesas com vendas, gerais e administrativas avançaram 18,5% no quarto trimestre de 2018 ante o mesmo período de 2019. No segmento alimentar, o avanço foi menor, de 1,3%.

Fleury (FLRY3)

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O Grupo Fleury apurou um lucro líquido de R$ 65,2 milhões no quarto trimestre de 2019, montante que representa crescimento de 12% ante os R$ 58,2 milhões registrados do mesmo período de 2018. No acumulado do ano, o lucro líquido da companhia foi de R$ 333,9 milhões, alta de 0,7% em relação aos R$ 331,6 milhões de 2018. A receita bruta trimestral foi de R$ 778,6 milhões, com alta de 9,1%, enquanto a anual foi de R$ 3,1 bilhões, crescimento de 9,1% em relação ao acumulado de 2018.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também teve crescimento e foi a R$ 153,9 milhões, alta de 5,9% em comparação ao registrado no final de 2018, de R$ 145,4 milhões. Em todo o 2019, o Ebitda foi de R$ 719,6 milhões, o que representa alta de 4% em comparação aos R$ 691,6 milhões no acumulado de 2018.

Já a receita líquida entre outubro e dezembro do ano passado foi de R$ 720 milhões, alta de 10% em relação aos R$ 654,8 milhões registrados no quarto trimestre de 2018. No montante anual, a receita líquida chegou a R$ 2,9 bilhões, alta de 9%. A margem Ebitda recuou 0,8 ponto percentual entre o quarto trimestre de 2019 e o mesmo período de 2018, chegando a 21,4%.

O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) foi de 18,8%, recuo de 37 pontos base em relação ao mesmo período de 2018.

Durante o ano de 2019, a companhia realizou 82,1 milhões de exames, e 321,5 mil assessorias médicas. A empresa conta atualmente com 10 mil funcionários, incluindo 2,4 mil médicos.

Marfrig (MRFG3)

A Marfrig informou que obteve um lucro líquido de R$ 26,9 milhões no quarto trimestre de 2019, revertendo prejuízo de R$ 1,25 bilhão que teve em igual período de 2018. A receita líquida da empresa cresceu 23,5% no quarto trimestre de 2019, sobre mesmo trimestre do ano anterior, para R$ 14,2 bilhões.

O EBITDA foi de R$ 1,6 bilhão no quarto trimestre de 2019, crescimento de 8,6% sobre igual período de 2018. A Marfrig informou que em 2019 a América do Norte – onde possui três frigoríficos nos Estados Unidos – passou a representar 61% da sua receita. O Brasil representa apenas 10%, menos que a China, que responde por 14% do faturamento. Em 2018, o Brasil respondia por 13% do mercado da Marfrig. O endividamento da Marfrig também cresceu, de um passivo total de R$ 8,6 bilhões no quarto trimestre de 2018 para R$ 10,6 bilhões no quarto trimestre de 2019.

O mercado esperava resultados fortes para a empresa – a ação da companhia vem trabalhando em forte alta há seis sessões. Na semana passada, o JPMorgan elevou a recomendação para a ação de Neutra para Compra, com preço-alvo de R$ 13 – preço já superado pelo papel.

Por ser a companhia brasileira com mais unidades habilitadas para exportarem à China – são 13 na América do Sul; sete no Brasil, quatro no Uruguai e duas na Argentina – a Marfrig é uma das mais beneficiadas com a expectativa de aumento na demanda do país asiático por carne importada em decorrência da peste suína africana.

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Além disso, por ter uma operação nos Estados Unidos, a companhia pode aproveitar a recente abertura da China à carne norte-americana.

Burger King (BKBR3)

O Burger King teve lucro líquido de R$ 41,3 milhões no quarto trimestre de 2019,  queda de 50,6% frente o mesmo trimestre do ano anterior, de R$ 83,6 milhões.

A receita líquida subiu 11,9% no quarto trimestre de 2019, para R$ 803,4 milhões, na comparação com os R$ 718,1 milhões do mesmo período do ano anterior.

O Ebitda ajustado do quarto trimestre de 2019, por sua vez, totalizou R$ 171,2 milhões, em alta de 36,6% ante os R$ 125,4 milhões do mesmo período do ano passado.

O total de restaurantes da rede ao fim do período foi de 912 unidades, 111 lojas acima na comparação com o quarto trimestre do ano anterior.

Gol (GOLL4)

A companhia aérea Gol teve lucro líquido de R$ 179,3 milhões em 2019, revertendo prejuízo de R$ 1,339 bilhão no ano anterior. No quarto trimestre, o lucro líquido foi de R$ 436,3 milhões. O resultado refere-se aos ganhos atribuído aos acionistas, antes de participação minoritária.

