Tributação de apostas online pode ser positiva para varejistas, diz XP

Os gastos com jogos vêm sendo responsáveis por diminuir a renda das famílias disponível para o consumo discricionário

Vitor Azevedo

Publicidade

Para o time de analistas do setor de varejo da XP, as varejistas podem ter um impulso pouco usual, que no primeiro momento não parece interferir muito no setor, em 2024: a regulação das apostas online.

No fim de 2023, o Congresso nacional aprovou um projeto de lei que regulamenta as apostas esportivas on-line, as chamadas bets. Já agora, em 2024, a lei entrou em vigor, fora o fato de autoridades estarem apertando o cerco contra os “cassinos online” – outro segmento, este não permitido.

“É um tópico que tem sido cada vez mais mencionado por empresas e investidores como um possível desafio à renda disponível dos consumidores”, fala a equipe da casa. 

Masterclass

As Ações mais Promissoras da Bolsa

Baixe uma lista de 10 ações de Small Caps que, na opinião dos especialistas, possuem potencial de valorização para os próximos meses e anos, e assista a uma aula gratuita

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Segundo uma pesquisa recente realizada pela Futuros Possíveis envolvendo aproximadamente 1.600 participantes no Brasil trazida no relatório, 36% dos entrevistados já realizaram apostas online e, destes, 78% dos participantes se envolvem em apostas online de maneira frequente ou ocasional, com destaque para a região Nordeste do Brasil.  

Leia também:

XP vê desafios, mas “tempo se abrindo” para varejo; confira recomendações de ações do setor

Continua depois da publicidade

80% dos apostadores afirmam gastar até R$100 por aposta e a maioria dos usuários de baixa renda limita seus gastos a menos de R$50 por aposta, um dado que está em consonância com a estimativa de R$58 por mês sugerida por um estudo recente da QualiBest. Hoje há a estimativa de que o total de apostas no mercado brasileiro responda a 1% do PIB, ou cerca de R$ 100 a R$ 120 bilhões. 

“Este comportamento de aposta adquire uma relevância adicional quando consideramos os gastos discricionários das classes de baixa renda. Conforme dados do IBGE, aproximadamente 22% do orçamento mensal de famílias de baixa renda é destinado a despesas discricionárias, o que representa cerca de R$286 por mês, baseado no salário mínimo vigente”, fala o time de Eigger. “Assim, ao analisar as estimativas citadas, percebe-se que as apostas esportivas online, com um gasto médio mensal de R$58, representam por volta de 20% do orçamento discricionário dessas famílias”.

Agora, a recente regulamentação do setor, junto da tributação implementada, pode rebalancear o cenário. O imposto de 15% a ser cobrado sobre os ganhos obtidos nessas plataformas, na visão da corretora, pode tornar os gastos com apostas marginalmente menos atraentes, especialmente para usuários de baixa renda, e liberar renda para ser gasta em outros lugares – inclusive no varejo.