Trump pode driblar a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas?

Para analistas, Trump poderia lançar mão de tarifas de outras natureza e especificidade para driblar decisão

Camille Bocanegra

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A Suprema Corte dos Estados Unidos (EUA) decidiu pela derrubada nesta sexta-feira (20) das tarifas abrangentes aplicadas pelo presidente Donald Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais, em decisão com implicações importantes para a economia global.

A decisão da Suprema Corte veio no contexto de uma contestação judicial movida por empresas afetadas pelas tarifas e por 12 estados norte-americanos, a maioria deles governados por democratas, contra o uso sem precedentes dessa lei por Trump para impor unilateralmente os impostos de importação.

Para analistas, a decisão ainda pode ser revertida pelo presidente, através de outros institutos legais que permitiriam uma tarifa geral e temporária.

“Parecia que apenas o governo ainda tinha esperança de que as tarifas da IEEPA seriam mantidas”, disse Brian Jacobsen, da Annex Wealth Management, à Bloomberg. “Isso significa que o governo Trump vai optar por tarifas específicas por país e setor. Essas tarifas levam mais tempo para serem impostas.”

Jacobsen também observou que, no caso de uma tarifa geral e temporária, a ferramenta seria mais limitada em termos de valor e duração. Isso lhe daria tempo para superar os obstáculos processuais necessários para obter as tarifas que deseja, disse ele.

“O Tribunal não ordenou o reembolso das tarifas, mas abriu essa possibilidade”, observou. “Os consumidores não devem esperar receber reembolsos de tarifas, já que quem realmente pagou no porto é quem tem direito ao reembolso, e não quem pagou no caixa. Isso proporcionará um alívio temporário, pois apenas adia o inevitável: tarifas de outra autoridade.”

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Jacobsen também observou que Trump poderia emitir uma tarifa geral temporária, mas que essa seria muito mais limitada em termos de valor e duração. Na frente econômica, o Produto Interno Bruto (PIB) ajustado pela inflação cresceu 1,4% em termos anualizados no quarto trimestre, após um aumento de 4,4% no mesmo período do ano anterior. No geral, a economia expandiu 2,2% no ano passado.

“O ex-presidente já sinalizou, inclusive recentemente, a existência de um “Plano B” caso a Suprema Corte decidisse em sentido contrário. Diante disso, será imprescindível monitorar os desdobramentos e acompanhar as próximas ações do governo”, diz Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

(com Bloomberg)