A Gol informou ainda que a sua receita líquida cresceu 18,8% para R$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2019, o que a empresa aérea definiu como seu melhor resultado. O EBITDA do quarto trimestre teve avanço de 22,2%. A empresa informou que para 2020 a projeção é de uma receita líquida de R$ 15,4 bilhões.

A Gol afirma que obteve lucro operacional recorrente de R$ 1 bilhão no quarto trimestre de 2019 e de R$ 2,6 bilhões em 2019. O lucro operacional em 2019, segundo a empresa, cresceu mais de 40% sobre o lucro de R$ 1,6 bilhão reportado em 2018. A Gol também informou que transportou 9,7 milhões de passageiros no trimestre, uma expansão de 8% sobre igual trimestre do ano anterior.

Petrobras (PETR3;PETR4)

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Além dos números do quarto trimestre e de 2019, em que a companhia registrou o maior lucro nominal da história das empresas de capital aberto, a Petrobras segue no radar em meio ao noticiário sobre a greve.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus 13 sindicatos filiados vão indicar aos funcionários da Petrobras, em assembleias nesta quinta-feira, 20, que suspendam a greve iniciada no dia 1º deste mês. Se a indicação for aprovada, as entidades vão poder participar, na manhã de sexta-feira, 21, da mediação com a direção da Petrobras proposta pelo ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra.

A decisão, de fato, se os empregados vão voltar ou não ao trabalho sairá nessa quinta-feira, quando os sindicatos, em cada uma das suas bases de atuação, vão submeter a proposta do conselho da federação aos petroleiros.

Na noite de terça-feira, Gandra liberou despacho propondo o encontro da direção da Petrobras com a FUP para retomarem as negociações, mas condicionou o encontro ao fim da paralisação, que nesta quarta completou 19 dias, a maior desde 1995.

A greve dos petroleiros foi motivada, principalmente, pela demissão de 396 empregados diretos e 600 indiretos da Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná. No dia 14 de janeiro, a Petrobras anunciou o fechamento da fábrica de fertilizantes e o desligamento dos funcionários, que começou a acontecer após um mês do comunicado.

No início deste mês, a FUP convocou os petroleiros a cruzar os braços em protesto às demissões e conseguiu a adesão de cerca de 21 mil trabalhadores da Petrobras em 13 Estados. Segundo a entidade, ao deixar cerca de mil pessoas desempregadas, a estatal descumpriu acordo coletivo que exige uma negociação prévia com as lideranças sindicais. A empresa responde que teve essa conversa com o sindicato local, representante dos funcionários da Ansa, o Sindiquímica-PR.

Especificamente sobre o resultado, a visão dos analistas é positiva. Apenas no quarto trimestre de 2019, o lucro líquido da estatal ficou em R$ 8,153 bilhões — uma alta de 287,87% sobre o mesmo período do ano anterior.

O Bradesco BBI definiu os resultados apresentados ontem pela Petrobras como “muito fortes”, com um EBITDA ajustado em linha com as projeções feitas. “A Petrobras está entregando resultados em linha com todas as metas: venda de ativos, crescimento da produção e custo mais baixo de capital. Nós acreditamos que esta tendência continuará nos próximos dois anos”, avalia o BBI, que mantém a nota “outperform” (acima da média) para o papel PETR4, com preço-alvo de R$ 38,00 para a ação, alta de 24% sobre os R$ 30,55 do fechamento de ontem na B3.

O banco Credit Suisse definiu os resultados da Petrobras como positivos e “melhores do que uma leitura mais superficial poderia sugerir”. O banco destacou que o EBITDA trimestral, de R$ 37,2 bilhões, ficou em linha com as estimativas e o nível de geração de caixa da estatal superou as expectativas. O CS destacou que a produção da estatal avançou 21% em 2019, houve redução da dívida e a empresa desinvestiu ao redor de R$ 65 bilhões. “Olhando para frente, projetamos que o desinvestimento no refino será um gatilho para o preço das ações”, avalia o CS. O banco reitera o preço-alvo de US$ 21,00 para o ADR, negociado na Bolsa de Nova York.

Embraer (EMBR3)

No âmbito do acordo fechado com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) por violação das leis anti-corrupção do país, a Embraer fechou acordo com as autoridades norte-americanas para estender por 90 dias o prazo de monitoria externa e independente. O próprio acordo também será estendido pelo mesmo período.

Em Fato Relevante, a companhia informa que a prorrogação do prazo permitirá a conclusão dos testes da monitoria para avaliação do cumprimento dos acordos com o DOJ e com a Securities and Exchange Comission (SEC). Assim, este acompanhamento se encerrará em 22 de abril.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)