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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que considera “acabado” o acordo provisório com o Irã para encerrar a guerra, após uma nova troca de ataques entre forças americanas e iranianas no Golfo.
A fala aumentou o temor de retomada mais ampla das hostilidades e voltou a colocar o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para petróleo e gás, no centro das preocupações dos mercados globais.
Questionado antes da cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, se o memorando de entendimento firmado em junho havia chegado ao fim, Trump respondeu: “Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles”.
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O presidente americano também disse que negociar com o Irã se tornou “perda de tempo”, em meio a acusações mútuas de violação do cessar-fogo.
Nova troca de ataques pressiona cessar-fogo
A escalada ocorreu após ataques contra três navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. Em resposta, os EUA realizaram novos ataques contra alvos iranianos e revogaram uma licença que permitia ao Irã vender petróleo.
O Comando Central dos EUA afirmou que a operação atingiu mais de 60 pequenas embarcações usadas pela Guarda Revolucionária do Irã. Segundo a CNBC, os ataques americanos alcançaram mais de 80 alvos, incluindo sistemas de defesa aérea, redes de comando e controle e capacidades de mísseis antinavio.
A Guarda Revolucionária, por sua vez, afirmou ter atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuweit. O grupo também disse ter derrubado um drone norte-americano MQ-9 durante a operação.

Ata do Fed e escalada das tensões entre EUA e Irã dominam os mercados nesta quarta
InfoMoney reúne as principais informações que devem movimentar os mercados nesta quarta-feira (8)

Dow Jones Futuro cai enquanto petróleo dispara 5% após ataques dos EUA ao Irã
Ata do Fed também fica no radar dos investidores, enquanto mercado reavalia perspectivas para os juros diante da escalada das tensões geopolíticas e da disparada do petróleo
Irã acusa EUA de violarem memorando
O Irã classificou os ataques americanos como uma grave violação do memorando de entendimento firmado no mês passado para encerrar a guerra.
O alto comando militar iraniano condenou a ofensiva dos EUA como um “ato flagrante de agressão” e ameaçou uma “resposta esmagadora”. Já o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou Washington de violar o cessar-fogo e afirmou que Teerã “não cederá”.
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Do lado americano, o Comando Central afirmou que os ataques foram uma resposta à “agressão injustificada” do Irã contra embarcações comerciais em uma via navegável internacional.
Ormuz volta ao radar dos mercados
A nova escalada elevou as preocupações com a segurança no Estreito de Ormuz. Segundo a Reuters, dados de navegação mostram que pelo menos quatro navios-tanque de petróleo e gás retornaram em vez de tentar atravessar a rota marítima.
O estreito é considerado uma via crítica para o abastecimento global de energia. Por isso, qualquer ameaça à navegação na região tende a pressionar os preços do petróleo e aumentar o risco de um choque de oferta.
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Petróleo dispara e bolsas caem
Os mercados reagiram com aversão a risco após a fala de Trump. O Brent para setembro chegou a subir 5,7%, para cerca de US$ 78,41 por barril. O WTI avançou 5,9%, para US$ 74,60 por barril.
Enquanto isso, os futuros do S&P 500 caíam 0,8% no começo da manhã, enquanto os rendimentos dos títulos americanos subiam. Na Europa, o rendimento dos títulos britânicos de 10 anos avançavam 10 pontos-base, para 4,95%, o maior nível em quase um mês.
Já o índice Kospi, da Coreia do Sul, caiu 5,4% e entrou em mercado de baixa, pressionado pela combinação de tensão geopolítica e rotação em ações de tecnologia.
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Otan e União Europeia reagem
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que os novos ataques dos EUA contra o Irã eram “absolutamente necessários”.
A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, disse que a troca de ataques entre EUA e Irã complica ainda mais as negociações para encerrar a guerra. Ela também classificou os ataques iranianos ao Barein e ao Kuweit como inaceitáveis.
O que se sabe sobre o risco de retomada da guerra
A declaração de Trump não representa, por si só, uma formalização diplomática do fim do memorando de entendimento. Mas, na prática, indica que o cessar-fogo entrou em sua fase mais crítica desde a assinatura do acordo provisório.
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O risco de retomada da guerra aumentou porque a crise combina novos ataques militares, acusações mútuas de violação do cessar-fogo, pressão sobre o Estreito de Ormuz e forte reação dos mercados.
Os próximos sinais a acompanhar são uma eventual formalização do fim do memorando pelos EUA, novos ataques iranianos contra bases ou embarcações no Golfo, uma resposta militar adicional de Washington e possíveis restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz.
(Com Bloomberg, Reuters e CNBC)