Três destaques e três possíveis decepções na temporada do 4º tri no Brasil, segundo o Morgan

Dentre as companhias que devem superar o consenso, estão Petrobras, Eletrobras e Rumo

Camille Bocanegra

(Getty Images)

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Dividendos, clima e precificação são pilares na análise dessa temporada de resultados, de acordo com analistas do Morgan Stanley. Em relatório divulgado nesta terça-feira, o banco considerou que seis companhias brasileiras se destacarão com resultados diversos do esperado pelo consenso. E, para três delas, as notícias não serão positivas.

O Morgan considera três companhias que já integram as principais escolhas do banco como vencedoras da temporada de resultados do quarto trimestre. De acordo com a análise, Petrobras (PETR4), Eletrobras (ELET3) e Rumo (RAIL4) devem apresentar números acima do consenso. As três são classificadas como overweight (exposição acima da média, similar à compra). Entre as companhias, a Petrobras e a Rumo representam tese de investimentos de alta convicção na cobertura do Morgan, enquanto a Rumo é considerada uma história de qualidade.

Para Eletrobras, que apresentará seus resultados em 13 de março após o fechamento do mercado, a expectativa é de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) acima do consenso em cerca de 12%. A alta seria justificada por acordo de contingências e contínua recuperação operacional gradual que a companhia já apresenta.

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Já para Petrobras, é tudo sobre dividendos, na análise do Morgan, na divulgação em 7 de março. A análise considera que distribuições extraordinárias serão apresentadas e que isso poderá apoiar ainda mais as ações nos resultados. O dividendo base projetado hoje, por ADR (American Deposit Receipts, recibos de ações de companhias estrangeiras negociadas em bolsas americanas), consiste em US$ 0,36 e a expectativa seria por um dividendo extraordinário de US$ 0,77.

“Esses valores estão associados à saudável geração de fluxo de caixa livre e ao excesso de caixa existente no balanço patrimonial, para os quais temos uma viés de alta”, destacam os analistas.

A Rumo, por sua vez, poderia superar as expectativas tanto do consenso quando do Morgan Stanley em seus resultados do quatro trimestre de 2023 pelos fortes números de volumes reportados em dezembro.

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No lado negativo, o banco espera que a farmacêutica Hypera (HYPE3), recomendada como equalweight (peso em linha com a média, similar à neutro), tenha um trimestre desafiador. Os resultados serão apresentados em 13 de março. Apesar de ser considerada uma empresa bem posicionada, o setor como um todo apresentou crescimento de volume mais fraco no trimestre. Além disso, a concorrência de preços foi considerada mais forte que o usual em genéricos. O consenso considera possível melhoria nas margens, mas o Morgan não tem a mesma visão positiva. A análise entende que as atuais condições de mercado não oferecem elementos para otimismo.

A São Martinho (SMTO3) provavelmente apresentará, em 8 de fevereiro, uma compensação de bons e maus números que resultarão em balanço pior que o esperado. A companhia é considera como underweight (exposição inferior, similar à venda) pelo Morgan Stanley. Ainda que os resultados do açúcar venham fortes, em decorrência de altos preços de commodities, os preços fracos do etanol deverão ser preponderantes para o resultado geral da companhia. O Morgan considera que o mercado ainda subestima o impacto da queda dos preços do etanol para o balanço da São Martinho.

Por fim, segundo a análise, SLC (SLCE3) vive o impacto de commodities, com resultados do quatro trimestre aquém do esperado nas projeções do Morgan e do consenso. No caso da companhia agrícola, preços baixos de commodities mais definidoras de seus resultados somados à comercialização mais limitada poderão resultados em queda nos ganhos do trimestre, apresentados em 6 de março. A SLC é classificada como equalweight (peso equivalente, similar à neutro) pelo Morgan Stanley.