Turismo cresce 20% na Grécia; isso salvará o país da grave crise?

Apesar dos bons sinais do setor, economistas reiteram que a situação ainda é frágil e o país segue com modelo de desenvolvimento econômico insustentável

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SÃO PAULO – Depois de anos em queda-livre sem qualquer indício de ter encontrado o fundo do buraco financeiro que devastou sua economia, a Grécia parece finalmente dar os primeiros passos dos muitos necessários para que sua difícil situação seja revertida. Mais uma vez, foi o setor do turismo que assumiu a dianteira da economia grega e melhorou levemente o ânimo dos economistas, que ainda continuam desconfiados e cautelosos sobre o futuro do país.

Em matéria publicada nesta terça-feira (17), a CNBC destacou que o turismo grego teve alta substancial neste ano graças à temporada de verão favorável, que também surfou na onda da maior procura dos turistas por destinos no norte da África e Oriente Médio. As receitas geradas a partir de serviços relacionados ao setor foram 20% superiores ao ano passado.

Apesar dos indícios de recuperação do turismo grego, as expectativas dos economistas ainda são de significativa retração econômica para o país no terceiro trimestre. No entanto, o pessimismo diminuiu um pouco, alterando as antigas projeções de contração de 4,2% do FMI (Fundo Monetário Internacional), que hoje já estão na casa dos 3%.

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Ainda é cedo para otimismo
Recentemente, o primeiro-ministro do país, Antonis Samaras, tem insistido no discurso de que a Grécia retornará aos patamares de antes da crise muito antes do que se espera. A despeito das previsões de que seriam necessárias duas décadas para que a economia grega se recuperasse, Samaras afirmou que 6 anos são o suficiente.

O discurso do líder grego não coincide com as análises de UBS e Capital Economics, que reiteram que a situação ainda assusta. A fragilidade grega ainda exige que os inspetores sigam assessorando o país a implementarem suas dolorosas medidas de austeridade antes que sejam decididos novos pacotes de empréstimo ao país. O FMI estima que a Grécia ainda precisará de uma quantia extra entre US$ 13,4 e US$ 14,7 bilhões em auxílio para os próximos 2 anos.

Apesar da recente alta do turismo, os outros setores continuam fracos e debilitam a recuperação econômica que parece tão certa na retórica do líder grego. Na visão dos economistas da Capital Economics, a bonança do turismo local no 3º trimestre não deve aliviar as necessidades da Grécia pela manutenção dos auxílios europeus à sua recuperação econômica. O atual modelo segue pouco saudável.

Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.