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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva pode mudar o comportamento recente das ações do setor de saúde, segundo avaliação do UBS. O banco vê Hapvida e Dasa como os nomes mais expostos a uma eventual correção, caso a curva de juros volte a subir após o resultado do segundo turno.
O racional parte do movimento observado depois da primeira votação. Segundo o UBS, as cinco ações acompanhadas pelo banco avançaram entre 17% e 33% na semana seguinte ao primeiro turno, em um período em que a taxa de juros de 10 anos recuou cerca de 175 pontos-base.
Agora, com a reeleição contrariando o cenário de mudança de governo que havia sido precificado pelo mercado, o UBS avalia que esse movimento pode operar na direção contrária.
Hapvida e Dasa aparecem mais expostas
Hapvida e Dasa lideraram o rali recente e, segundo o banco, apresentam a maior exposição a uma reversão tanto pelo lado de valuation quanto pelo impacto dos juros sobre os resultados.
Nos cálculos do UBS, uma alta de 100 pontos-base na taxa de 10 anos reduziria o valor justo em cerca de:
- 13% para Bradsaúde (SAUD3)
- 12% para Rede D’Or (RDOR3)
- 11% para Fleury (FLRY3)
- 10% para Dasa (DASA3)
- 9% para Hapvida (HAPV3)
Apesar de a sensibilidade de valuation ser maior em Bradesco Saúde e Rede D’Or, o banco destaca que Dasa e Hapvida também sofrem impacto direto nos lucros caso os juros curtos avancem.
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Uma alta de cerca de 50 pontos-base nas taxas de curto prazo reduziria o lucro líquido estimado de 2027 da Dasa em aproximadamente 5 a 6 pontos percentuais e o da Hapvida em 3 a 4 pontos percentuais, segundo o UBS.
Bradesco Saúde é destaque defensivo
Na outra ponta, o UBS aponta a Bradesco Saúde como a posição defensiva preferida em um cenário de reversão do mercado.
O banco destaca a combinação de beta baixo, ausência de dívida financeira, liquidez e pagamento de dividendos.
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Além disso, juros mais altos podem beneficiar o resultado da companhia por meio do retorno obtido sobre o chamado float financeiro, formado pelos recursos mantidos em sua carteira de títulos.
A Rede D’Or aparece logo depois entre os nomes considerados mais defensivos. Segundo o UBS, a companhia apresenta beta de 0,9, alavancagem de 1,7 vez e a maior liquidez do setor.
Preços-alvo permanecem inalterados
O UBS manteve inalterados os preços-alvo das empresas analisadas.
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Segundo o banco, considerando as cotações de 9 de outubro, três das cinco ações já negociavam acima de seus respectivos preços-alvo: Hapvida estava 12% acima, Fleury 16% e Dasa 25%.
Rede D’Or e Bradesaude, por outro lado, ainda negociavam abaixo dos preços-alvo do UBS naquele momento, com potenciais de alta de 5% e 21%, respectivamente.
Considerando as cotações de 23 de outubro, o UBS mantém recomendação de compra para Rede D’Or e Bradesaude, com preços-alvo de R$ 48 e R$ 19. Hapvida e Fleury aparecem com recomendação neutra, enquanto Dasa está classificada como compra, com preço-alvo de R$ 3,90.
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Curva de juros deve definir reação
Para o UBS, a abertura da curva de juros será o principal fator para determinar a magnitude do movimento das ações de saúde após a eleição.
O banco ressalta, porém, que não vê mudanças relevantes nos fundamentos estruturais do setor.
Número de beneficiários, emprego formal, inflação médica, utilização dos planos, reajustes e regulação continuam sendo os principais vetores operacionais das empresas.
No curto prazo, entretanto, o UBS avalia que foram os juros que impulsionaram o rali recente — e também deverão determinar a intensidade de uma eventual reversão.

