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SÃO PAULO – A próxima semana será a última em que a bolsa terá semana completa de negociação, já que nas duas semanas seguintes teremos o natal e o ano novo paralisando os negócios por dois dias. Porém, mesmo com o mercado já se preparando para o fim de ano, os próximos dias serão intensos, com um evento que pode ajudar a definir as perspectivas para o andamento da política monetária 2014.
Nos dias 18 e 19 de dezembro ocorre a última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) do ano. O encontro de líderes do Federal Reserve pode finalmente definir e anunciar a esperada redução do programa de estímulos à economia do país, fato que antes era esperado apenas para janeiro, já que será o momento de transição na autoridade, com o atual presidente Ben Bernanke saindo para entrada de Janet Yellen.
O economista Alex Agostini, da Austin Rating, explica que a decisão tomada esta semana pelo congresso americano de aprovar um novo acordo orçamentário, evitando uma nova paralisação do governo pelo menos até 2015, tirou o peso da manutenção do Quantitative Easing 3. “Enquanto o risco de nova paralisação do governo existia, era difícil tirar o QE3. Porém, com o acordo o governo tem mais estabilidade e deixa de depender tanto dos estímulos”, explica o economista.
Para Agostini o que devemos ver esta semana é o anúncio de quando começam a ser retirados os estímulos, fato que deve mesmo ficar para janeiro. Além disso, após a reunião, Bernanke irá realizar um discurso, favorecendo o anúncio, já que o atual presidente do Fed terá a chance de dar detalhes e tirar dúvidas dos especialistas sobre a redução.
Evento do ano
Este ano foi praticamente inteiro guiado pelas expectativas em relação à esse anúncio. Com isso, caso ele realmente seja feito nesta semana, acabará guiando todas as projeções de especialistas para 2014. “Esse será o evento do ano, já que após tanta especulação e antecipação do mercado, finalmente teremos certezas para nos guiar daqui pra frente”, afirma o economista.
Com esse anúncio, as perspectivas financeiras e econômicas passam a ser montadas com mais clareza. No lado financeiro devemos ter novas projeções sobre mudanças nos juros nos EUA, o que deve levar os investidores a trocarem a renda variável para a renda fixa. Enquanto isso, no lado econômico, será a hora do mercado ver se a economia norte-americana realmente tem força para se recuperar sem os estímulos, o que pode ter impacto em todo o mundo.
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“Diferente do que vemos no Brasil, o Fed tem uma linguagem mais transparente. Ou seja, qualquer movimento que ele pretenda fazer, será anunciado com antecedência, o que favorece o mercado a se guiar para o futuro”, afirma Agostini.
Segundo o economista, a semana deve começar “morna”, com os investidores em todo o mundo aguardando a reunião do Fomc. “O que podemos ter são alguns fatos pontuais, como notícias de empresas e algum anúncio surpresa, mas segunda e terça-feira devem ser de cautela do mercado”, conclui ele.
Brasil também ganha foco
Um evento no Brasil também deve chamar atenção na próxima semana: o Relatório Trimestral de Inflação. Porém, Agostini explica que o impacto da divulgação deve ser minimizado no mercado, já que boa parte das projeções de inflação já estão feitas pelos analistas.
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“O relatório irá ajudar os integrantes indecisos do Banco Central a definirem seu voto na próxima reunião sobre política monetária, esse será o maior impacto do documento”, afirma o economista. “No mercado, o maior efeito é sentido nos juros futuros, sendo que o relatório de inflação acaba tendo reflexo mais forte nos contratos mais curtos”, explica.