UBS vê valuations globais em queda e recomenda papéis defensivos

Alocação de curto prazo não muda, mas investidor deve estar atento; recomendação abaixo da média para títulos do governo

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SÃO PAULO – Declínios fortes nas cotações ao redor do mundo, refúgio nos títulos governamentais, e volatilidade nos preços das commodities cíclicas. Para o economista do UBS Pactual, Larry Hatheway, o cenário sugere que os investidores estão cada vez mais preocupados com as projeções para o crescimento global.

“O valuation das ações caíram para níveis não vistos desde o primeiro semestre de 2009, mais um sinal de que os mercados podem estar perto de um cenário de double dip (recuperação em W, ou uma nova perna de recessão no caminho da recuperação global)”, aponta o economista.

Motivos para preocupação
Hatheway cita as intenções de mais países europeus – como Alemanha e Itália – de realizar apertos na política fiscal, e observa que o tumulto do mercado pode começar a afetar decisões de gastos das famílias e das empresas, particularmente desde que as políticas da Zona do Euro parecem incapazes de atuar nas fontes do risco de default.

Assim, o economista do UBS vê os valuations começando a ficar esticados. “Nossa medida de prêmio de risco embutido na ação está no maior nível desde o segundo trimestre de 2009”, afirma, explicando que as commodities cíclicas, como cobre e as energéticas, parecem sobre-vendidas relativamente aos seus fundamentos, enquanto os preços do ouro mostram decompasso com a inflação e as expectativas de inflação.

Mas alocação não muda
No curto prazo, Hatheway sugere que a alocação de ativos está garantida e o investidor deve ter um olhar cauteloso. “Continuamos preferindo commodities não-cíclicas, ações defensivas e créditos corporativos de maior rendimento”, explica o economista, reiterando ainda a recomendação de peso abaixo da média para títulos do governo.