Blue chips

Última semana do ano coloca Petrobras e Vale em lados opostos do Ibovespa

Abismo fiscal e aumento no preço do petróleo pressiona a Petrobras, enquanto Vale se beneficia do bom momento da China

SÃO PAULO – Desde o início desta semana, as ações das duas maiores blue chips brasileiras Petrobras (PETR3, PETR4) e Vale (VALE3, VALE5) têm seguido caminhos bem diferentes. Enquanto as da mineradora seguem o noticiário chinês, as da petrolífera sofrem com as negociações do abismo fiscal e as mudanças no preço do petróleo.

No acumulado da semana os ativos PETR3 e PETR4 despencam 5,41% e 5,17%, enquanto VALE3 e VALE5 sobem 1,46% e 0,96%, respectivamente. O Ibovespa tem leve queda de 0,08%.

Como os EUA continuam em um impasse, essa diferença deve continuar para esses últimos pregões de 2011, já que uma solução para evitar o abismo fiscal faria com que o preço do barril de petróleo aumentasse. Caso contrário, se o país de fato cair em um abismo fiscal, os EUA devem entrar em recessão, o que reduziria a demanda pelo petróleo e o seu preço.

Quanto mais caro o barril de petróleo, pior para a Petrobras, que tem que importar derivados do petróleo para atender a demanda no mercado interno, lembra o estrategista-chefe da Gradual Investimentos, Paulo Esteves.

Na última semana foi divulgado pela Folha de S. Paulo que a empresa terá o maior déficit comercial desde 1995. Segundo dados até novembro, a companhia importou US$ 29,6 bilhões, enquanto exportou apenas US$ 19,8 bilhões. Somente em gasolina, a Petrobras praticamente não exportará e terá que arcar com uma importação recorde, de ao menos US$ 2,85 bilhões.

“Ela não expandiu a produção nos últimos trimestres no mesmo ritmo do crescimento da demanda, então passou a importar cada vez mais. À medida que aumenta as importações está cada vez mais mais vulnerável ao preço internacional do petróleo”, explica Esteves.

Na quarta-feira (26) o contrato futuro do barril de petróleo negociado em Nova York disparou 2,1%, no nível mais alto desde o fim de novembro, enquanto as ações da Petrobras caíam forte diante de sinais de que os políticos atuarão para evitar que o país caia no abismo fiscal. Naquela data, Barack Obama anunciou que anteciparia sua volta do Havaí para tentar chegar a um acordo com os republicanos e evitar o abismo fiscal, o que foi bem recebido pela imprensa norte-americana.

Nesta quinta-feira o preço do barrril de petróleo negociado em Nova York se mantém praticamente estável, em ligeira queda de 0,07%.

Diferença de comportamento entre Petro e Vale
DataPETR3PETR4VALE3VALE5
* Cotação das 12h20 (horário de Brasília)
**Até o fechamento de 26/12
26/12/2012-3,30%-3,05% +0,67%+0,47%
27/12/2012*– 2,18%-2,19%+0,78%+0,49%
Dezembro**+3,4%+5,14% +13,03%+11,42%
2012**-12,11%-6,44% +13,99% +14,58%

“A Petrobras ainda está muito vulnerável à ingerência política, que usa a empresa para controlar a inflação, segurando o reajuste de combustível”, diz o estrategista-chefe da Gradual.

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Por outro lado, a Vale apresenta um bom momento ao seguir a valorização do minério de ferro. A commodity está apresentando os maiores ganhos em cerca de dois anos.

Segundo publicado pela Bloomberg, o minério de ferro chegou a cair para sua mínima em três anos em setembro, mas desde então já dispara 56%, amparado em perspectivas melhores para a China. Apenas no último mês o índice Shanghai Stock Exchange, da bolsa de Xangai, dispara 10,8%.

Aumento da diferença perto do fim
Mas Esteves acredita que essa diferença entre as duas maiores blue chips brasileiras já se aproxima do seu limite. “No horizonte mais longo, não vejo espaço para a Petrobras cair mais. Ela não pode valer menos do que antes do pré-sal”, justifica.

Afinal de contas, a Petrobras também é estratégica para o governo que, por ser acionista da companhia, vê uma deterioração nas contas públicas. Por isso o estrategista-chefe da Gradual Investimentos acredita que o governo terá que, em algum momento, acertar os problemas de ingerência.