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SÃO PAULO – O modelo para a TV digital no Brasil ainda não foi decidido, mas os radiodifusores já se mostram preocupados com a concorrência das empresas de telecomunicações.
Divisão de dois mundos
Para o presidente da Rede Bandeirantes e da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), João Carlos Saad, é preciso que ocorra a separação entre “dois mundos” muito distintos: aquele, definido pela Constituição Federal, como comunicação social grátis; e aquele em que tudo o que é transmitido precisa ser pago, “como telefonia fixa, celular, internet e TV por assinatura”.
Saad informou que, no Brasil, os radiodifusores respondem por apenas 7% do mercado, movimentado pela telecomunicação, que, ao contrário da radiodifusão, é desobrigada, por exemplo, de veicular o horário político eleitoral gratuito.
“Além disso, toda a indústria de telefonia paga saiu da mão dos brasileiros”, ressaltou o presidente, que prefere discutir a sobrevivência dos radiodifusores: a gratuidade ou não desses serviços no futuro.
Monopólio
Saad lembrou que não surgem novas emissoras em regime aberto, porque elas dependem de publicidade, enquanto a TV paga reúne melhores condições para oferecer diversidade de opções, o que pode gerar monopólio; por isso a urgência da divisão na forma com que cada setor é tratado.
Ele garante que, se isso ocorrer, será possível abrir 126 canais e gerar cerca de 63 mil novos empregos diretos, suficiente para equilibrar o conteúdo entre produção nacional e importada e estimular a produção local. As informações são da Agência Câmara.