UBS BB passa a recomendar compra para JBS e Minerva e tem visão neutra para MBRF

Setor tem tarde mista no mercado, sem força para as duas direções

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Processamento de carne em unidade de produção da JBS (Foto: Reuters)
Processamento de carne em unidade de produção da JBS (Foto: Reuters)

Publicidade

O UBS BB iniciou a cobertura do setor de Alimentos da América Latina, com recomendação de Compra para JBS (BDR: JBSS32) e Minerva (BEEF3) e recomendação Neutra para MBRF (MBRF3). O banco destacou a Minerva e a JBS como bem posicionadas para aproveitar as oportunidades que o setor enfrenta no momento.

Por volta das 14h30, as ações performam mistas, com a BEEF3 em alta suave de 0,49% e a MBRF3 com leve baixa de 0,11%. O BDR (Brazilian Depositary Receipts) da JBS também registrava queda de 0,64%, negociado a R$ 82,43.

Conforme o novo relatório, o banco tem dado preferência relativa pela exposição ao segmento de carne bovina brasileira, em relação a outras proteínas e regiões. “Acreditamos que o Brasil está singularmente bem posicionado para capturar o crescimento da demanda global por carne”, argumentam os analistas.

Viva do lucro de grandes empresas

Em sua justificativa, o UBS BB destaca o abundante acesso a ração no país, proveniente de grandes safras de grãos e o potencial de expansão via ganhos de produtividade. Pesando o outro lado da balança, os analistas têm a percepção negativa de que os ciclos de outras commodities parecem menos favoráveis, mesmo enfrentando um cenário desafiador em gado, também.

Fase de colheita: JBS e Minerva

Para a JBS, o banco espera que a companhia supere os ciclos negativos das commodities conforme continue passando por re-rating após sua listagem nos EUA, realizada em junho de 2025. O processo, que costuma durar mais de dois anos, também incluiu a entrada da companhia em índices americanos.

Os analistas ainda enxergam um potencial de valorização adicional, advinda dos retornos não precificados, provenientes de cerca de US$ 1 bilhão por ano em capex de expansão. Essa precificação pode adicionar cerca de 1 ponto percentual ao ano de rendimento do fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) em relação ao que está refletido atualmente nos preços.

Continua depois da publicidade

O preço-alvo para o final de 2026 estipulado pelo banco foi de US$ 19,5 por ação, um potencial de valorização de 23%. Para a Minerca, a valorização esperada é ainda maior, de 32%, com preço-alvo de R$ 8,00.

Em 2025, o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização da Minerva quase dobrou em relação a 2023. O fenômeno aconteceu logo após a conclusão da aceleração operacional de sua aquisição mais recente. A expectativa do banco é de que, com as operações normalizadas e ainda em um ponto saudável do ciclo, a companhia continue focada na desalavancagem.

Desafios à frente

O UBS abriu a cobertura da MBRF como neutra, a um preço-alvo de R$ 23,00. Além da alavancagem elevada, a companhia precisa enfrentar um cenário desafiador de normalização das margens da avicultura, com pressão vinda do exterior, com o ciclo desfavorável do gado nos EUA.

Essa pressão sobre as margens é especialmente relevante para a BRF, porque o mercado interno brasileiro representa 55% da receita líquida da companhia. Por sua vez, a BRF representou cerca de 39% da receita líquida da MBRF no mesmo período.

Apesar dos receios, o banco projeta um FCFE yield (Rendimento do Fluxo de Caixa Livre) de 1% para 2026 e 5% para 2027. A visão do banco aposta em mais resiliência do mercado. O Ebitda estimado para 2026 também está em linha com a média histórica da companhia e de seus pares, de +3% em 2026 e -3% no ano seguinte.