Ultrapar monta posição na Rumo, vai parar em 5%? 6 considerações da XP sobre operação

Operação ainda está pendente de confirmação

Lara Rizério

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Foto: Divulgação
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Segundo notícia publicada pelo Brazil Journal, a Ultrapar (UGPA3) vem adquirindo ações da Rumo (RAIL3) e já detém uma participação de 5% na empresa. A notícia, vale ressaltar, ainda não foi confirmada por nenhuma das empresas.

A Rumo fechou o pregão de quarta-feira (26) liderando a ponta positiva do Ibovespa, com alta de 9,14%, a R$ 16,84, enquanto Ultrapar fechou o dia em queda de 0,41%, a R$ 22,05.

A Ultrapar demonstrou recentemente interesse em aumentar sua exposição à infraestrutura do agronegócio, o que também motivou a aquisição de uma participação majoritária na Hidrovias do Brasil (HBSA3), na qual a Ultrapar detém atualmente 55% das ações. Além disso, a empresa ainda não interrompeu suas atividades de fusões e aquisições e demonstrou interesse em buscar oportunidades de fusões e aquisições nas quais possa gerar valor.

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Na visão da XP Investimentos, se a compra for confirmada, seria um movimento ousado a longo prazo, mas a alavancagem parece administrável para a Ultrapar.

Confira algumas considerações feitas sobre a operação pela XP:

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1.A Ultrapar irá adquirir a Rumo?

Se confirmado, seria um movimento ousado a longo prazo, mas a alavancagem parece administrável, avalia a XP. “A informação ainda precisa ser confirmada, mas acreditamos que ela não deve parar em 5% [de participação]”, aponta a XP.

2. A Rumo é muito grande?

A XP acredita que a alavancagem possa ser um desafio, mas a aquisição é possível. A aposta de 5% aumentaria a alavancagem em 0,2 vez (para 1,9 vez). Caso a compra fosse de 30%, deve atingir 3 vezes. No caso de consolidação, a alavancagem atingiria um múltiplo próximo a 2,6 vezes.

3. Dilutivo para as principais métricas de avaliação da Ultrapar

A XP vê a Rumo como um investimento atraente no prazo médio/longo, mas pode ser dilutivo para métricas de avaliação no curto prazo (múltiplo de preço sobre lucro e FCFE yield, ou rendimento de fluxo de caixa livre ao acionista). Considerando uma aquisição de 30%, o P/L pode aumentar para 12,5 vezes (versus 9,5 vezes) e o FCFE yield pode diminuir para 6,7% (versus 11,4%) assumindo não investimentos, ou 2,6% com investimentos.

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4. Sinergias

A XP aponta que um desafio relevante é como a Ultrapar vai fazer a aquisição sem criar ineficiências fiscais. Também pode haver discussões sobre um potencial desconto de holding. Outro debate é se a Ultra juntaria Rumo e Hidrovias do Brasil.

“Acreditamos que a decisão passa sobre a capacidade de obter sinergias e eficiências operacionais”, avalia.

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5. O que muda sobre a governança da Rumo

A administração da Ultra já falou que prefere ter controle de suas investidas. Caso seja o objetivo que ela precisa levar em consideração, segundo a XP: (i) o acordo de acionistas entre a Cosan e a família Arduini; (ii) limitação de voto a 20% do capital social; (iii) pílula de veneno de 15% com 25% de prêmio; e (iv) obrigações de oferta pública no contexto do Novo Mercado.

6. Boas notícias para Cosan (CSAN3) e Rumo

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O potencial interesse na participação da Rumo da Cosan é positivo para a CSAN3, avalia a XP. “Também é bom para os acionistas da RAIL3, como um potencial comprador no mercado, além de confirmar nossa visão positiva dessa tese”, conclui a XP.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.