“Tudo indica que a crise pode durar mais que em 2008 e 2009”, diz Dilma

Para presidente, falta de liderança política nos países centrais contribuiu para a situação econômica atual

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SÃO PAULO – A presidente da República, Dilma Rousseff, afirmou na noite desta quarta-feira (10) que a atual crise financeira internacional pode durar por mais tempo que a crise do subprime de 2008. Segundo Dilma, porém, o Brasil está preparado para lidar com o cenário adverso da economia global e não deverá entrar em recessão. 

“Tudo indica que a crise pode durar mais que em 2008 e 2009, por falta de liderança política. Temos coragem para enfrentar o perigo”, disse Dilma durante a abertura do 83º ENIC (Encontro Nacional da Indústria da Construção), realizado nesta noite em São Paulo. “As razões de 2008 são iguais as de 2011, mas mudaram de qualidade”, completou a presidente.

Dilma voltou a lembrar que o Brasil foi o último a entrar na crise de 2008 e o primeiro a sair dela. “A gente sabe que alguns países pegaram seus recursos fiscais e financeiros e entregaram aos bancos e deixaram sua população sem apoio. Nós, pelo contrário, chegamos onde chegamos porque sabíamos que a saída da crise estaria no crescimento e não em colocar um novo peso na economia”, ponderou.

Problemas da crise
A presidente mencionou ainda os efeitos negativos da enxurrada de dólares que entraram na economia brasileira após as medidas de estímulo adotadas em países desenvolvidos, em especial nos Estados Unidos, entre o ano passado e a primeira metade deste ano. Tal movimento provocou a forte valorização da moeda nacional em relação ao dólar norte-americano, obrigando o Banco Central a tomar medidas para tentar conter o câmbio. De acordo com a presidente, mesmo estando ciente de que o País terá um crescimento rígido e evitará uma recessão, o Governo deve continuar a adotar medidas para proteger seu mercado financeiro e cambial.

Por conta do câmbio, a presidente lembrou ainda que o Brasil tem recebido uma enxurrada de produtos estrangeiros, o que também exige que o Governo fique de olho para não prejudicar setores da nossa economia, em especial o industrial. Além do dólar mais barato, Dilma também mencionou como um vetor para esse movimento a forte ascensão de classes sociais no País. “De 2003 a maio de 2011, 39,5 milhões de brasileiros passaram para a classe média. Nós temos um compromisso de continuar esse processo e tirar 16 milhões de pessoas da linha de pobreza”, afirmou. 

Incentivo ao crescimento
Uma das apostas de Dilma para estimular o crescimento sustentável da economia nacional é o programa de bolsas de estudo à alunos brasileiros no exterior. “Nós temos um programa que é muito importante para o Brasil, que é o de bolsas no exterior. Todos os países que estão crescendo bastante, como Índia e China, mandam boa parte de seus alunos para universidades estrangeiras de qualidade”, disse. 

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De acordo com a presidente, a meta do Governo é ter 100 mil alunos brasileiros em universidades internacionais até 2015. “Nós sabemos que eles voltarão e contribuirão muito para o desenvolvimento econômico”, afirmou. As áreas que o Governo deve dar maior enfoque são as engenharias, ciências exatas e médicas, assim como tecnologia da informação. “Queremos fazer em breve uma parceria com o setor privado para gerar mais 25 mil bolsas”, concluiu Dilma.