UBS BB eleva Usiminas para compra com avanço do protecionismo; ação dispara 6%

UBS BB passou a adotar uma visão mais construtiva para siderurgia, impulsionada pelo avanço de medidas de proteção comercial (antidumping)

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Trabalhadores da siderúrgica Usiminas em Ipatinga, Minas Gerais (Foto: REUTERS: Alexandre Mota)
Trabalhadores da siderúrgica Usiminas em Ipatinga, Minas Gerais (Foto: REUTERS: Alexandre Mota)

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Após um longo período de pessimismo com o setor siderúrgico brasileiro, o UBS BB passou a adotar uma visão mais construtiva, impulsionada pelo avanço de medidas de proteção comercial (antidumping). Nesse contexto, o banco vê a Usiminas (USIM5) como principal beneficiária e elevou a recomendação da siderúrgica para compra. Às 10h47 (horário de Brasília) desta terça-feira (17), as ações USIM5 subiam 6,78%, a R$ 6,93.

O preço-alvo foi elevado de R$ 6,80 para R$ 9,00, com base em múltiplo EV/Ebitda (Valor da Firma sobre lucro antes de juros, depreciações e amortizações) de 4,7 vezes para 2026.

O banco estima que a margem Ebitda do aço pode alcançar entre 13% e 15% nos próximos anos, possivelmente até 2027, ante cerca de 6% em 2025, o que representa um forte efeito de alavancagem para os acionistas. Atualmente, o mercado precifica margens próximas de 9%, o que indica potencial de valorização.

Viva do lucro de grandes empresas

Com as medidas antidumping, o UBS BB espera uma redução significativa das importações chinesas de aço plano no Brasil, abrindo espaço para produtores locais. A Usiminas deve capturar parte desse volume, com crescimento estimado de cerca de 10% nos embarques.

Esse aumento de escala deve gerar diluição de custos fixos e redução de 2% a 3% no custo por tonelada. Há ainda potencial adicional de melhoria no mix de produtos, embora isso não esteja totalmente incorporado nas estimativas.

Gerdau (GGBR4)

Para a Gerdau, a recomendação de compra foi mantida, com preço-alvo ligeiramente reduzido de R$ 25 para R$ 24, ainda sustentado por potencial de valorização das operações nos Estados Unidos.

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O UBS BB destaca o forte desempenho da operação na América do Norte, que já responde por cerca de 70% do Ebitda da companhia. A expectativa é que as margens Ebitda da divisão norte-americana atinjam cerca de 25% no primeiro semestre de 2026, apoiadas por aumentos de preços já implementados e uma carteira de pedidos robusta, superior a 80 dias. Para o ano cheio de 2026, o UBS BB projeta margens próximas de 23%, nível ainda não totalmente precificado pelo mercado.

Por outro lado, a operação brasileira segue desafiadora, especialmente no segmento de aços longos. O banco avalia que o problema não está nas importações, mas na forte competição doméstica, com aumento da capacidade e maior fragmentação do setor.

Nesse contexto, as margens devem permanecer abaixo de 10% por mais alguns trimestres. Ainda assim, o UBS BB vê potenciais gatilhos positivos a partir do segundo semestre de 2026 e, principalmente, em 2027, como a entrada em operação da mina de Miguel Burnier e possíveis avanços em medidas antidumping para bobinas a quente (HRC).

Otimismo com medidas antidumping

O banco destaca que o setor ficou pressionado nos últimos 3 a 4 anos, especialmente pelo aumento das importações — sobretudo da China — que chegaram a cerca de 6,4 milhões de toneladas em 2025, quase três vezes acima de 2019. Esse movimento impactou preços e margens domésticas.

Agora, o UBS BB vê maior capacidade do Brasil de proteger sua indústria, com medidas antidumping que já cobrem cerca de 40% das importações, com potencial de expansão.

Há ainda investigações em andamento para produtos como tubos, fio-máquina e, especialmente, bobinas a quente, com sinalizações iniciais positivas.

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Segundo o banco, momentos de maior protecionismo costumam marcar pontos de inflexão positivos para ações do setor, como ocorreu em mercados como EUA, União Europeia e México.

Potencial de alta de preços

O UBS BB estima potencial de aumento de cerca de 10% nos preços dos produtos afetados, com altas próximas de US$ 100 por tonelada, principalmente em aço laminado a frio e galvanizado. O banco considera essa projeção conservadora, diante da expectativa de menor competição externa e mercado doméstico mais apertado.

Segundo o relatório, produtores e distribuidores já começaram a elevar preços nesse patamar. Por outro lado, o banco vê desempenho mais fraco para aços longos, devido à menor proteção e maior competição interna.

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